Experiências perdidas

Ontem conheci uma garota muito simpática. Entre um assunto e outro, ela me contou que fora professora durante alguns anos em uma escola voltada à classe alta (super alta! muito alta!) de São Paulo. Com uma mensalidade ‘salgada’, a escola atende famílias de milionários paulistanos. Até aí, nada tão problemático, mas, quando o excesso de dinheiro vem acompanhado do excesso de ignorância e ausência de criticidade, questões graves podem surgir. Muitas destas famílias parecem mergulhar a fundo na lógica do consumo, defendendo e perpetuando valores supérfluos, que reafirmam comportamentos preconceituosos, excludentes e pouco acolhedores.

A própria escolha pela escola dos filhos parece estar baseada na lógica do consumo. A instituição de ensino da qual falamos tornou-se um status importante entre os milionários de São Paulo e, colocar os filhos ali tem um peso simbólico considerável. Em entrevistas com diretoras, parece que são poucos os pais que indagam sobre o Projeto Pedagógico adotado pela escola, mas todos afirmam “meu filho tem que estudar aqui”.

Não pretendo criticar ou discutir o projeto da escola, até porque não o conheço em profundidade. Quero pensar sobre os ambientes pelos quais essas crianças circulam. Os relatos que ouvi me assustaram. Tive a impressão de serem ambientes que tendem a marginalizar e transfigurar valores importantes ao desenvolvimento humano, como a empatia e a tolerância, e impor enormes barreiras para que essas crianças e jovens experimentem o mundo livremente, a partir das diferentes interações com seu entorno.

picjumbo.com_IMG_5498Algumas crianças dessa escola, por exemplo, são proibidas (pelos pais) de estabelecer contatos próximos com aqueles que não pertencem a sua classe social. Tomei conhecimento da história de um casal que proibia a filha de 4 anos a entrar na cozinha da própria casa e estabelecer qualquer contato com os empregados. Meu coração partiu nesse momento. Foi ai que eu entendi como o dinheiro, somado à ignorância, pode privar crianças a experimentarem o mundo e todas as suas surpresas, belezas e diversidade. O dinheiro, somado a valores mesquinhos, pode ser tão grave quanto a falta dele.

Privar uma criança de entrar na cozinha da própria casa? O que sustenta esta regra? Proibir que conheça seu próprio lar, que aprenda como é feito o alimento que consome todos os dias, que conheça quem está fazendo a sua comida e que possa fazer junto… Impedir que descubra texturas, sabores e cheiros, que conheça o processo de preparação do alimento, até que ele chegue ao prato. Quantas privações, quantas experiências perdidas! E por quais motivos?

A mesma reflexão cabe à proibição do contato com os empregados da casa. Uma escolha insustentável, que perpetua uma lógica excludente, limitando e empobrecendo o mundo e as experiências da criança. A troca e a convivência entre os seres humanos – principalmente entre aqueles que dividem o mesmo espaço – deve ser algo natural e saudável, capaz de trazer inúmeros aprendizados, como o desenvolvimento da empatia e da capacidade de negociação.

Muitos pais, ao impedirem essas vivências, ferem a infância dos filhos com seus valores invertidos e equivocados. As crianças, vítimas destes contextos, tendem a reproduzir as falas e os comportamentos dos pais, assumindo-os como verdades, e correm o grave risco de tornarem-se adultos egoístas, preconceituosos e consumistas. É preciso cuidar dessas crianças, preservar suas infâncias e seus futuros!

Essa situação me fez reviver uma experiência de anos atrás. Eu estava na casa de uma amiga cuja família é muito rica. Muitas coisas na dinâmica daquela casa me chamavam a atenção; uma delas era o fato de ter um interfone no quarto, que tocava diretamente na cozinha. Bastava tirar o telefone do gancho, pedir um suco e, em poucos minutos, o pedido estava lá (sim, parecia mais um hotel!). Mas o que me chocou profundamente foi a fala da irmã da minha amiga. Ela se aproximou de mim e perguntou: “Você sabe qual carro o meu pai tem?” Eu respondi: “Não”. E ela retrucou: “Uma Mercedes”. Essa menina tinha por volta de 5 anos. Eu também era criança na época, devia ter 12 anos. Quando ouvi aquilo fiquei sem reação e, depois de muito tempo, entendi que, naquele momento, eu senti compaixão. Como uma criança, com aquela idade, poderia estar com essa narrativa? Algo muito errado estava acontecendo ao seu redor.

E tive novamente essa sensação durante a conversa de ontem.

Mães que, após darem a luz ‘colocam peito’, minicomputadores como lembrancinhas em festas infantis, bullying com aqueles que não possuem avião ou casa fora do país; ‘andar de ônibus’? ‘fazer a própria comida’? – Fatos e perguntas que fazem parte da realidade dessas crianças e que contribuem para o seu desenvolvimento como ser humano. E, que ser humano será esse? O excesso parece causar esvaziamentos profundos e não podemos permitir que esse processo afete a infância, fase tão importante na construção daquilo que seremos no e para o mundo.

Precisamos de pessoas inteiras, que sejam tolerantes, amigáveis, compreensivas e transformadoras. Ambientes com tantas cercas e dogmas, com certeza não são os mais saudáveis para o desenvolvimento pleno de nossas crianças.

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A escola como espaço para o exercício da criatividade

A capacidade de criar mora em todos nós. A complexidade do cérebro humano nos permite refletir sobre o que nos toca e transformar o meio em que vivemos; somos capazes de criar soluções inovadoras às questões que nos circundam.  Possuímos uma inteligência criativa, que manifesta-se de forma nítida durante os processos de aprendizagem e pode ser vista, como essência do humano, no comportamento das crianças.

As crianças, em sua relação com o mundo, são extremamente imaginativas. Estão, a todo o momento, criando e recriando. Suas falas e perguntas são instigantes; elas saem do senso comum, pegam os adultos de surpresa, trazem reflexões que só podem existir quando há espaço para se expressar livremente, sem amarras ou julgamentos.

A criança nos ensina que para explorar a capacidade criativa é preciso estar livre de pré-conceitos, respeitar o próprio tempo e estar aberto àquilo que o mundo tem a oferecer. Para criar, precisamos nos encantar com o que nos cerca e ter espaço para escutar aquilo que, de mais profundo, vive em nós e, claro, espaço para que possamos manifestar a nossa criatividade.

O processo criativo exige flexibilidade, disponibilidade, paciência, entrega e escuta e, quando valorizado e colocado em prática, nos dá autonomia e autoconfiança, aspectos fundamentais ao desenvolvimento e autoconhecimento. A criação nos empondera perante o mundo e nos torna autores e, por isso, deve ser um exercício constante, em todas as fases da vida, em todos os momentos e situações.

Para uma criança, é mais fácil trazer a criatividade para o dia a dia, pois existe maior liberdade em relação às amarras sociais. Já o adulto está tomado pelos estereótipos sociais e pelos julgamentos morais; vive de acordo com aquilo que a sociedade espera, muitas vezes sem respeitar seu próprio tempo, ou questionar-se se é possível fazer diferente.

Sim, a sociedade – e as instituições – nos moldam e, exatamente por isso, precisamos exercitar nossa criatividade: para inovar o dia a dia e não só, mas a vida em sociedade e as instituições que a regem. Precisamos, portanto, educar nossas crianças para que possam ser agentes autônomos, de transformação.

Educar, contudo, é um desafio inquestionável. O educador deve apresentar o mundo à criança e o mundo, como sabemos, tem algumas regras. Assim, nos perguntamos: como educar sem impor as amarras sociais, já tão assimiladas por nós, adultos?

Ao educar, precisamos lembrar que a educação deve ser libertadora e valorizar a autonomia e a criatividade da criança. É preciso tempo, escuta, delicadeza. A escola – e demais ambientes de convívio da criança – deve proporcionar esse acolhimento, pois assim estará cuidando do desenvolvimento integral do aluno e possibilitando espaços para a expressão da criatividade.

Mas, por que a criatividade é tão importante? Pois nela vive o potencial transformador do ser humano.

Escola como espaço para exercício da criatividade

Para a psicóloga Regina Drumond, o ambiente é um elemento chave no processo de despertar e fazer aflorar o potencial criativo de todo o ser humano, assim, escolas pouco flexíveis, com programações rígidas, professores autoritários, salas de aula fechadas não soam como um ambiente acolhedor, que incentive a criatividade.

É preciso repensar o modelo tradicional de ensino e dar aos alunos a possibilidade de aprendizagem pela experiência, além de espaço para construírem obras das quais serão autores.

Sim. A criatividade é vital; sem ela não nos desenvolvemos, nem como indivíduos nem como sociedade. Se criarmos uma cultura que valorize o processo criativo dentro das instituições de ensino, poderemos fazer a diferença no mundo; tornando estas crianças e jovens protagonistas de suas vidas e escolhas e capazes de transformar suas comunidades em lugares mais amigáveis e justos.

Referência:

Este texto foi escrito para o Blog WPensar, parceiro do Educomunicação.

Parceria Educomunicação+WPensar

criança-criatividadeAcreditamos que trabalhar em rede é essencial. Pessoas que compartilham valores comuns podem e devem pensar juntas. Por isso, selamos uma parceria com o Blog WPensar, canal para disseminação de informações voltado a educadores.

Estamos certos que parcerias como essa enriquecem a reflexão sobre o modelo educacional que queremos e possibilitam o alcance de resultados com maior impacto.

A cada 20 dias, iremos publicar textos na página do WPensar, com o objetivo de possibilitar reflexão sobre os diversos temas que tangem a educação e o desenvolvimento da criança, seja no ambiente escolar, ou fora dele.

Nosso texto de estreia já está no ar!

O tema escolhido discorre sobre a importância da criatividade para o desenvolvimento da criança e lança a pergunta: como educar de forma libertadora, livre das amarras sociais, já tão presentes na vida dos adultos? O desafio é grande e a reflexão, extremamente necessária! LEIA NA ÍNTEGRA!

Como divulgar a sua escola nas redes sociais?

midias-sociais-escolaA escola do seu filho está presente nas mídias sociais? Pois é. Muitas escolas já estão fazendo uso dessas novas mídias para entrar em contato com seus diferentes públicos: alunos, pais, professores, fornecedores, entre outros.

É fundamental que a instituição mantenha um diálogo constante e transparente com todos aqueles que fazem parte de sua comunidade e, nesse sentido, as mídias sociais mostram-se como um canal de comunicação estratégico, capaz de trazer bons frutos se administradas com responsabilidade e profissionalismo.

Além disso, as mídias sociais também podem ser utilizadas como espaços para a promoção de discussões ligadas à educação; servir, por exemplo, como fórum de debates que envolvam todos os públicos da escola.

O blog WPensar, nosso parceiro, propôs uma discussão sobre o tema. Para ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

As férias chegaram: e agora?

As férias chegaram! Nesta época do ano, muitos pais se perguntam como administrar o tempo livre das crianças: quais atividades, programas e brincadeiras podem ser feitas para aproveitar ao máximo esse período?

Existem muitas opções, que podem ser facilmente encontradas na internet, por exemplo. A ideia aqui não é discutir se o melhor é optar por um acampamento, piquenique ou ateliê, mas sim propor uma reflexão sobre o que as férias significam dentro do processo de aprendizagem da criança e, sob essa perspectiva, pensar em como conduzir esse período de uma forma que seja proveitosa tanto aos filhos, como aos pais.

ferias-escolaresA escola, compreendida como o lugar legitimo de aprendizagem, oferece tempo e conhecimento recortados, proporcionando apenas parte da experiência da aprendizagem. Existem diversos outros espaços que contribuem para o desenvolvimento cognitivo da criança, como a família, a mídia, aulas de música, dança, a relação com a natureza e com outras crianças; enfim, são muitas as instâncias que quebram o processo de aprendizagem centrado na figura da escola.

Sob este ponto de vista, as férias surgem como um importante período para aprofundar experiências e atividades extracurriculares e, independentemente da programação escolhida, trata-se de uma oportunidade para enriquecer as vivências da criança, colocando-a em contato com outros sujeitos que não os professores de seu dia-a-dia, apresentando outras linguagens que não, necessariamente, aquelas contempladas no currículo formal.

O horizonte formativo é imenso e, por isso, não apenas nas férias, mas também paralelamente ao período letivo, é importante proporcionar aos pequenos experiências ricas, que abranjam diferentes temas, linguagens, sujeitos e espaços. Isso estimulará as múltiplas potencialidades da criança, favorecendo um desenvolvimento pleno e saudável.

Ah! Vale lembrar que, apesar de ser uma época repleta de atividades, é fundamental deixar as crianças descansarem: deixar que curtam o ócio. Isso permitirá que elas façam suas próprias escolhas, dentro de seu próprio tempo. E curtir o ócio não vale apenas para as férias, mas ao longo de todo o ano também.

Boas férias a todos!

A escola no espaço digital

children-technologyNo contexto em que vivemos, é tarefa quase impossível ignorar a influência da tecnologia em nossas vidas. Seja no trabalho, na vida pessoal, na escola: a tecnologia está conosco a todo o momento. É verdade que precisamos ponderar e aprender a lidar com ela, sabendo aproveitar seus beneficios e driblar seus riscos.

Para as escolas, a tecnologia auxilia não apenas didaticamente, em sala de aula, mas também para a gestão da instituição. Muitos gestores, porém, ainda não estão abertos às soluções digitais, que podem facilitar o relacionamento com pais, estudantes e demais públicos estratégicos.

Foi pensando nisso que o Blog Wpensar, novo parceiro do Educomunicação, fez o post “A escola no espaço digital”. O texto traz uma relação de todos os benefícios que a tecnologia pode trazer aos gestores de instituições de ensino.

Confira!

Dica de leitura: para um ano repleto de inspiração!

“De modo suave, você pode sacudir o mundo.” Mahatma Gandhi

Reclamamos, constantemente, da qualidade da educação pública de nosso país. Sim, ela deixa a desejar! Sim, ela deve ser prioridade do governo! Sim, é preciso investir pesado em educação! Só assim poderemos construir um país de pessoas críticas e engajadas, um país que encontre em seu povo o combustível para as mudanças que se mostram necessárias. Educação é a base de tudo e, sem ela, ficamos imóveis, surdos, cegos. Ficamos vulneráveis.

Meus pais sempre me proporcionaram educação de qualidade. Valorizo todas as oportunidades que tive ao longo de minha vida e que me deram a chance de me tornar uma pessoa crítica e independente; que me ofereceram ferramentas para que eu exercesse a minha cidadania da melhor forma possível. Por meio da educação, fui presenteada com o dom da leitura, da escrita e pude ampliar meus horizontes para além de meu pequeno mundo. “Fui privilegiada” e, é neste momento, que aparece a palavra motivadora do presente texto: privilégio.

Em muitos países, inclusive no Brasil, ter acesso à uma educação de qualidade é visto como “privilégio”. Grande absurdo!

Educação não é – e jamais deveria ser – privilégio, já que é direito básico de todo e qualquer cidadão. É por meio da educação que aprendemos sobre o mundo e sobre nós mesmos, ela que nos abre caminhos para construirmos a nossa história e, o mais importante, ela nos liberta! Tamanha é a liberdade provinda da educação que chega até mesmo a provocar arrepios em alguns grupos ou sistemas, que acreditam que, ao educarem seus povos, terão seu poder comprometido.

Com educação adquire-se conhecimento, ainda a melhor arma para vencer toda e qualquer batalha. Ao serem educadas, as pessoas passam a questionar o que as rodeia e entendem que se não estão satisfeitas, possuem liberdade e conhecimento para mudar toda e qualquer situação. Para um grupo como o Talibã, por exemplo, a força de uma mente questionadora significa ameaça das mais perigosas.

Mas, por que o Talibã? Porque, recentemente, li a incrível história da menina paquistanesa Malala Yousafzai e conheci uma nova realidade, contada sob os olhos de uma criança que queria apenas estudar e, por desejar isso em um território dominado por muçulmanos extremistas, foi baleada a queima roupa enquanto voltava da escola com suas amigas.

Malala YousafzaiComo todos sabem, Malala não morreu nesse atentado e sua luta pela educação ficou ainda mais poderosa, atingindo uma escala global. Hoje ela é símbolo da luta pela educação e foi a pessoa mais jovem da história a ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Uma inspiração e tanto.

O que mais me emociona é a paixão da menina pela causa da educação. Os Talibãs acreditam que mulheres não devem receber educação e, após assumirem poder no Afeganistão e Paquistão, passaram a explodir escolas de meninas e ameaçar aquelas que mostravam-se resistentes à ordem imposta. Malala sempre fez parte dessa resistência, e não teve medo de impor sua voz frente às atrocidades comandadas pelos radicais islâmicos.

Seu pai era dono de escola e sempre foi um grande ativista da causa, além de se envolver fortemente com política e defesa de direitos do povo paquistanês. O engajamento e comprometimento social do pai fez com que Malala, desde muito jovem, desejasse trabalhar pelo bem comum. Junto ao pai, ela se envolveu em debates de educação, ganhou diversos prêmios e se tornou conhecida por sua militância. Em uma sociedade em que “liberdade” era palavra desconhecida, ela se arriscou. Qual sentido havia naquilo tudo? Como um grupo de militantes extremistas poderia impedi-la de estudar?

Malala mostrou o rosto e expôs seus ideais a todos. Foi firme em sua decisão de não abandonar os estudos, mesmo sob ameaça constante dos Talibãs. A paz de sua pequena aldeia, localizada no Vale do Swat (norte do Paquistão), havia terminado, mas Malala jamais perdeu a coragem e perseverança. Aos 15 anos, já era reconhecida internacionalmente pela sua luta incansável para defender o direito à educação de meninas.

Em decorrência de sua luta, entrou na mira do Talibã e, em outubro de 2012, quando voltava da escola com suas amigas, foi covardemente atingida por um radical islâmico. O militante acertou a cabeça de Malala; uma cabeça pensante, cheia de ideias e protestos; uma mente questionadora e curiosa, que possuía todas as armas para mudar o mundo. A bala entrou no canto esquerdo do rosto da menina, mas não a matou. Ao invés disso a tornou um símbolo mundial da luta pela educação e comprovou a força que existe nos livros e na curiosidade de aprender. Uma bala pode matar, mas o conhecimento pode mudar o mundo e ser mais forte que toda e qualquer arma de fogo.

Eu já era fã, mas depois de ler “Eu sou Malala” me tornei seguidora de todos os valores e princípios dessa menina incrível, que mesmo em um país cercado de mortes, violência e fogo, manteve a suavidade e acreditou numa revolução liderada por canetas, livros, alunos e professores. Terminei de ler no dia 2/01 e garanto: meu ano começou repleto de inspiração! A leitura é intrigante e perturbadora, ingênua e sensível, digna de arrancar lágrimas dos olhos do mais duro entre os homens.

Fica a minha dica de leitura.

OBS. Malala recebeu apoio dos mais diversos países, tanto para realizar seu tratamento, como para dar continuidade à sua luta. Em 2013 foi criado o Fundo Malala, que busca garantir a educação de meninas ao redor do Globo. Conheça o projeto.

Veja abaixo o discurso que Malala fez na ONU, no dia em que completou 16 anos.

Crise ou oportunidade para mudança?

Hoje escrevo o meu terceiro texto para o Projeto “Ciranda de Blogs“, e o tema da vez é “gestão de crises”. Minha percepção sobre o assunto leva-me diretamente ao setor empresarial, ou seja, me faz pensar em como empresas gerenciam crises a fim de garantir/manter a percepção positiva em relação as suas marcas. Ok, essa é uma possível aborgadem (e talvez a mais difundida), mas, neste blog, pretendo dar outro olhar ao tema e, para isso, lhes convido a entender quais são os elementos que caracterizam uma crise.

Segundo estudiosos do tema, há 4 principais fatores que definem uma situação de crise, são eles: ameaça à organização; elemento surpresa; decisão de curto prazo; necessidade de mudança.

E os tipos de crise? Quais são? Podemos listar rapidamente alguns, como: desastres naturais, crise de má conduta, crise decorrente de erro de gestão, entre outras. Há também duas grandes maneiras de definir uma crise: “crise de eventos” e “crise informacional”. A primeira refere-se à ocorrências, enquanto à segunda relaciona-se à opiniões e percepções.

Martha Gabriel, pesquisadora na área de Tecnologias Digitais, afirma que uma crise pode ser compreendida como “qualquer situação que ameace causar danos a uma entidade, seus stakeholders ou público geral“.

Partindo deste entendimento e utilizando o embasamento teórico recém apresentado, sugiro discutirmos uma crise bastante atual, a qual me atrevo chamar de “crise geracional”. Trata-se de uma crise que ameaçou modelos organizacionais e que obrigou escolas, faculdades, empresas a repensarem seus modelos de atuação, forçou essas e outras entidades a traçarem novos planos e adaptarem-se às mudanças apresentadas por um novo mundo, por uma nova geração. Falo, portanto, em uma “crise de evento”, que surgiu a partir de determinadas ocorrências, que definiram uma nova realidade.

Falo de uma mudança contextual, de um mundo que deixou de ser analógico e tornou-se digital; falo de uma sociedade da informação, de um mundo em que pessoas (jovens, adultos e até idosos) estão conectados 24h; falo de um mundo em que não há mais espaço para receptores passivos, mas sim para cidadãos ativos, que recebem a informação e criticam, indagam e produzem seu próprio conteúdo. Falo de uma nova realidade, que trouxe consigo a necessidade de mudança.

Crise: como prender a atenção da geração digital?

Crise: como prender a atenção da geração digital?

As instituições de ensino, por exemplo, sempre tiveram um modelo de ensino bastante fechado, restrito aos muros da escola. Um modelo em que a comunicação era realizada em mão única: o professor falava e o aluno anotava. E, o que saia da boca do docente era, geralmente, considerado verdade absoluta. O aluno estava lá para aprender com aquela figura, considerada a única e exclusiva detendora do saber. Mas, os tempos mudaram.

Principalmente a partir dos anos 80, jovens passaram a ter maior acesso a computadores, videogames, e um pouco mais tarde, celulares. Com as novas tecnologias, os jovens começaram a assumir postura mais ativa em relação ao conteúdo que recebiam por meio dos veículos de comunicação e, principalmente com o surgimento da internet e das redes sociais, passaram a receber e produzir informações muito além dos muros da escola.

O saber deixou de estar concentrado na imagem do professor e tornou-se uma rede, percebeu-se que o “saber” está em todos os lugares, que há formas distintas de aprender e maneiras diferentes de educar.

Hoje, ao chegarem na sala de aula, os alunos já estão informados sobre os mais diversos temas, já foram expostos a informação que o professor trouxe, já têm opiniões formadas, e muitos sentem-se entediados com modelos de ensino pouco interativos, pois, lá fora, o mundo convida à interação em tempo integral. E agora? Como gerenciar essa crise, em que o modelo tradicional de ensino vê-se frente à uma inevitável necessidade de mudança?

Para Rui Canário, doutor em Ciências da Educação e professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, é preciso transformar crises em oportunidades, e, no caso especifico das instituições escolares, transformar o problema em solução.

Canário defende: “Muitos afirmam que o descaso dos alunos impede a escola de ser eficiente. Em vez de se conformar, que tal incentivar a criação de projetos que possam ser desenvolvidos pelos educandos, tratando-os como capazes de produzir e não como aprendizes que só têm a receber? É difícil não haver engajamento quando as pessoas se tornam sujeitos e atribuem um sentido positivo ao trabalho que realizam. O que parecia um obstáculo – a falta de envolvimento – virou um caminho para atingir os objetivos.”

Concordo com o pensamento de Rui e acredito que, para gerenciar estas “crises geracionais”, as  instituições de ensino devem concentrar-se em criar novos modelos de atuação, com um currículo de caráter mais interativo, que proponha atividades sob a lógica da participação e incentive o posicionamento intelectual e a produção de conteúdo do aluno. Práticas que, muitas vezes, passam pela proposta da Educomunicação.

O uso de games na educação

O momento de lazer das crianças pode ser um grande alíado da educação. Estudiosos têm, cada vez mais, alertado pais e professores sobre a necessidade de se pensar atividades do dia a dia como potenciais abordagens para o processo de aprendizagem.

Percebemos que as crianças usam tecnologias com maior frequência quando estão fora da escola – isso poderia ser explorado sob a lógica do “home-style learning” – ou seja, aprender a partir das interações em casa, que, muitas vezes, chegam a ser mais espontâneas do que certas atividades propostas e desenvolvidas na escola.

Dentre as atividades de lazer que poderiam ser exploradas na educação, temos os games. Crianças e jovens utilizam jogos de computadores com grande frequencia e essa interação torna-se, inevitavelmente, parte do processo de aprendizagem.

Certos tipos de jogos – e deixemos de lado os violentos – envolvem uma série de atividades cognitivas: memória, estratégia, previsões, resolução de problemas e construção de hipóteses. O aprendizado, nesse caso, é adquirido por meio da experiência – “learning by doing“, o que é extremamente vantajoso, pois proporciona ao jovem senso de autonomia e autoconhecimento – ao invés de seguir instruções pré determinadas, ele explora, descobre, experimenta e desenvolve a sua própria maneira de interagir com o game.

Esse processo pode ser extremamente produtivo, mas os games, vez ou outra, carregam consigo conteúdos inapropriados para determinadas idades – e isso deve ser “fiscalizado” pelos pais. Comprar games violentos, por exemplo, contribuirá para a construção de um olhar e comportamento nem sempre positivos. A cognição, nesse caso, será explorada a partir de aspectos que podem prejudicar o desenvolvimento do jovem e de sua interação em sociedade.

Existem, porém, games extremamente interessantes, que exploram conteúdos educativos de forma interativa e lúdica. A criança pode, por exemplo, aprender a contar, ser introduzida ao alfabeto e ainda desenvolver a capacidade de pensar estrategicamente, criando hipóteses e soluções para problemas e barreiras que geralmente aparecem nos jogos.

Tomando o devido cuidado, games podem ser extremamente úteis para atividades pedagógicas.

Veja abaixo links que tratam sobre o tema:

Novas práticas na educação: o uso de jogos digitais para fortalecer a aprendizagem

Preconceito é o principal adversário dos games na educação

Games em educação: como os nativos digitais aprendem

João Mattar e o uso dos games apoiando a educação

Professores precisam interagir com jogos

A escola, o video game e o prazer

Games em educação

Escola Games

 

A Música na Escola

Não é a primeira vez que o tema “música” aparece nesse blog. Faço parte do time que acredita que educação e música andam juntas e por isso, sempre que descubro novos projetos nessa área não deixo de divulgá-los por aqui.

Há pouco tomei conhecimento do Projeto “A Música na Escola” e ao ler a proposta achei extremamente válida e digna de ser compartilhada!

Aos que não sabem, há uma lei que torna obrigatório o ensino musical em escolas do ensino básico. Em resposta à essa lei, o projeto oferece aos professores material de consulta e reflexão sobre o ensino da música em sala de aula.

Trata-se de um conteúdo programático extremamente rico: textos inéditos sobre o tema, sugestões práticas de exercícios em sala de aula e dinâmicas e processos a serem aplicados no dia a dia.

Todas as dicas e sugestões levam em conta os diferentes contextos e realidades de nosso país, o que torna o material útil tanto para escolas públicas, como para escolas particulares e possível de ser utilizado com alunos de diferentes idades e regiões. Enfim, trata-se de um material extremamente funcional e aplicável em diferentes contextos.

Para conhecer os idealizadores do projeto e saber mais a respeito da proposta, clique aqui.

Aproveite também para curtir a página do projeto no Facebook! Lá você receberá atualizações em tempo real sobre as novidades e ações do grupo!