Curso de Formação em Educomunicação

Tem interesse em aprofundar o seu entendimento sobre Educomunicação? A oportunidade está logo aqui!

Anualmente, o Instituto Gens, em parceria com o Projeto Cala-boca já morreu, oferece um curso de Educomunicação no formato de imersão. Neste ano, será realizado o módulo “Rádio”.

O curso acontecerá nos dias 15 a 19 de outubro, na casa do Projeto Cala-boca já morreu, localizada em São Paulo, na Rua Henrique Schaumann, nº 125 (Pinheiros).

Visite http://www.educomunicacao.org.br para ver todas as informações sobre o curso: programação, pessoas que ministrarão e o valor.

IMPORTANTE: as inscrições vão até o dia 10 de outubro!

divulgação

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Ilha do Mel ganha projeto com ‘pegada’ Educomunicativa

Se você ainda não conhece o Programa Cultura Viva – iniciativa do Ministério da Cultura – vale a pena conhecer!

O Programa, cuja essência encontra-se intimamente atrelada à lógica da educomunicação, busca identificar ‘pontos de cultura’ pelo Brasil a fim de valorizar e apoiar a ação cultural de grupos atuantes nas comunidades, reconhecendo o protagonismo dos cidadãos e cidadãs e ampliando o acesso aos meios de produção, circulação e fruição de bens e serviços culturais.

Entre 2004 e 2012, foram beneficiados 3.662 pontos de cultura em todo o país.

ilha-do-melO Ponto de Cultura que vamos destacar neste post fica na Ilha do Mel (PR). O Projeto ‘Cultura Viva da Ilha do Mel’ realiza ações para valorizar a cultura caiçara e divulgar produtos criados por moradores da Ilha.  

São realizadas oficinas de teatro, fotografia, música e, assim, a comunidade apodera-se do espaço e da cultura da ilha, fortalecendo seu protagonismo e construindo novas práticas culturais.

No mês passado, por exemplo, Paranaguá (Município onde está localizada a Ilha) recebeu a exposição fotográfica “Pelo olhar da Ilha do Mel”, resultado de oficinas realizadas com crianças e adolescentes da região.

“Usamos a metodologia da educomunicação, que mistura educação, comunicação e cultura. Realizamos práticas fotográficas com câmeras digitais e também com câmeras artesanais, produzidas por eles mesmos, com latas”, afirma Adriana Marques Canha, coordenadora do projeto.

Veja abaixo as diferentes vertentes da iniciativa e entenda como são articuladas as atividades.

Valorização da identidade cultural – de forma construtiva, orientadores refletem com os moradores sobre o meio-ambiente e sua história. Os artistas locais têm novas possibilidades para articular e transmitir seus processos criativos. Valorizar a identidade cultural por meio da linguagem artística é uma forma de resgatar raízes muitas vezes esquecidas.

Potencialização das expressões culturais – o teatro e as artes visuais são usados para estimular a linguagem artística na comunidade. Os espetáculos teatrais materializam eventos históricos e a riqueza folclórica, trazendo para o presente a memória que pode ser vista, ouvida e tocada. Agentes multiplicadores locais também estimulam a prática artística e pedagógica, pela liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, a arte e seus saberes.

Difusão cultural – a partir de oficinas de inclusão digital, audiovisual, fotografia e comunicação popular — jornalismo comunitário e rádio –, a comunidade aprende a usar equipamentos multimídia para realizar seus produtos culturais e registrar seu conhecimento tradicional. Pode assim difundir tudo através da internet e de outros meios de comunicação, além de arquivar tudo o que foi produzido.

Para saber mais, visite culturailhadomel.wordpress.com

Crise ou oportunidade para mudança?

Hoje escrevo o meu terceiro texto para o Projeto “Ciranda de Blogs“, e o tema da vez é “gestão de crises”. Minha percepção sobre o assunto leva-me diretamente ao setor empresarial, ou seja, me faz pensar em como empresas gerenciam crises a fim de garantir/manter a percepção positiva em relação as suas marcas. Ok, essa é uma possível aborgadem (e talvez a mais difundida), mas, neste blog, pretendo dar outro olhar ao tema e, para isso, lhes convido a entender quais são os elementos que caracterizam uma crise.

Segundo estudiosos do tema, há 4 principais fatores que definem uma situação de crise, são eles: ameaça à organização; elemento surpresa; decisão de curto prazo; necessidade de mudança.

E os tipos de crise? Quais são? Podemos listar rapidamente alguns, como: desastres naturais, crise de má conduta, crise decorrente de erro de gestão, entre outras. Há também duas grandes maneiras de definir uma crise: “crise de eventos” e “crise informacional”. A primeira refere-se à ocorrências, enquanto à segunda relaciona-se à opiniões e percepções.

Martha Gabriel, pesquisadora na área de Tecnologias Digitais, afirma que uma crise pode ser compreendida como “qualquer situação que ameace causar danos a uma entidade, seus stakeholders ou público geral“.

Partindo deste entendimento e utilizando o embasamento teórico recém apresentado, sugiro discutirmos uma crise bastante atual, a qual me atrevo chamar de “crise geracional”. Trata-se de uma crise que ameaçou modelos organizacionais e que obrigou escolas, faculdades, empresas a repensarem seus modelos de atuação, forçou essas e outras entidades a traçarem novos planos e adaptarem-se às mudanças apresentadas por um novo mundo, por uma nova geração. Falo, portanto, em uma “crise de evento”, que surgiu a partir de determinadas ocorrências, que definiram uma nova realidade.

Falo de uma mudança contextual, de um mundo que deixou de ser analógico e tornou-se digital; falo de uma sociedade da informação, de um mundo em que pessoas (jovens, adultos e até idosos) estão conectados 24h; falo de um mundo em que não há mais espaço para receptores passivos, mas sim para cidadãos ativos, que recebem a informação e criticam, indagam e produzem seu próprio conteúdo. Falo de uma nova realidade, que trouxe consigo a necessidade de mudança.

Crise: como prender a atenção da geração digital?

Crise: como prender a atenção da geração digital?

As instituições de ensino, por exemplo, sempre tiveram um modelo de ensino bastante fechado, restrito aos muros da escola. Um modelo em que a comunicação era realizada em mão única: o professor falava e o aluno anotava. E, o que saia da boca do docente era, geralmente, considerado verdade absoluta. O aluno estava lá para aprender com aquela figura, considerada a única e exclusiva detendora do saber. Mas, os tempos mudaram.

Principalmente a partir dos anos 80, jovens passaram a ter maior acesso a computadores, videogames, e um pouco mais tarde, celulares. Com as novas tecnologias, os jovens começaram a assumir postura mais ativa em relação ao conteúdo que recebiam por meio dos veículos de comunicação e, principalmente com o surgimento da internet e das redes sociais, passaram a receber e produzir informações muito além dos muros da escola.

O saber deixou de estar concentrado na imagem do professor e tornou-se uma rede, percebeu-se que o “saber” está em todos os lugares, que há formas distintas de aprender e maneiras diferentes de educar.

Hoje, ao chegarem na sala de aula, os alunos já estão informados sobre os mais diversos temas, já foram expostos a informação que o professor trouxe, já têm opiniões formadas, e muitos sentem-se entediados com modelos de ensino pouco interativos, pois, lá fora, o mundo convida à interação em tempo integral. E agora? Como gerenciar essa crise, em que o modelo tradicional de ensino vê-se frente à uma inevitável necessidade de mudança?

Para Rui Canário, doutor em Ciências da Educação e professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, é preciso transformar crises em oportunidades, e, no caso especifico das instituições escolares, transformar o problema em solução.

Canário defende: “Muitos afirmam que o descaso dos alunos impede a escola de ser eficiente. Em vez de se conformar, que tal incentivar a criação de projetos que possam ser desenvolvidos pelos educandos, tratando-os como capazes de produzir e não como aprendizes que só têm a receber? É difícil não haver engajamento quando as pessoas se tornam sujeitos e atribuem um sentido positivo ao trabalho que realizam. O que parecia um obstáculo – a falta de envolvimento – virou um caminho para atingir os objetivos.”

Concordo com o pensamento de Rui e acredito que, para gerenciar estas “crises geracionais”, as  instituições de ensino devem concentrar-se em criar novos modelos de atuação, com um currículo de caráter mais interativo, que proponha atividades sob a lógica da participação e incentive o posicionamento intelectual e a produção de conteúdo do aluno. Práticas que, muitas vezes, passam pela proposta da Educomunicação.

As diferentes maneiras de “educomunicar”

Existem diferentes maneiras de cruzar os campos da educação e comunicação. Abaixo listo três formas de pensar a integração destas duas áreas.

Comunicação para a Educação

Aqui, quem aparece como protagonista é a mídia. Trata-se de uma proposta em que os meios de comunicação assumem postura responsável perante às mensagens que oferecem aos seus receptores, ou seja, o conteúdo é produzido com responsabilidade e leva-se em consideração o impacto que poderá causar sobre as pessoas. Entende-se a influência social da mídia e sua importante função como produtora de sentidos e influenciadora de opiniões e comportamentos. Esse “modelo” de educomunicação é muito discutido quando falamos no conteúdo que é direcionado às crianças. Muitas mensagens dirigidas ao público infantil se mostram irresponsáveis, induzindo a comportamentos como erotização precoce ou violência e, assim, se ausentam do “compromisso educativo” que deveriam ter.

media_literacyEducação para a Comunicação

Educar para a leitura de mensagens midiáticas – essa é a proposta que temos aqui. Sabemos que o conteúdo midiático é, muitas vezes, tendencioso e atende à interesses do empresariado, ou seja, não se preocupa com os possíveis impactos sociais que causará. As mensagens da mídia (leia-se aqui TV, rádio, cinema, revistas, jornais) ou (artigos, matérias, músicas, propaganda, fotos, etc) vêm repletas de valores, opiniões e até mesmo “verdades absolutas” que devem ser lidas e desconstruídas. Pais e professores têm o dever de ensinar seus filhos e alunos a desenvolverem uma leitura crítica da mídia, para que eles possam entender os sentidos embutidos em uma mensagem e não apenas absorvê-los sem questioná-los. É quase uma “alfabetização” para a mídia.

Educação pela Comunicação

Essa é outra forma de “educomunicar”. A ideia é utilizar os diferentes veículos de comunicação para fins pedagógicos, mas, a grande sacada é que aprende-se a partir da produção de conteúdo, ou seja, os estudantes colocam-se como produtores de mensagens midiáticas e utilizam esses canais para, além de entender o funcionamento e responsabilidades da mídia, falar daquilo que consideram importante. É, também, uma forma de contestar a grande mídia, que traz opiniões prontas e define uma agenda nem sempre relevante à sociedade. Essa lógica é bastante utilizada e, por meio dela, é possível colocar em prática os demais modelos citados: ao produzir mensagens, o estudante entende o compromisso que um produtor de conteúdo assume perante à sociedade e consegue desenvolver um olhar crítico em relação à atuação dos grandes veículos de comunicação, pois irá questioná-los e colocará as suas prioridades e verdades em pauta.

Educomunicação para a prevenção ao uso de drogas

O Instituto Recriando, organização que tem como grande objetivo promover a inclusão social de crianças e adolescentes, acaba de lançar uma campanha de prevenção ao uso de drogas. Até aqui nada novo, já conhecemos várias deste tipo, certo?  O que diferencia essa de outras campanhas é o modo como foi produzida: todo o conteúdo e todas as peças publicitárias foram elaborados por adolescentes, um projeto feito por jovens e direcionado para jovens.

A iniciativa, que levou o nome de Projeto Refletir, foi conduzida pelo Instituto Recriando e contou com apoio do Criança Esperança. A atividade foi desenvolvida em quatro comunidades diferentes, todas em Aracaju (SE), onde o Instituto Recriando está localizado.

Cartaz produzido pelos jovens do bairro Santa Maria, Aracaju.

Cartaz produzido pelos jovens do bairro Santa Maria, Aracaju.

A ideia é interessante pois quebra com o discurso hegemônico da grande mídia, que tende a apresentar adolescentes envolvidos com drogas como ‘marginais’. A abordagem da campanha produzida pelos jovens das comunidades não traz estereótipos ou visões preconceituosas, como muitas vezes podemos identificar nas mensagens veiculadas pelos grandes canais de comunicação.

Quando um jovem fala para outro, a mensagem parece ganhar novo sentido e a possibilidade de gerar mudanças é consideravelmente maior. O discurso que empregam está mais próximo da realidade do público alvo, pois eles fazem parte deste público e conhecem as raízes do problema, sabem qual a linguagem mais adequada e, além disso, podem interagir pessoalmente com os demais jovens da suas comunidades e debater o tema.

Essa campanha é um belo retrato do que chamamos de ‘protagonismo juvenil’. Os próprios jovens levantaram questões importantes para eles e debateram problemas que estão presentes no dia a dia de suas comunidades.

Eles deixaram a posição de unicamente receptores e assumiram também a produtores de conteúdo e, a convivência dessas duas formas de se relacionar com a mídia, os torna mais críticos e preparados para argumentar, criticar e avaliar não apenas conteúdos midiáticos, mas também o mundo do qual fazem parte e a dinâmica social em que estão inseridos. Ganham ferramentas para a vida, que não se esgotam após o término do projeto, mas os acompanham e abrem novos caminhos e oportunidades.

As peças produzidas, além de divulgadas nas comunidades onde os educandos vivem, serão veiculadas nas redes sociais e no blog do Projeto Refletir. Confira os links abaixo:

Encontro Brasileiro de Educomunicação acontece esse mês em São Paulo

A programação do IV Encontro Brasileiro de Educomunicação, que acontece nos dias 25 e 26 de outubro,  já está disponível no site www.cca.eca.usp.br.

O evento contará com 4 mesas redondas, 20 painéis e 78 propostas de papers (o programa ainda poderá sofrer modificações).

Trata-se de um simpósio preparado para atender às necessidades de se promover um diálogo entre os alunos de educomunicação da ECA/USP e pesquisadores/profissionais da área.

Os que não puderem participar nos dias 25 e 26, terão o sábado à disposição, das 9 às 13h, na ECA, com uma mesa redonda sobre a associação ABPEducom  e mais quatro painéis, com 16 apresentações.

O valor da inscrição é o mesmo (R$ 50,00), participando o inscrito de um, dois ou três dias do evento.

Abaixo segue convite eletrônico do encontro. Compartilhe!

Referencial teórico sobre mídia e educação

Diversos leitores nos mandam e-mails pedindo referências bibliográficas sobre “Educomunicação”. Frente à demanda constante, decidimos criar uma lista de livros que devem ser lidos por aqueles que têm interesse no assunto.

Em linhas gerais, os livros listados abaixo tratam sobre comunicação, educação, mídia, juventude e cibercultura. Se você está lendo ou leu um livro que pode entrar para a lista, deixe sua dica no espaço de comentários!

Título: Comunicação e Educação: a linguagem em movimento
Autor: Adílson Citelli
Editora: SENAC

Título: La Educación desde La Comunicación
Autor: Jesús Martin Barbero
Editora: Grupo Editorial Norma (Buenos Aires)

Título: Educação, imagens e mídia
Autor: Cristina Costa
Editora: Cortez

Título: Por que estudar a mídia?
Autor: Roger Silverstone
Editora: Loyola

Título: Cibercultura
Autor: Pierry Levy
Editora: Editora 34

Título: Alienígenas na sala de aula
Autor: Bill Green e Chris Bigum
Editora: Vozes

Título: Sociedade da informação ou da comunicação?
Autor: Ismar Soares
Editora: Cidade Nova

Título: Idade Mídia: a comunicação reinventada na escola
Autor: Alexandre Le Voci Sayad
Editora: Jatobá

Título: El capital cultural de los jóvenes
Autor: Roxana Morduchowizc
Editora: Fondo de Cultura Económica (Buenos Aires)

Título: A cultura da mídia na escola
Autor: Maria da Graça Jacintho Setton (org.)
Editora: Annablume

Título: Crianças, adolescentes e a mídia
Autor: Victor C. Straburger, Barbara J. Wilson e Amy B. Jordan
Editora: Penso

Título: Beyond Technology: children’s learning in the age of digital culture
Autor: David Buckingham
Editora: Polity Press (Londres)

Título: A hora da geração digital
Autor: Don Tapscott
Editora: Agir Negócios

IV Encontro Brasileiro de Educomunicação

Geralmente as pesquisas acadêmicas exigem, além de disciplina e concentração, uma pitada de solidão, não é mesmo? Muitas vezes ficamos dias (e até meses) na companhia exclusiva dos livros e, às vezes, nos programamos para um encontro breve –e cronometrado – com nosso orientador.

O momento do estudo empírico (se houver) é uma grande alegria (pelo menos para mim foi assim). Saímos de casa – e da frente do computador – interagimos, discutimos, colocamos em prática a teoria estudada e, mais uma vez, voltamos à solidão: nos recolhemos para analisar os dados coletados.

A “solidão”, porém, não é negativa, mas necessária. E ao contrário do que se pensa, a academia pode ser uma opção bastante “sociável” e movimentada. Os congressos estão aí para isso.

Depois de finalizado, o que fazer com o estudo? Compartilhar, é claro! Jogar na roda para que sirva como fonte de reflexão e discussão. E para facilitar e incentivar esse compartilhamento é que existem os famosos “congressos”, “simpósios”, “encontros” e derivados.

De congresso em congresso, conhecemos pessoas que se interessam por temas iguais ou semelhantes aos nossos, abrimos o leque de possibilidades de pesquisa, criamos novas ideias e nos mantemos atualizados sobre nosso objeto de estudo e o universo que o circunda.

Falo tudo isso, pois, em Outubro, os apaixonados por Educomunicação terão uma ótima oportunidade para compartilhar o interesse em comum e divulgar seus estudos na área.

A Escola de Comunicações e Artes da USP receberá o IV Encontro Brasileiro de Educomunicação nos dias 25 e 26 de outubro e, pela primeira vez, abrirá espaço para a submissão de papers e relatos de experiências ligados à pesquisas acadêmicas no campo da educomunicação.

A programação já está disponível no blog do curso de Educom da USP e a chamada de trabalhos vai até dia 25 de agosto.

Para mais informações sobre o Encontro, clique aqui.

Idade Mídia: a comunicação reinventada na escola

Acabo de ganhar o último livro do jornalista e educomunicador Alexandre Le Voci Sayad. Tudo foi uma grande coincidência.

Numa conversa informal com uma amiga que eu não via há tempos, descubro que ela é prima do Alexandre e sabendo do meu interesse pelo tema, ela não tardou em me presentear com o livro “Idade Mídia: a comunicação reinventada na escola”, com direito a dedicatória e tudo!

Fique super feliz com o presente e o livro já está na fila dos próximos a serem lidos com urgência! (no momento estou terminando “Crianças, Adolescentes e a Mídia”, que citei aqui no blog também).

O livro de Alexandre Sayad apresenta a trajetória do programa “Idade Mídia”, idealizado por ele e por Gilberto Dimenstein e implementado no colégio Bandeirantes (SP). Além de revelar a metodologia utilizada no programa, o livro também traz depoimentos dos profissionais que colaboraram com o curso ao longo dos seus dez anos de existência.

O programa valoriza não apenas o espaço formal de ensino, mas reconhece o valor do aprendizado para além dos muros da escola.

No “Idade Mídia” é adotado um modelo de educação em que o jovem é protagonista na construção do aprendizado, são os próprios alunos que criam projetos e reconhecem o que, para eles, é importante e digno de ser discutido e valorizado. O programa é, acima de tudo, um canal de livre expressão, que explora e evidencia as opiniões e desejos dos jovens.

Entre os colaboradores do livro está o professor e coordenador do curso de Educomunicação da ECA-USP, Ismar Soares, que acompanhou o Idade Mídia desde sua implementação no colégio Bandeirantes e o reconhece como um programa de inovação no campo da educação formal.

Atualmente o Idade Mídia é coordenado por Alexandre e pela professora Marina Consolmagno. Quem quiser conhecer mais de perto a iniciativa, vale visitar o blog http://idademidia.colband.blog.br/ – Produzido por alunos do programa.

Para quem quiser comprar, o livro custa R$46,oo e é da Editora Aleph.

Assim que eu terminar de ler, deixarei minhas impressões por aqui!

Boa leitura a todos.

O receptor também é produtor

No post “Lemos… Mas vamos além” falei sobre o papel do produtor e do receptor de conteúdo no mundo atual, marcado pela dinâmica da internet. Para ilustrar a discussão estabelecida faço agora uma breve análise de um caso que conheço de perto ou, para ser mais específica, que vivenciei. Peço licença para contar, brevemente, uma história pessoal que, com certeza, já ocorreu inúmeras vezes, com inúmeras pessoas ao redor do globo.

Em meu último ano de faculdade (2010) desenvolvi um trabalho sobre Educomunicação. As leituras eram infinitas, foram noites eternas na companhia dos livros e claro, do computador. Encontrei muito material na internet e para me organizar decidi criar um twitter (que funcionaria como uma pasta online). Todos os artigos e entrevistas que me interessavam eu colocava ali, para retomá-los mais tarde, quando sentisse necessidade.

Pois bem, eis que um dia, ao entrar em minha “pasta de links” sobre educomunicação, reparo que mais de quatrocentas pessoas estão seguindo o perfil que criei para ser, de início, um arquivo pessoal. Fique espantada e um pouco curiosa: qual o motivo de estarem me seguindo? Interesse no tema, é lógico.

Encerrei meu trabalho (que foi a razão para criar o perfil @Educomunicacao no twitter), mas não encerrei minha conta no miniblog. Achei a movimentação e acúmulo de seguidores instigante e comecei a interagir com eles: fazer perguntas, lançar discussões, levantar problemas e no decorrer dessa “brincadeira” percebi que não eram mais quatrocentos seguidores, agora já eram mil.

Continuei promovendo debates e fazendo daquele espaço um encontro entre pessoas interessadas no tema. Um dia, quando meus seguidores já estavam em quase dois mil, eu decidi criar um blog. As provocações em 140 caracteres estavam pedindo algo mais, um complemento, quem sabe.

Criei, então, este blog. Num dia eu era receptora de conteúdo e “caçadora” de links, no outro, além de manter o meu antigo papel, eu adicionava um novo perfil ao meu “eu cibernético”: o papel de produtora de conteúdo.

Me tornei, literalmente, receptora de meus próprios conteúdos, uma “receprodutora”, se me permitem inventar o termo. Hoje são mais de quatro mil seguidores e tento manter o miniblog e o blog sempre ativos, já que encontrei esse espaço tão rico para estar em contato com pessoas que se interessam pelos mesmos temas que eu.

A internet é assim, um mundo de possibilidades, quando você menos espera, já está vestindo, (simultaneamente) a camisa do receptor e do produtor e, pelo bem ou pelo mal, as oportunidades e novidades que surgem a partir dessa flexibilidade são extremamente enriquecedoras.

Pelo twitter, criei um fórum de discussão sobre um tema do meu interesse e agora compartilho ideias e experiências com outras tantas pessoas, que assim como eu, têm a internet como um lugar de encontro e debates.

Que esse fórum continue crescendo sempre mais! Afinal, juntos, conseguimos tecer pensamentos mais rebuscados, além de conhecermos aquilo que jamais estaria ao nosso alcance se não fosse a plataforma digital! Façamos uso dela!