O direito ao amor

Declaração Universal dos Direitos das Crianças (UNICEF)

Princípio VI – Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.

Amor; um sentimento que deve ser garantido a todas as crianças do mundo! Só assim elas poderão viver o presente em harmonia, e serão capazes de conduzir um amanhã semeado por sonhos, justiça e igualdade.

Estamos falando sobre um direito mas, sobretudo, de um alimento para a vida.

Uma criança amada e amparada terá forças para lidar com as dificuldades do mundo e crescerá com a capacidade de acreditar em si mesma e nos outros. Valorizará o respeito às diferenças e o bem ao próximo.

Nós, adultos, precisamos, a todo o momento, e sem descanso, dar exemplos de carinho e amor às crianças, criando espaços de escuta e compreensão. Parece simples, parece natural, mas, infelizmente, ainda vemos pais batendo nos filhos, punindo, gritando; ainda vemos adultos individualistas e egocêntricos.

Somos todos educadores e nossa responsabilidade com o mundo é contínua: ao educar crianças, estamos cuidando delas e do mundo, simultaneamente.

Sem o afeto, porém, não conseguiremos construir um mundo mais digno e bonito de se viver. A vida é delicada e o amor está entre os principais combustíveis para a sobrevivência humana.

Que todas as crianças tenham seus direitos respeitados e possam ser verdadeiramente amadas, por todos aqueles que participam da sociedade.

Foto: Pixabay

 

 

 

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Manoel, guardião de todos nós.

‘Quem se aproxima das origens se renova’.

Manoel de Barros é aquele tipo de pessoa necessária ao mundo. Faz parte do grupo de ‘guardiões da humanidade’ e dedicou sua vida para que pudéssemos resgatar a nossa essência. Quem somos? Por que somos? Onde estamos e para onde vamos?  O que realmente importa?

Os biólogos poderiam nos dar boas respostas, assim como os filósofos ou até mesmo os matemáticos, mas prefiro contar com os poetas. Prefiro contar com O poeta. Para essas e outras perguntas, minha escolha é consultar Manoel de Barros, um homem de miudezas e infinitas belezas.

Poesia, quando não causa ruído, melhor deixar pra lá. Mas esse não foi o caso com Manoel. As palavras dele grudaram na minha alma e me fizeram entender que não havia problema em ver beleza nas pequenezas da vida, afinal, são elas que engrandecem o nosso existir.

Como ele mesmo dizia, sua poesia emana da infância. Foi ali, no baú de memórias inventadas da infância, que ele encontrou todo o alimento de seu trabalho. Um poeta que sempre escutou as crianças com respeito e admiração e foi com elas que aprendeu a ‘ouvir a cor dos passarinhos’, ‘apanhar desperdícios’ e ‘carregar água na peneira’.

Um homem imenso, costurado pelos detalhes do mundo. Além da sua obra completa, um outro jeito de se encantar por Manoel de Barros é por meio do documentário “Só dez por cento é mentira“, dirigido por Pedro Cezar.

São 82 minutos de carinhos que tocam o profundo da alma. Ali, o próprio Manoel nos conta de sua vida e de suas palavras. Temos a alegria de conhecer quem foram os seus heróis e grandes inspirações. O filme, assim como seus poemas, é um agrado que todos nós merecemos, pelo simples fato de estarmos vivos.

Manoel é coisa séria, e não à toa emprestou – e ainda empresta – sua sensibilidade a tantos educadores do Brasil e do mundo. A educação, mais do que nunca, precisa beber do universo ‘Manoelês’, pois, para construirmos um mundo mais acolhedor e sensível, é necessário que o ritmo das tartarugas tenha mais valor do que o dos mísseis.

‘O Sal da Terra’ – Um filme para sempre

A primeira vez que ouvi Sebastião Salgado ele conversava com o jornalista Roberto D’avila. Parei tudo o que eu estava fazendo para me concentrar naquele homem de sobrancelhas brancas e tão expressivas. Cada frase soou como um presente e, depois de ouvi-lo, o meu amor pela vida ficou um tantinho maior.

Eu já conhecia o trabalho de Sebastião, mas nunca tinha escutado sua voz.  Meus olhos derramaram lágrimas e compreenderam o motivo da intensa beleza de seus registros: ele fotografa com o coração e tem como grande auxiliar a vastidão de sua alma. Um poeta de olhares profundos, que fala sobre a vida e suas tantas faces, ora maravilhosas, ora devastadoras.

Sebastião Salgado – Iguana-marinha (detalhe), Galápagos, 2004.

Sebastião Salgado – Iguana-marinha (detalhe), Galápagos, 2004.

A forma como Sebastião traduz o mundo nos coloca em nosso devido lugar. De maneira sensível e extremamente respeitosa, ele adentra comunidades de humanos, macacos, morsas, crocodilos, tartarugas e nos reconecta às nossas raízes. Viemos todos de uma mesma célula, somos uma grande comunidade, que está vinculada pela história da origem da vida.  Mas raramente nos lembramos disso.

Para Sebastião Salgado, que já esteve entre tantos grupos de animais, o humano é o mais cruel e feroz de todos; coloca-se como ‘principal’ dentro do cenário do mundo e se vê no direito de destruí-lo. Devasta florestas, polui rios, destrói seus semelhantes, extingue outras espécies, num movimento claro de esquecimento: não nos vemos como parte da natureza e acreditamos ser superiores a uma árvore ou a uma iguana. Doce ilusão.

Estamos todos juntos nesse planeta e devemos respeita-lo, pois ser humano também é ser terra, água, fogo e ar. A vida humana está intimamente ligada a todas as outras formas de vida: uma formiga, uma árvore e uma onça têm absolutamente tudo a ver conosco. Mas nos desligamos desse pensamento e nos tornamos brutais e ferozes.

No documentário “O Sal da Terra”, que conta a história da vida e obra de Sebastião Salgado, esse olhar nos acompanha o tempo inteiro. E, por isso, merece visto. É um recado para a humanidade. E essa tem sido a grande herança dos projetos de Sebastião: por meio de sua fotografia ele nos prova que a humanidade está à beira do abismo; não conseguimos resolver o problema da fome, realizamos as mais frias e sanguinárias guerras, arrancamos plantas e animais de seu habitat e, nesse movimento, provocamos nossa autodestruição.

Após as tantas denúncias que realizou ao longo de sua carreira, Sebastião declarou não ter mais forças, nem vontade, de continuar. Muitas de suas missões concentraram-se na tragédia humana e ele retratou as mais inimagináveis atrocidades (Veja aqui a obra completa do fotógrafo).

Exatamente por ter presenciado, ao longo de tantos anos de trabalho, tragédias que feriram sua alma, Sebastião decidiu voltar ao ofício, agora com uma linda homenagem ao Planeta Terra. Por meio de seu Projeto “Genesis”, ele mostrou que existem partes do mundo que ainda estão “a salvo” e, com o surgimento do Instituto Terra, em Minas Gerais, sua terra natal, nos deu um lindo recado: é possível reconstruir o mundo.

A vida se renova e nós precisamos entender qual o nosso papel nesta renovação. É preciso preservar o mundo e, para isso, devemos olhar, principalmente, para nossas crianças. Qual educação estamos dando a elas? Uma educação que valoriza e respeita a natureza? O que precisamos para mudar esse mundo que está à beira do abismo, marcado pela fome, desigualdade, consumismo e pela autodestruição? Precisamos, basicamente, nos reconectar às nossas raízes. A mudança é possível e a educação pode nos auxiliar nessa caminhada.

Por isso, finalizo com a mensagem que ‘O Sal da Terra’ é um filme para ser visto por crianças, por adultos, por idosos, por todos aqueles que participam do mundo e aqueles que um dia participarão: um filme para sempre.

Sustentabilidade: por uma nova educação, por um novo modo de vida.

crianca-naturezaA sustentabilidade é um tema importante a todos que queiram permanecer neste planeta  – no presente – e garantir um futuro possível às próximas gerações. É um tema amplo, que abrange não somente questões ambientais, mas sociais e econômicas.

Trata-se de um triângulo que opera em harmonia e, se provocarmos desequilíbrio entre essas três esferas, teremos crises extremamente graves e desafiadoras; inclusive, já estamos vivenciando algumas: crise hídrica, temperaturas extremas, enchentes, verticalização intensa das cidades e pouco espaço para o verde.

Será sustentável viver num mundo que, cada vez mais, preza pelos interesses econômicos sem priorizar as demais esferas tão (ou mais) importantes à vida na terra?

Precisamos cuidar de nossa morada e trazer a sustentabilidade para o centro da vida de todos, ela deve estar no dia a dia das pessoas, deve ser um modo de vida. Como cidadãos, precisamos cuidar do mundo que nos acolhe há tantos milhões de anos e deixa-lo habitável aos nossos filhos e netos.

Mas, como incorporar essa visão da sustentabilidade no modo de vida – e nos hábitos – das pessoas? O ideal é que se tenha uma educação voltada à valorização da natureza, da justiça e da igualdade, desde cedo. Crianças devem compreender seu papel no mundo e descobrir as formas de torná-lo um lugar melhor a todos.

Já existem muitas iniciativas que apresentam propostas interessantes nesse sentido. Uma delas é o projeto “Pequeno Sustentável”, um portal na internet sobre sustentabilidade e formas de (re)pensar a educação junto com as crianças e adolescentes.

Por meio de notícias, dicas, vídeos, fotos, artes, discussões, conversas e questionamentos, o site propõe importantes reflexões sobre os temas abordados e convoca pessoas de todas as idades para a construção de um mundo melhor. Os conteúdos são atualizados diariamente pela equipe, e também abre espaço para publicações e notícias de leitores de qualquer lugar do planeta.

Realizar ações e atividades sustentáveis, participar de eventos e movimentos socioambientais, se reunir para trocar ideias, (re)pensar a educação e multiplicar boas práticas, também fazem parte do projeto.

Entre os valores essenciais do projeto, estão: soliedariedade, cidadania, cultura de paz, consciência socioambiental, entre outros.

Se você se interessou pela iniciativa, tem interesse em participar ou ter acesso aos conteúdos divulgados, visite o site e curta a página no facebook.

 

 

 

 

Educar para a paz

Lia Diskin é coordenadora do Comitê Paulista para a Década de Paz – programa da ONU para a disseminação da cultura de paz. É aquele tipo de pessoa inspiradora, sensível, gostosa de ouvir! Ela, que também é especialista em técnicas de meditação, defende uma educação baseada em novos paradigmas, que promova a cidadania e valorize outros saberes que não apenas o técnico.

Assisti à sua palestra sobre infância e a cultura de paz, um tema extremamente importante e que me tocou profundamente. As crianças de hoje serão responsáveis por conduzir o mundo amanhã e, por isso, precisamos educa-las para a paz, pois só assim conseguiremos construir uma realidade mais amigável e acolhedora.

Mas como educar para a paz? Por meio de exemplos, principalmente. Durante a primeira infância (0-6 anos) o aprendizado acontece essencialmente por imitação: pais que jogam lixo na rua, que gritam, batem e falam palavrões estão educando seus filhos para uma cultura de violência, que hoje predomina no mundo e precisa ser combatida com urgência.

Precisamos, como adultos e educadores, contribuir para uma formação que valorize o respeito, a cidadania, o bem ao próximo. Vivemos em rede, estamos integrados, nossas ações não se dão de forma isolada, mas provocam efeitos, deixam marcas e, por isso, devemos apoiar uma educação que incentive as pessoas a deixarem marcas positivas; que forme pessoas capazes de transformar o mundo em um lugar melhor.

Mas como fazer isso? Respeitando o próximo, dando exemplos de carinho e amor, criando espaços de escuta e compreensão. Parece simples, parece natural, mas, infelizmente, ainda vemos pais batendo nos filhos, punindo, gritando; ainda vemos adultos individualistas e egoístas. Somos todos educadores e nossa responsabilidade com o mundo é contínua: ao educar crianças, estamos cuidando delas e do mundo, simultaneamente.

Lia Diskin falou em sua palestra sobre a importância do afeto: sem ele nada somos. Ele que nos guia e que nos dá forças para seguir a vida. Sem a paz, contudo, não há afeto, não há compreensão, sem a paz não conseguiremos construir um mundo mais digno e bonito de se viver.

Vamos cuidar de nossas crianças, vamos cuidar do mundo! Vamos educar para a paz!

Abaixo deixo dois vídeos que foram compartilhados por Lia durante a palestra. O primeiro nos mostra a importância de darmos bons exemplos às crianças, pois, nos primeiros anos de vida, será por meio destes exemplos que eles construirão seus valores e a base de seu comportamento.

O segundo mostra a delicadeza da vida e a importância do afeto. Quando nascemos estamos vulneráveis e, se não possuirmos alguém que cuide de nós, morremos. Isso se repete quando alcançamos a velhice, mas, durante toda a vida, o amor, a paz e o cuidado são os verdadeiros combustíveis para a sobrevivência humana.

Let’s speak english?

O mundo encolheu. Hoje, recebemos notícias em tempo real de países que estão a milhares de quilômetros do nosso. Num piscar de olhos, conseguimos chegar a lugares distantes. O intercâmbio virou uma experiência acessível e bastante comum.

Temos amigos ao redor do globo, ouvimos músicas em diferentes línguas, estamos, a todo momento, em contato com outras culturas e descobrimos que, não importa aonde, o ser humano tem a mesma essência e, por isso, consegue se comunicar por gestos e pelo olhar. Mas, para facilitar ainda mais essa integração global, foi necessário definir um idioma universal e, definiu-se, então, o inglês (por questões políticas e econômicas).

Falar inglês é falar a língua global. É ter portas abertas para qualquer oportunidade que apareça em seu caminho, é se abrir para o mundo.

learn-englishNão podemos ignorar a importância de aprender o idioma e, por isso, o papo de hoje é com Karen Sturk, uma blogueira que entendeu a necessidade de aprender a língua e criou ferramentas para facilitar o aprendizado daqueles que ainda ‘travam’ quando o assunto é em inglês.

Karen teve a oportunidade de aprender o idioma desde cedo. Aos 18 anos, já havia terminado o curso e alcançado a fluência. Assim, foi dar aulas como voluntária a crianças e adolescentes.

Durante a faculdade de Administração e o início da carreira profissional, muitas pessoas pediam dicas sobre como estudar Inglês, pois não conseguiam “evoluir” nos cursos. Essa demanda constante a fez criar, em 2008, o blog “Quero Aprender Inglês”, com dicas para quem tem interesse em aprender o idioma.

O projeto idealizado por Karen é baseado em conteúdo de autoajuda e aborda temas que circundam o universo daqueles que têm vontade de aprender, mas ainda possuem barreiras. No blog, Karen fala sobre organização, dedicação, medo e disciplina.

“Percebi que existiam muitos blogs e sites com dicas de gramática e vocabulário, porém, o que as pessoas mais sentem dificuldade é com o dia-a-dia: como se dedicar, como perder o medo, como não se influenciar pela preguiça”, afirma a blogueira.

Neste ano, Karen iniciou faculdade online de Letras para se aprofundar no tema da Educação e conseguir ajudar seus leitores de maneira mais efetiva: “O pouco que eu puder ajudar as pessoas a aprenderem inglês já será muito bom para elevar o nível de conhecimento delas e aumentar suas chances de conquistar melhores oportunidades no mercado de trabalho”.

Para saber mais e conferir as dicas da Karen, visite a fanpage do projeto no Facebook.

Crise ou oportunidade para mudança?

Hoje escrevo o meu terceiro texto para o Projeto “Ciranda de Blogs“, e o tema da vez é “gestão de crises”. Minha percepção sobre o assunto leva-me diretamente ao setor empresarial, ou seja, me faz pensar em como empresas gerenciam crises a fim de garantir/manter a percepção positiva em relação as suas marcas. Ok, essa é uma possível aborgadem (e talvez a mais difundida), mas, neste blog, pretendo dar outro olhar ao tema e, para isso, lhes convido a entender quais são os elementos que caracterizam uma crise.

Segundo estudiosos do tema, há 4 principais fatores que definem uma situação de crise, são eles: ameaça à organização; elemento surpresa; decisão de curto prazo; necessidade de mudança.

E os tipos de crise? Quais são? Podemos listar rapidamente alguns, como: desastres naturais, crise de má conduta, crise decorrente de erro de gestão, entre outras. Há também duas grandes maneiras de definir uma crise: “crise de eventos” e “crise informacional”. A primeira refere-se à ocorrências, enquanto à segunda relaciona-se à opiniões e percepções.

Martha Gabriel, pesquisadora na área de Tecnologias Digitais, afirma que uma crise pode ser compreendida como “qualquer situação que ameace causar danos a uma entidade, seus stakeholders ou público geral“.

Partindo deste entendimento e utilizando o embasamento teórico recém apresentado, sugiro discutirmos uma crise bastante atual, a qual me atrevo chamar de “crise geracional”. Trata-se de uma crise que ameaçou modelos organizacionais e que obrigou escolas, faculdades, empresas a repensarem seus modelos de atuação, forçou essas e outras entidades a traçarem novos planos e adaptarem-se às mudanças apresentadas por um novo mundo, por uma nova geração. Falo, portanto, em uma “crise de evento”, que surgiu a partir de determinadas ocorrências, que definiram uma nova realidade.

Falo de uma mudança contextual, de um mundo que deixou de ser analógico e tornou-se digital; falo de uma sociedade da informação, de um mundo em que pessoas (jovens, adultos e até idosos) estão conectados 24h; falo de um mundo em que não há mais espaço para receptores passivos, mas sim para cidadãos ativos, que recebem a informação e criticam, indagam e produzem seu próprio conteúdo. Falo de uma nova realidade, que trouxe consigo a necessidade de mudança.

Crise: como prender a atenção da geração digital?

Crise: como prender a atenção da geração digital?

As instituições de ensino, por exemplo, sempre tiveram um modelo de ensino bastante fechado, restrito aos muros da escola. Um modelo em que a comunicação era realizada em mão única: o professor falava e o aluno anotava. E, o que saia da boca do docente era, geralmente, considerado verdade absoluta. O aluno estava lá para aprender com aquela figura, considerada a única e exclusiva detendora do saber. Mas, os tempos mudaram.

Principalmente a partir dos anos 80, jovens passaram a ter maior acesso a computadores, videogames, e um pouco mais tarde, celulares. Com as novas tecnologias, os jovens começaram a assumir postura mais ativa em relação ao conteúdo que recebiam por meio dos veículos de comunicação e, principalmente com o surgimento da internet e das redes sociais, passaram a receber e produzir informações muito além dos muros da escola.

O saber deixou de estar concentrado na imagem do professor e tornou-se uma rede, percebeu-se que o “saber” está em todos os lugares, que há formas distintas de aprender e maneiras diferentes de educar.

Hoje, ao chegarem na sala de aula, os alunos já estão informados sobre os mais diversos temas, já foram expostos a informação que o professor trouxe, já têm opiniões formadas, e muitos sentem-se entediados com modelos de ensino pouco interativos, pois, lá fora, o mundo convida à interação em tempo integral. E agora? Como gerenciar essa crise, em que o modelo tradicional de ensino vê-se frente à uma inevitável necessidade de mudança?

Para Rui Canário, doutor em Ciências da Educação e professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, é preciso transformar crises em oportunidades, e, no caso especifico das instituições escolares, transformar o problema em solução.

Canário defende: “Muitos afirmam que o descaso dos alunos impede a escola de ser eficiente. Em vez de se conformar, que tal incentivar a criação de projetos que possam ser desenvolvidos pelos educandos, tratando-os como capazes de produzir e não como aprendizes que só têm a receber? É difícil não haver engajamento quando as pessoas se tornam sujeitos e atribuem um sentido positivo ao trabalho que realizam. O que parecia um obstáculo – a falta de envolvimento – virou um caminho para atingir os objetivos.”

Concordo com o pensamento de Rui e acredito que, para gerenciar estas “crises geracionais”, as  instituições de ensino devem concentrar-se em criar novos modelos de atuação, com um currículo de caráter mais interativo, que proponha atividades sob a lógica da participação e incentive o posicionamento intelectual e a produção de conteúdo do aluno. Práticas que, muitas vezes, passam pela proposta da Educomunicação.

O nosso dever no mundo

Qual legado você quer deixar para as próximas gerações?

Já parou para refletir sobre essa questão? Vivemos na inércia do presente e muitas vezes nos esquecemos de pensar sobre o nosso papel na sociedade, e mais, esquecemos de nos questionar sobre o nosso dever no mundo.

Parece que o individualismo e egoísmo tornaram-se características hegemônicas no comportamento das pessoas. Nos fechamos em nossos interesses e assim reduzimos drasticamente as possibilidades de contribuirmos para o desenvolvimento social. Não nos preocupamos com o todo, mas apenas com o nosso umbigo.

Se pensarmos que estamos no mundo de passagem, que nosso tempo de vida é ínfimo se comparado com a história da humanidade, o mínimo que podemos fazer é deixar como legado às próximas gerações algo melhor do que encontramos, afinal, nós partimos, mas o mundo fica e com ele ficam os reflexos de nossas ações em vida.

Talvez não poderemos presenciar os resultados de nossos atos, mas se trabalharmos em prol da humanidade, do meio ambiente e das coisas do mundo como um todo, poderemos ter a certeza que fizemos algo digno, que poderá refletir de forma positiva no futuro.

Vamos pensar no que já realizamos e no que ainda podemos realizar. Vivemos em sociedade, temos que ouvir os outros e reconhecer que somos parte de uma corrente; cada um dá ao mundo um pouco de si e assim, de forma colaborativa, construímos a história humana.

Nós partimos, mas a humanidade segue, o mundo segue. E, por isso, é tão essencial que nos perguntemos: Que mundo  queremos deixar para as próximas gerações?

Sugestões de leitura

  • A Condição Humana (Hannah Arendt)
  • O Cuidado com o Mundo: diálogo entre Hannha Arendt e alguns de seus contemporâneos (Sylvie Courtine-Denamy)

Para pensar as redes sociais

Imagine o mundo em que vivemos sem as redes sociais. Impossível. Simplesmente porque o mundo que conhecemos hoje se encontra imerso em uma dinâmica propiciada pela internet e, consequentemente, pelas redes sociais.

Sempre tivemos a necessidade de compartilhar, de estar em contato com outros e de pertencer a um grupo, enfim, sempre tivemos a necessidade de viver em rede. Porém, as redes sociais criadas a partir da internet nos deram outra dimensão de interação social. Nas redes sociais “cibernéticas” a necessidade de interação e compartilhamento (comum a nós desde sempre) permanece, mas a noção de tempo-espaço mudou.

Hoje interagimos com milhões de pessoas em questão de milésimos de segundos, até mesmo com pessoas que não conhecemos e que nunca vamos conhecer. Somos seres sociais, isso está em nossa essência, porém, hoje somos seres sociais, globalizados, internautas. Somos produtores de conteúdo, somos receptores. Somos um mix, que se confunde entre o espaço online e o offline.

Hoje, qualquer um pode criar sua própria página na internet e divulgar conteúdo independente, empresas têm as redes sociais como grandes aliadas e montam estratégias de marketing e comunicação em cima dessas novas ferramentas. Organizações do terceiro setor divulgam suas causas, a população se organiza e torna as redes sociais um espaço de luta e protesto.

Descobrimos, por meio da internet e das redes sociais, novas formas de fazer política, de fazer revoluções, de fazer amizades e até mesmo de fazer amor. Se isso é bom ou ruim, cabe a cada um de nós refletir e encontrar a melhor maneira de utilizar todas essas mudanças a nosso favor e a favor do grupo ao qual pertencemos.

Vamos aproveitar as mudanças, elas são parte da evolução. Mas não vamos, jamais, esquecer o passado, e substituí-lo pelo que se revela inédito. Vamos usar o Facebook, mas vamos lembrar que o mundo permanece imenso lá fora.

Para refletir!

Veja abaixo o vídeo “The World Without Facebook“, que nos traz uma dimensão do impacto causado pelo Facebook na maneira como nos comportamos e enxergamos o mundo. (em inglês)

Boas razões para aprender outras línguas

Um dos aspectos mais fascinantes em aprender outras línguas está na possibilidade de conhecer novas culturas e enriquecer a maneira como percebemos o mundo. Com certeza o olhar sobre as coisas da vida sofre mudanças quando somos capazes de irmos além de nossa língua materna.

Aprender outra língua é entregar-se às diversidades e peculiaridades do mundo, é dar a cara a bater, falar errado, repetir, insistir… É desafiar os próprios limites!

É conhecer pessoas de países e culturas distantes, trocar experiências e perceber que somos tão diferentes, mas ao mesmo tempo, humanos, e por isso, tão semelhantes.

É se surpreender, ficar encantado e, vez ou outra, querer jogar tudo pro alto (por que essa tal outra língua é muito difícil!)

A verdade é que, aprender outra língua pode ser, entre outras delícias, um caminho de liberdade.

Se você está pensando em aprender uma nova língua e não sabe por onde começar, confira a lista abaixo. O Guia do Estudante separou 10 sites que possibilitam o aprendizado online.

10 sites para aprender um novo idioma na internet (Fonte: Guia do Estudante)

O site tem versão em português – que é aperfeiçoada pelos próprios usuários – e é um dos mais conhecidos na web. É organizado, bastante didático e conta com quatro frentes de ensino: primeiro, o aluno passa por slideshow com áudio, que representa uma figura e ensina como escrevê-la e enunciá-la. Depois, o aluno revê o conteúdo aprendido. No terceiro passo, o internauta deve escrever uma redação curta sobre um tema proposto pelo site e, por fim, gravar exercícios em áudio e enviar para outros usuários comentarem. Há uma barra que marca seu progresso nos exercícios e é sempre possível fazer lições extras. Se optar pela conta premium, que é paga, o aluno pode se tornar um professor no Livemocha.

O site é em inglês e investe bastante no conceito de rede social: é possível adicionar amigos, enviar mensagens ou chamar usuários para o “Busuu Talk”, um comunicador instantâneo do próprio site. O aviso sonoro de que alguém está chamando você para conversar pode ser irritante, mas o conceito é legal: na janela de conversa, aparece ao lado uma lista com verbetes de ajuda. Há também uma opção de videochat.

Investe na ideia de ter um “parceiro de línguas”: você escolhe alguém para trocar informações e se ajudar mutuamente. Há grupos de discussão, fóruns e murais de recado e wikis. Para os professores natos, uma boa notícia: você pode se candidatar a uma vaga no site e ganhar dinheiro ensinando pela internet.

Oferece cursos de francês, alemão, italiano e espanhol. O site fica disponível tanto em inglês quanto na língua que você está aprendendo. O registro é rápido e trabalha com sistema de pontuação. Você tem duas chances para acertar um exercício, ou o site completa a resposta para você. Há um sistema de busca especial no site que traduz qualquer palavra (nesses idiomas) automaticamente. Há também a opção de adicionar amigos, enviar mensagens e consultar o perfil dos usuários. O site encoraja a postagem de fotos e o desenvolvimento de relações entre os usuários.



Assim como o Busuu, o Palabea possui um comunicador instantâneo próprio. Parece bastante uma rede social e permite o upload de fotos e vídeos. A troca de idiomas se dá por aulas gravadas, fotos e podcasts, e o usuário pode carregar documentos com exercícios. O site possui um espaço para novidades e eventos, conta com fóruns de discussão e grupos de estudo, além de um mapa que aponta quantos usuários do site moram em cada país. Há também um ranking para os professores mais populares e um termômetro de humor.

Inusitado, o site é voltado para estudantes de esperanto e é totalmente em português. Há várias páginas de texto explicando a origem da língua e o internauta tem a opção de receber uma palavra por dia em esperanto por e-mail. Não há muita interatividade entre os usuários, embora seja possível enviar cartões ilustrados para amigos no site. Há também jogos em flash, planos de estudo, exames de nível e concursos.

Em português, o site funciona a base de posts dos membros do site. Você pode corrigir as frases de outros usuários e dar dicas. O site também possui um sistema de pontuação: tanto as correções quanto os agradecimentos são contabilizados em um ranking de usuários.

Boa parte do conteúdo mais interessante do Smart.fm está disponível apenas para contas pagas, mas é possível utilizar o sistema de listas, criadas pelos próprios usuários do site, que estimula a participação e a troca de conversa entre os usuários. Quem opta pela conta premium tem direito aos aplicativos iKnow!, Dictation e BrainSpeed, que oferecem exercícios diversos e numerosos, dependendo do nível do idioma aprendido. O site também conta com podcasts e serviços pelo celular.

O serviço também é pago, mas é possível utilizar a versão de teste. O site oferece grande quantidade de aulas, a maioria delas em áudio. Você pode comprar o curso que lhe interessa mais e fazer os exercícios quando quiser.

O site se concentra em grupos de discussão sobre temas diversos, que vão desde o aprendizado do idioma em sua forma pura – é possível fazer uma busca pela ênfase que você pretende aprender do idioma – até temas diversos como cultura e meio ambiente. Os alunos gravam mensagens em áudio e enviam para o grupo, como se estivessem em um podcast sobre o tema. É possível transcrever o que foi dito e acrescentar ao áudio. Há também grupos de leitura e interpretação de textos.

No Twitter: Aprendendo um idioma em 140 toques 

Se você realmente quiser mergulhar no mundo dos idiomas, que tal seguí-los no Twitter? O @linguicke o @ikll são para os apaixonados por linguagem, não importa qual seja; já o @learnkanji é destinado a quem sempre quis saber japonês. Há também o @learnspanish@learnenglish_bc e o@frenchlanguage para quem deseja receber doses diárias da sua língua de estudo no Twitter.

Agora não tem mais desculpa: clique no mouse e vá estudar!