O direito ao amor

Declaração Universal dos Direitos das Crianças (UNICEF)

Princípio VI – Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.

Amor; um sentimento que deve ser garantido a todas as crianças do mundo! Só assim elas poderão viver o presente em harmonia, e serão capazes de conduzir um amanhã semeado por sonhos, justiça e igualdade.

Estamos falando sobre um direito mas, sobretudo, de um alimento para a vida.

Uma criança amada e amparada terá forças para lidar com as dificuldades do mundo e crescerá com a capacidade de acreditar em si mesma e nos outros. Valorizará o respeito às diferenças e o bem ao próximo.

Nós, adultos, precisamos, a todo o momento, e sem descanso, dar exemplos de carinho e amor às crianças, criando espaços de escuta e compreensão. Parece simples, parece natural, mas, infelizmente, ainda vemos pais batendo nos filhos, punindo, gritando; ainda vemos adultos individualistas e egocêntricos.

Somos todos educadores e nossa responsabilidade com o mundo é contínua: ao educar crianças, estamos cuidando delas e do mundo, simultaneamente.

Sem o afeto, porém, não conseguiremos construir um mundo mais digno e bonito de se viver. A vida é delicada e o amor está entre os principais combustíveis para a sobrevivência humana.

Que todas as crianças tenham seus direitos respeitados e possam ser verdadeiramente amadas, por todos aqueles que participam da sociedade.

Foto: Pixabay

 

 

 

Mobilização livre e lúdica celebra os 25 anos do ECA

Em julho de 2015 o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – completa 25 anos. Para comemorar a data diversas organizações da sociedade civil se uniram no movimento “Juntos pelo Brincar”, uma mobilização livre e lúdica que ocorrerá no dia 5 de julho no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, das 10 às 16 horas. O objetivo é transformar o Largo em um grande espaço para o livre brincar, destinado às crianças e suas famílias.

CARTAZ DIGITAL COM PROGRAMAÇÃO OKA mobilização “Juntos pelo Brincar” foi construída coletivamente com base em três eixos importantes garantidos pelo ECA: o direito ao brincar, fundamental no desenvolvimento da criança e do adolescente; o direito à convivência familiar e comunitária como forma de inserção no meio social para que eles interajam com o mundo de maneira saudável e segura; e o direito ao espaço público para encorajar as crianças e adolescentes a se reconhecerem como cidadãos e sujeitos de direitos.

Já estão programadas mais de 20 atividades como brincadeiras de rua, oficinas de bicicleta, contação de histórias, apresentações musicais, sarau e yoga para crianças. Há uma ficha de inscrição prévia, mas no dia o espaço estará aberto e livre para quem quiser levar suas próprias brincadeiras.

A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo e da Subprefeitura de Pinheiros. Os órgãos oferecerão as estruturas necessárias ao acolhimento das crianças e suas famílias, contribuindo para uma ocupação segura do espaço, onde todos possam exercer livremente o direito ao brincar, ao espaço público e à convivência comunitária.

A importância do ECA

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi o resultado de um intenso processo histórico de consenso e articulação da sociedade brasileira. O documento instituído pela Lei 8.069 no dia 13 de julho de 1990 foi inspirado pelas diretrizes fornecidas pela Constituição Federal de 1988 e passou a assegurar tratamento social e jurídico especial para crianças e adolescentes.

Mesmo considerando todas as garantias inscritas no ECA e na Constituição Federal, enfrentamos um momento de ameaça às conquistas realizadas. Diante do contexto atual entidades da sociedade civil decidiram apoiar esse evento que celebra a importância histórica dos 25 anos do ECA.

Serviço

Mobilização em celebração aos 25 anos do ECA

Local: Largo da Batata – São Paulo, SP.

Data: Domingo, 5 de julho de 2015.

Horário: das 10h às 16h

Inscrição de atividade: https://pt.surveymonkey.com/s/5S28ZGT

Mais informações: facebook.com/juntospelobrincar

Quem apoia: Casa do Brincar; Colégio Equipe; Educacuca; Fundação Maria Cecília Souto Vidigal – FMCSV; Instituto Alana; Instituto Aromeiazero; Instituto Equipe; Instituto Natura; Mapa da Infância Brasileira – MIB; Núcleo São Paulo da Rede Pikler Brasil; REBRINC – Rede Brasileira Infância e Consumo; RE Educação e Cultura; Respire Cultura; SampaPé!; UNICEF.

Dica de leitura: para um ano repleto de inspiração!

“De modo suave, você pode sacudir o mundo.” Mahatma Gandhi

Reclamamos, constantemente, da qualidade da educação pública de nosso país. Sim, ela deixa a desejar! Sim, ela deve ser prioridade do governo! Sim, é preciso investir pesado em educação! Só assim poderemos construir um país de pessoas críticas e engajadas, um país que encontre em seu povo o combustível para as mudanças que se mostram necessárias. Educação é a base de tudo e, sem ela, ficamos imóveis, surdos, cegos. Ficamos vulneráveis.

Meus pais sempre me proporcionaram educação de qualidade. Valorizo todas as oportunidades que tive ao longo de minha vida e que me deram a chance de me tornar uma pessoa crítica e independente; que me ofereceram ferramentas para que eu exercesse a minha cidadania da melhor forma possível. Por meio da educação, fui presenteada com o dom da leitura, da escrita e pude ampliar meus horizontes para além de meu pequeno mundo. “Fui privilegiada” e, é neste momento, que aparece a palavra motivadora do presente texto: privilégio.

Em muitos países, inclusive no Brasil, ter acesso à uma educação de qualidade é visto como “privilégio”. Grande absurdo!

Educação não é – e jamais deveria ser – privilégio, já que é direito básico de todo e qualquer cidadão. É por meio da educação que aprendemos sobre o mundo e sobre nós mesmos, ela que nos abre caminhos para construirmos a nossa história e, o mais importante, ela nos liberta! Tamanha é a liberdade provinda da educação que chega até mesmo a provocar arrepios em alguns grupos ou sistemas, que acreditam que, ao educarem seus povos, terão seu poder comprometido.

Com educação adquire-se conhecimento, ainda a melhor arma para vencer toda e qualquer batalha. Ao serem educadas, as pessoas passam a questionar o que as rodeia e entendem que se não estão satisfeitas, possuem liberdade e conhecimento para mudar toda e qualquer situação. Para um grupo como o Talibã, por exemplo, a força de uma mente questionadora significa ameaça das mais perigosas.

Mas, por que o Talibã? Porque, recentemente, li a incrível história da menina paquistanesa Malala Yousafzai e conheci uma nova realidade, contada sob os olhos de uma criança que queria apenas estudar e, por desejar isso em um território dominado por muçulmanos extremistas, foi baleada a queima roupa enquanto voltava da escola com suas amigas.

Malala YousafzaiComo todos sabem, Malala não morreu nesse atentado e sua luta pela educação ficou ainda mais poderosa, atingindo uma escala global. Hoje ela é símbolo da luta pela educação e foi a pessoa mais jovem da história a ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Uma inspiração e tanto.

O que mais me emociona é a paixão da menina pela causa da educação. Os Talibãs acreditam que mulheres não devem receber educação e, após assumirem poder no Afeganistão e Paquistão, passaram a explodir escolas de meninas e ameaçar aquelas que mostravam-se resistentes à ordem imposta. Malala sempre fez parte dessa resistência, e não teve medo de impor sua voz frente às atrocidades comandadas pelos radicais islâmicos.

Seu pai era dono de escola e sempre foi um grande ativista da causa, além de se envolver fortemente com política e defesa de direitos do povo paquistanês. O engajamento e comprometimento social do pai fez com que Malala, desde muito jovem, desejasse trabalhar pelo bem comum. Junto ao pai, ela se envolveu em debates de educação, ganhou diversos prêmios e se tornou conhecida por sua militância. Em uma sociedade em que “liberdade” era palavra desconhecida, ela se arriscou. Qual sentido havia naquilo tudo? Como um grupo de militantes extremistas poderia impedi-la de estudar?

Malala mostrou o rosto e expôs seus ideais a todos. Foi firme em sua decisão de não abandonar os estudos, mesmo sob ameaça constante dos Talibãs. A paz de sua pequena aldeia, localizada no Vale do Swat (norte do Paquistão), havia terminado, mas Malala jamais perdeu a coragem e perseverança. Aos 15 anos, já era reconhecida internacionalmente pela sua luta incansável para defender o direito à educação de meninas.

Em decorrência de sua luta, entrou na mira do Talibã e, em outubro de 2012, quando voltava da escola com suas amigas, foi covardemente atingida por um radical islâmico. O militante acertou a cabeça de Malala; uma cabeça pensante, cheia de ideias e protestos; uma mente questionadora e curiosa, que possuía todas as armas para mudar o mundo. A bala entrou no canto esquerdo do rosto da menina, mas não a matou. Ao invés disso a tornou um símbolo mundial da luta pela educação e comprovou a força que existe nos livros e na curiosidade de aprender. Uma bala pode matar, mas o conhecimento pode mudar o mundo e ser mais forte que toda e qualquer arma de fogo.

Eu já era fã, mas depois de ler “Eu sou Malala” me tornei seguidora de todos os valores e princípios dessa menina incrível, que mesmo em um país cercado de mortes, violência e fogo, manteve a suavidade e acreditou numa revolução liderada por canetas, livros, alunos e professores. Terminei de ler no dia 2/01 e garanto: meu ano começou repleto de inspiração! A leitura é intrigante e perturbadora, ingênua e sensível, digna de arrancar lágrimas dos olhos do mais duro entre os homens.

Fica a minha dica de leitura.

OBS. Malala recebeu apoio dos mais diversos países, tanto para realizar seu tratamento, como para dar continuidade à sua luta. Em 2013 foi criado o Fundo Malala, que busca garantir a educação de meninas ao redor do Globo. Conheça o projeto.

Veja abaixo o discurso que Malala fez na ONU, no dia em que completou 16 anos.