Por uma infância livre do consumismo

Sábado, shoppings lotados. Pais levam seus filhos para escolherem o brinquedo ‘mais bacana’. Soltam as crianças dentro de lojas megalomaníacas, repletas de cores, sons e cheiros que induzem, única e exclusivamente, ao consumo.

O filho escolhe o que quer, os pais compram. Chegando em casa, a criança, animada com o presente, brinca uma, duas, três, cinco vezes. Depois coloca a geringonça de canto e já pede o próximo e, assim, constrói-se um comportamento consumista.

Qual valor foi criado neste contexto? O valor do consumo e todas as suas implicações, por exemplo: ansiedade, competitividade, insatisfação.

O dia das crianças existe; não podemos fugir disso. Foi imposto pela lógica de mercado e reforçado pela mídia. Contudo, há outras formas de vivenciar a data.

Ao invés de dar um brinquedo, construa uma experiência. Faça um brinquedo junto com seu filho, pinte um quadro, planeje um passeio no parque ou leve os pequenos ao museu. Feiras de troca de brinquedos também são ótimas opções, pois afastam as crianças das angustias do consumismo, além de coloca-las em situações de escolha, de troca e de compartilhamento.

Um passeio no parque, por exemplo, pode contribuir para que a criança desenvolva o seu entendimento sobre a natureza e se aproxime dela. Enfim, são escolhas. E essas escolhas, feita pelos pais, terão grande influência nas escolhas e na postura que os filhos tomarão na vida adulta.

DICA!

Neste domingo, 12/10, acontecerá em São Paulo a Feira de Trocas do Instituto Alana. O encontro será na Praça Eder Saber (Rua Fidalga, Vila Madalena), das 14 às 17h.

As feiras são organizadas por quem acredita na importância de refletir sobre o consumo. Não é preciso uma organização ou instituição, qualquer cidadão pode fazer uma feira de forma autônoma!

ORGANIZE A SUA FEIRA DE TROCAS!

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A responsabilidade com o mundo

‘A moral dominante desumaniza a natureza e desnaturaliza o homem”

Cristiane Yuka

Ontem tive o privilégio de assistir uma aula inesquecível. Uma aula daquelas que mexem com a gente e fazem a diferença. O tema era ‘Ética e Sustentabilidade’ e, confesso, não consegui segurar as lágrimas. A professora propôs reflexões que já fazem parte da minha vida, mas pensar junto é sempre gratificante, ainda mais quando a oradora é sensível e consegue passar verdade e emoção em suas palavras.

“Ética” e “sustentabilidade”, palavras que escutamos com frequência. Mas, sabemos o real significado de ser “ético” e “sustentável”? Agimos de acordo com esses dois ideais?

É difícil ser integralmente ético: quem nunca colou na escola ou furou o sinal vermelho numa madrugada qualquer? Sim, essas são atitudes que vão contra uma postura considerada ética. E, se falamos em ‘ética’, falamos em integridade e responsabilidade. Responsabilidade com você, com o mundo, com o próximo. Falamos de valores.

Colar parece muito natural; quem nunca? Mas, trata-se de uma mentira que você conta a si próprio e, assim, coloca em questionamento a sua integridade.  O mesmo raciocínio vale para queles que furam o sinal vermelho, ao fazê-lo, você coloca em risco a sua vida e a vida do próximo. São atitudes que parecem pequenas, mas que já possibilitam uma primeira discussão sobre ética e também sobre sustentabilidade, uma vez que a ideia central desta última é a preservação da vida. Temos que agir de modo a preservar e cuidar da nossa morada, mas, dentro da nossa arrogância, acabamos desnaturalizados, separados da nossa essência e raiz, que é a natureza e, desta forma, perdemos a consciência de que devemos cuidá-la e amá-la.

Sustentabilidade e Ética

A ética baseia-se em valores e difere-se da moral no sentido em que está última está calcada em normas. Ambas são necessárias para uma vida em sociedade, mas a ética destaca-se, já que é genuína à pessoa, que, se for íntegra, não precisará de normas para guiá-la; agirá de acordo com seus valores, que devem ser baseados no olhar ao próximo e ao mundo, sempre de forma a beneficiá-los. Ou seja, valores que priorizem a sustentabilidade da vida.

Ética é uma construção, aprende-se dentro da comunidade em que se está inserido, aprende-se dentro de casa, na escola, na mídia. Aprende-se a partir das relações estabelecidas e, neste momento, podemos pensar no tamanho comprometimento que existe quando decidimos colocar uma pessoa no mundo.

Os adultos, a partir do momento em que decidem ter um filho, devem estar cientes de que estabelecem uma enorme responsabilidade com o mundo, visto que devem educar esse filho para servir a comunidade da qual fazem parte, de modo a desenvolvê-la de forma justa e sustentável. Esse é o maior sucesso que os pais podem alcançar: tornar seus filhos pessoas éticas e responsáveis. Mas, para que isso seja possível, existe um trabalho delicado (e árduo).

A construção de valores é diária, e vem de exemplos, de experiências, de conversas, de interações. Pais que não são responsáveis ou éticos, dificilmente conseguirão criar filhos com sentido de comunidade e compreensão holística sobre o mundo e a importância de sua preservação.

A construção de valores está nos detalhes. E já que estamos próximos do dia das crianças, usarei a data como exemplo.

Sábado, shoppings lotados. Pais levam seus filhos para escolher o brinquedo ‘mais bacana’. Soltam as crianças dentro daquelas lojas megalomaníacas, repletas de cores, sons e cheiros que induzem única e exclusivamente ao consumo. O filho escolhe o que quer, os pais compram. Chegando em casa, a criança, animada com o presente, brinca uma, duas, três, cinco vezes. Depois coloca a geringonça de canto e já pede o próximo e, assim, constrói-se um comportamento de consumo desenfreado. Qual valor foi criado neste contexto? O valor do consumo e todas as suas implicações, por exemplo: ansiedade, desejo e insatisfação.

Bom, mas não podemos negar a data, certo? Ela existe, foi imposta pela lógica de mercado e reforçada pela mídia. Contudo,  há outras formas de vivenciar o dia das crianças. Ao invés de dar um brinquedo, construa uma experiência. Faça um brinquedo junto com seu filho, pinte um quadro, leve ele a um parque ou museu, crie uma experiência compartilhada que, além de estreitar os laços entre pais e filhos, ficará marcada na vida da criança e poderá modificá-la, de modo a construir valores que levarão a uma postura ética e sustentável.

Uma experiência, como pintar um quadro ou construir um brinquedo em conjunto, criará o senso de comunidade, de compartilhamento, valorização da arte e de pequenos prazeres da vida, que podem ser simples, porém grandiosos. Um passeio no parque, por exemplo, pode contribuir para que a criança desenvolva o seu entendimento sobre a natureza e se aproxime dela. Enfim, são escolhas. E essas escolhas, feita pelos pais, terão grande influencia nas escolhas e na postura que os filhos tomarão na vida adulta.

Por isso, ao colocar um ser humano no mundo, pense cuidadosamente em suas escolhas e exemplos, pois eles irão influenciar a construção de valores (a construção ética) de seus filhos e, dependendo dessa construção, o mundo será beneficiado ou prejudicado.