Mobilização livre e lúdica celebra os 25 anos do ECA

Em julho de 2015 o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – completa 25 anos. Para comemorar a data diversas organizações da sociedade civil se uniram no movimento “Juntos pelo Brincar”, uma mobilização livre e lúdica que ocorrerá no dia 5 de julho no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, das 10 às 16 horas. O objetivo é transformar o Largo em um grande espaço para o livre brincar, destinado às crianças e suas famílias.

CARTAZ DIGITAL COM PROGRAMAÇÃO OKA mobilização “Juntos pelo Brincar” foi construída coletivamente com base em três eixos importantes garantidos pelo ECA: o direito ao brincar, fundamental no desenvolvimento da criança e do adolescente; o direito à convivência familiar e comunitária como forma de inserção no meio social para que eles interajam com o mundo de maneira saudável e segura; e o direito ao espaço público para encorajar as crianças e adolescentes a se reconhecerem como cidadãos e sujeitos de direitos.

Já estão programadas mais de 20 atividades como brincadeiras de rua, oficinas de bicicleta, contação de histórias, apresentações musicais, sarau e yoga para crianças. Há uma ficha de inscrição prévia, mas no dia o espaço estará aberto e livre para quem quiser levar suas próprias brincadeiras.

A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo e da Subprefeitura de Pinheiros. Os órgãos oferecerão as estruturas necessárias ao acolhimento das crianças e suas famílias, contribuindo para uma ocupação segura do espaço, onde todos possam exercer livremente o direito ao brincar, ao espaço público e à convivência comunitária.

A importância do ECA

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi o resultado de um intenso processo histórico de consenso e articulação da sociedade brasileira. O documento instituído pela Lei 8.069 no dia 13 de julho de 1990 foi inspirado pelas diretrizes fornecidas pela Constituição Federal de 1988 e passou a assegurar tratamento social e jurídico especial para crianças e adolescentes.

Mesmo considerando todas as garantias inscritas no ECA e na Constituição Federal, enfrentamos um momento de ameaça às conquistas realizadas. Diante do contexto atual entidades da sociedade civil decidiram apoiar esse evento que celebra a importância histórica dos 25 anos do ECA.

Serviço

Mobilização em celebração aos 25 anos do ECA

Local: Largo da Batata – São Paulo, SP.

Data: Domingo, 5 de julho de 2015.

Horário: das 10h às 16h

Inscrição de atividade: https://pt.surveymonkey.com/s/5S28ZGT

Mais informações: facebook.com/juntospelobrincar

Quem apoia: Casa do Brincar; Colégio Equipe; Educacuca; Fundação Maria Cecília Souto Vidigal – FMCSV; Instituto Alana; Instituto Aromeiazero; Instituto Equipe; Instituto Natura; Mapa da Infância Brasileira – MIB; Núcleo São Paulo da Rede Pikler Brasil; REBRINC – Rede Brasileira Infância e Consumo; RE Educação e Cultura; Respire Cultura; SampaPé!; UNICEF.

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As crianças da feira

Dia de feira. As ruas ganham novas cores e sons, ganham uma diversidade e uma alegria que, por aqui, só vemos, com tamanha intensidade, aos domingos. A feira é um jeito bonito de celebrar a vida e, por isso, sempre descemos, para comer tapioca, comprar flores e também peixe e pimenta. Ao voltar pra casa, porém, não carregamos conosco somente sacolas de compras, mas, principalmente, sorrisos, agrados, olhares e carinho: tudo isso a feira nos dá de presente, para começarmos a semana com o espírito leve e em paz com a vida.

Neste domingo minha atenção voltou-se às crianças da feira. São muitas e, cada uma em sua individualidade, possui diferentes maneiras de vivenciar aquele mundo tão colorido.

pés-feiraExiste uma dupla de garotos que sempre está por lá. São ligeiros e, para eles, a feira é espaço de trabalho e diversão. Ajudam os que vão às compras a carregarem suas sacolas e, com o dinheiro que ganham, compram pastel! Eles também circulam entre as barracas e, vire e mexe, ressurgem entre os toldos listrados, ora com uma laranja nas mãos, ora com uma melancia bem vermelhinha e suculenta. O caminhar deles é de quem conhece bem o chão em que pisam, têm a malemolência que nos faz entender que aquele lugar a eles pertence; são parte da feira e para ela se entregam de corpo inteiro. Que bonito ver a agilidade e esperteza desses garotos. Eles sabem se virar e, todo domingo, estão ali, correndo, com desenvoltura, atrás dos seus sonhos.

Mas, nem todas as crianças sentem-se tão à vontade na feira.

Aquele ruivinho, filho do dono da barraca de grãos, estava bastante emburrado hoje. Sentado em frente à loja do pai, com uma expressão nitidamente aborrecida, parecia aguardar algo que tardaria a chegar. O pai, irritado com a indisposição do filho, pergunta em alto e bom tom: “Por que você não ficou em casa?”. A resposta não veio. Talvez não tenha ficado em casa por que queria passar o domingo com o pai, talvez ele goste da feira, mas, naquele momento, já não estava mais se sentindo à vontade. Aquele espaço, com tantas pessoas estranhas, que não param de chegar, de perguntar, de experimentar e de comprar pode ter contribuído para o aborrecimento do menino, que, por um segundo, deve ter pensado “Por que eu não fiquei em casa?” Agora já era tarde demais.

Por ali também vemos muitas crianças que mostram o desejo de correr entre as barracas, mas, os adultos que as acompanham não parecem felizes com a ideia. O impulso frente às tantas cores e sons é imediato: querem correr em direção daquilo que as encanta! E na feira, é verdade, existem muitos encantos! Ficar parado é difícil. Vemos muitas mães e pais segurando mãos e braços dos filhos, para que não ‘escapem e se percam’. Ao segurar, porém, não seguram somente o corpo da criança, mas também a possibilidade da experiência e da descoberta. Seguram os sonhos!

Outros pais, contudo, deixam suas crianças viverem a feira com mais liberdade: elas ajudam na condução do carrinho, vão até as barracas, escolhem o que querem, chamam os pais para mostrar o que descobriram: se apropriam da feira e, é nítido, sentem-se parte de toda aquela alegria.

A feira é espaço pequeno, mas carrega consigo infinitas histórias e possui encantos que constroem um cenário bonito e acolhedor para as diferentes infâncias que ali se encontram. Todo domingo, crianças trazem ainda mais alegria para esse mundo colorido e nos mostram que, além de comprar legumes e frutas, a feira também é um belo lugar para brincar, correr e se encantar. Entre os lugares que merecem ser vividos pela criança, está a feira: ela nos recebe de braços abertos; é um abraço gostoso em meio à cidade que, tantas vezes, nos diz “não”.

NOTA: Esse texto foi produzido para o módulo “Brincar e a cultura da criança”, ministrado pela educadora Renata Meirelles, no curso de pós-graduação “Infância, Educação e Desenvolvimento Social”, do Instituto Singularidades. A proposta é deixar nascer em nós, adultos, um olhar sensível à infância e, por meio dessa observação cuidadosa e delicada, nos deixar encantar pelo universo (tão rico!) da criança. Precisamos cuidar das crianças a partir do que elas têm a nos dizer: ao observa-las, com atenção e sensibilidade, somos capazes de entender o que elas precisam, o que produzem e o que são. Com esse olhar cuidadoso, entendemos que a criança é encantada pelo mundo e seus detalhes, que ela se entrega, de corpo e alma, a tudo aquilo que realiza. Todos já fomos criança um dia, mas, muitas vezes, nos esquecemos disso. Ao voltarmos nosso olhar à elas, temos a chance de recuperar as belezas da infância e de (re)aprender com elas a sentir e viver o mundo de forma genuína e criativa.

A criança e a cidade: experimentar para aprender

“Toda criança tem direito à cidade”. Foi assim que Irene Quintáns, arquiteta urbanista, fundadora da Rede Ocara, deu início à palestra que proferiu no Instituto Singularidades, para alunos da Pós Graduação “Infância, Educação e Desenvolvimento Social”. No encontro, ela falou sobre a importância da relação entre a criança e a cidade. “Se a criança não vivenciar as ruas e as diferenças, ela não assimilará essas realidades”, afirma a arquiteta.

A Rede Ocara defende a concepção de cidades amigáveis e desenvolve projetos sobre cidade, arte, arquitetura e espaço público nos quais participam crianças. A ideia defendida é a de que a criança precisa viver a cidade/bairro/comunidade da qual participa; vê-se a cidade como elemento essencial para o seu pleno e saudável desenvolvimento.

Mas, será que as crianças brasileiras (principalmente aquelas que moram nas grandes cidades) estão interagindo com os espaços públicos?

Hoje, principalmente nos grandes centros urbanos, como São Paulo, acredita-se que a rua é um local perigoso e, assim, os pais optam por manter seus filhos dentro de casa, do carro, do shopping e tantos outros espaços internos, ‘protegidos do perigo das ruas’. Quintáns provoca: Qual será o melhor lugar para uma criança?

cidade-criançaA arquiteta chama estes espaços fechados de ‘caixas’; sem saída, sem oportunidades, sem surpresas. E, o hábito de viver dentro dessas caixas é extremamente nocivo para a saúde e para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Dentro de casa, por exemplo, temos a TV, o computador, o sofá. A criança que passa a infância frente a esses aparelhos perde oportunidades fundamentais para o seu desenvolvimento integral, já que o contato com o mundo é impedido, afetando assim a sua criatividade, sua autonomia, a construção de valores e a percepção do outro e de si mesma.

Uma criança que não sai da caixa é impedida de viver plenamente a infância. De casa pro carro, do carro pra escola, da escola pro carro, shopping, restaurante e assim vai. A experimentação do mundo torna-se repleta de limites e barreiras. É preciso equilibrar as vivências.

Onde estão os parques? As praças? As calçadas? As pessoas que passam nas ruas? Como colher as flores e folhas que caem das arvores? Como observar os passarinhos que cantam lá fora? Tudo isso é escondido da criança, quando não lhe dão a oportunidade de vivenciar o entorno em que está inserida.

Do lado de fora existem infinitas surpresas e aprendizados: é possível correr, conhecer pessoas, descobrir flores e insetos, sentir texturas e cheiros, observar as cores, aprender nomes de ruas, imaginar histórias, fazer carinho no cachorro que passa! É possível conhecer o mundo e também as regras da sociedade, entrando em contato direto com as noções de cidadania.

Tudo isso a criança aprende por meio da vivência pessoal e não pela tela de uma TV ou pela fala da professora. O aprendizado e o desenvolvimento acontecem pela experiência, e isso é forte, é determinante.

Será, portanto, saudável manter as crianças trancadas nas caixas, muitas vezes impostas pelo discurso do medo e do consumo? Estudos apontam que mais de 1 milhão de crianças brasileiras apresentam quadros de diabetes, 39% estão obesas e, provavelmente, manterão tal condição na vida adulta. Sim, isso tem a ver com alimentação, com falta de exercício e com estilos de vida que privam o contato com espaços externos.

As crianças merecem sair das caixas e vivenciar seus entornos. Os adultos, porém, precisam compreender que relacionar-se com a cidade (e o mundo), não por meio de relatos, mas por meio de experiências reais, é determinante para o desenvolvimento saudável e pleno da criança.

Para inspirar!

Será que o seu filho quer ter a vida exposta nas redes sociais?

Crianças são encantadoras, isso ninguém pode negar. Para os pais, então, cada sorriso e nova palavra dita tornam-se motivo de registros, lágrimas, emoções. Nada mais justo. E este encantamento é fundamental, pois indica interesse, entrega, amor. Contudo, na era das redes sociais, é importante estar atento. Será necessário compartilhar com toda a sua rede cada movimento, novo aprendizado e sorriso de seu filho?

Hoje, na timeline do Facebook, não é raro encontrarmos fotos e vídeos de momentos íntimos da vida de uma criança. Pais reportam desde o nascimento do filho até as refeições, brincadeiras, idas à escola, passeios aos finais de semana. A pergunta é: existe limite para essa exposição? A realidade é que existem muitas respostas, mas hoje pensaremos sobre a intimidade e sobre o respeito à individualidade da criança.

exposicao-criança-internetSerá que ela gostaria de ter seus momentos íntimos expostos na rede? Será que compartilhar cada passo e novo aprendizado de seu filho não evoca determinados riscos? Será que não seria interessante manter a privacidade e, quando lhe couber, a própria criança fará a escolha de ter sua vida exposta ou não?

Conversando sobre isso com uma amiga, que é mãe de uma menina de 2 anos, ela me disse: “Minha filha é tão linda que tenho vontade de mostrar ao mundo cada sorriso e novo passo que ela dá! Mas não o faço, pois não sei se ela gostaria de ter sua imagem e sua intimidade expostas”.  Essa fala faz todo o sentido. A mãe está respeitando a individualidade da filha.

Quais as razões para exibirmos a vida de nossos filhos da rede? Por que queremos que todos vejam como estamos os educando, quais as novas palavras que aprenderam ou qual o novo brinquedo que ganharam? É importante que façamos este autoquestionamento antes de sairmos postando fotos atrás de fotos, vídeos atrás de vídeos. A intimidade de outra pessoa está em jogo. E isso é muito delicado, merece atenção e cuidado.

As redes sociais deram um novo ritmo às relações humanas. O que antes era compartilhado apenas com familiares e amigos íntimos, hoje é jogado na rede para todos verem, em tempo real. É preciso estar atento e tomar os devidos cuidados, pois não sabemos até onde a imagem de nosso filho pode chegar, ou que podem fazer com ela. A internet está organizada sob a lógica da rede, os conteúdos postados podem ser copiados, alterados, viralizados, as vezes para o bem e outras, para o mal.

Amar também é respeitar a individualidade daquele que amamos. Talvez o mais indicado seja esperar, até que a criança possa escolher, com autonomia, se deseja ou não ter a sua vida narrada em uma página de Facebook.

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Sustentabilidade: por uma nova educação, por um novo modo de vida.

crianca-naturezaA sustentabilidade é um tema importante a todos que queiram permanecer neste planeta  – no presente – e garantir um futuro possível às próximas gerações. É um tema amplo, que abrange não somente questões ambientais, mas sociais e econômicas.

Trata-se de um triângulo que opera em harmonia e, se provocarmos desequilíbrio entre essas três esferas, teremos crises extremamente graves e desafiadoras; inclusive, já estamos vivenciando algumas: crise hídrica, temperaturas extremas, enchentes, verticalização intensa das cidades e pouco espaço para o verde.

Será sustentável viver num mundo que, cada vez mais, preza pelos interesses econômicos sem priorizar as demais esferas tão (ou mais) importantes à vida na terra?

Precisamos cuidar de nossa morada e trazer a sustentabilidade para o centro da vida de todos, ela deve estar no dia a dia das pessoas, deve ser um modo de vida. Como cidadãos, precisamos cuidar do mundo que nos acolhe há tantos milhões de anos e deixa-lo habitável aos nossos filhos e netos.

Mas, como incorporar essa visão da sustentabilidade no modo de vida – e nos hábitos – das pessoas? O ideal é que se tenha uma educação voltada à valorização da natureza, da justiça e da igualdade, desde cedo. Crianças devem compreender seu papel no mundo e descobrir as formas de torná-lo um lugar melhor a todos.

Já existem muitas iniciativas que apresentam propostas interessantes nesse sentido. Uma delas é o projeto “Pequeno Sustentável”, um portal na internet sobre sustentabilidade e formas de (re)pensar a educação junto com as crianças e adolescentes.

Por meio de notícias, dicas, vídeos, fotos, artes, discussões, conversas e questionamentos, o site propõe importantes reflexões sobre os temas abordados e convoca pessoas de todas as idades para a construção de um mundo melhor. Os conteúdos são atualizados diariamente pela equipe, e também abre espaço para publicações e notícias de leitores de qualquer lugar do planeta.

Realizar ações e atividades sustentáveis, participar de eventos e movimentos socioambientais, se reunir para trocar ideias, (re)pensar a educação e multiplicar boas práticas, também fazem parte do projeto.

Entre os valores essenciais do projeto, estão: soliedariedade, cidadania, cultura de paz, consciência socioambiental, entre outros.

Se você se interessou pela iniciativa, tem interesse em participar ou ter acesso aos conteúdos divulgados, visite o site e curta a página no facebook.

 

 

 

 

Por uma infância livre do consumismo

Sábado, shoppings lotados. Pais levam seus filhos para escolherem o brinquedo ‘mais bacana’. Soltam as crianças dentro de lojas megalomaníacas, repletas de cores, sons e cheiros que induzem, única e exclusivamente, ao consumo.

O filho escolhe o que quer, os pais compram. Chegando em casa, a criança, animada com o presente, brinca uma, duas, três, cinco vezes. Depois coloca a geringonça de canto e já pede o próximo e, assim, constrói-se um comportamento consumista.

Qual valor foi criado neste contexto? O valor do consumo e todas as suas implicações, por exemplo: ansiedade, competitividade, insatisfação.

O dia das crianças existe; não podemos fugir disso. Foi imposto pela lógica de mercado e reforçado pela mídia. Contudo, há outras formas de vivenciar a data.

Ao invés de dar um brinquedo, construa uma experiência. Faça um brinquedo junto com seu filho, pinte um quadro, planeje um passeio no parque ou leve os pequenos ao museu. Feiras de troca de brinquedos também são ótimas opções, pois afastam as crianças das angustias do consumismo, além de coloca-las em situações de escolha, de troca e de compartilhamento.

Um passeio no parque, por exemplo, pode contribuir para que a criança desenvolva o seu entendimento sobre a natureza e se aproxime dela. Enfim, são escolhas. E essas escolhas, feita pelos pais, terão grande influência nas escolhas e na postura que os filhos tomarão na vida adulta.

DICA!

Neste domingo, 12/10, acontecerá em São Paulo a Feira de Trocas do Instituto Alana. O encontro será na Praça Eder Saber (Rua Fidalga, Vila Madalena), das 14 às 17h.

As feiras são organizadas por quem acredita na importância de refletir sobre o consumo. Não é preciso uma organização ou instituição, qualquer cidadão pode fazer uma feira de forma autônoma!

ORGANIZE A SUA FEIRA DE TROCAS!

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Internet para crianças: quais os limites?

Começo esse texto recuperando uma cena que vivenciei há pouco tempo. Estava eu em uma sala de espera e, enquanto uma mãe era atendida, sua filha aguardava ao meu lado. A menina, que deveria ter por volta de 8 anos, estava completamente deslumbrada, manejando de forma bastante confortável um Iphone.

Não sei se aquele Iphone tinha ou não internet, não sei se a mãe fiscalizava quais eram os aplicativos utilizados pela menina, não sei quais eram as restrições impostas pelos pais para que aquela criança pudesse ter esse mini computador nas mãos.

Mesmo sem ter acesso a todos esses detalhes, pensei: “que mãe mais displicente! Eu jamais deixaria minha filha de 8 anos sozinha, com uma geringonça dessas nas mãos, afinal, não sei o que ela poderá acessar ou com quem poderá se comunicar”. Por um segundo, me senti careta e fiquei com medo de me tornar uma daquelas mães neuróticas.

Depois de ter presenciado a cena da criança com o computador/Iphone nas mãos e  de ter me passado tal reflexão pela cabeça, resolvi pesquisar o assunto e encontrei materiais bastante interessantes, que se preocupam em garantir o uso seguro da internet por crianças, pré-adolescentes e adolescentes.

Criança e internet: orientação dos pais e educadores é fundamental para garantir uso seguro e responsável

Criança e internet: orientação dos pais e educadores é fundamental para garantir uso seguro e responsável

Não é possível privar crianças e adolescentes do uso de computadores. Claro que podemos (e devemos), como pais e educadores, garantir que a infância seja vivida plenamente, e que as descobertas aconteçam no mundo real, sendo o virtual apenas uma ferramenta a mais para complementar o desenvolvimento cognitivo dos jovens.

Dentro do contexto atual em que vivemos, a interação com a tecnologia é inevitável e tal fato não deve ser preocupante, muito pelo contrário, pode trazer grandes benefícios às crianças, porém, é essencial que a interação com a tecnologia seja guiada por adultos, que possam acompanhar o uso que as crianças fazem da tecnologia, colocando os devidos limites.

Sim, limites. Sabemos que a internet está repleta dos mais diversos tipos de conteúdo. Muitos podem ser inapropriados para uma criança de 8 anos. Além disso, sabemos que existem diversas pessoas que fazem uso da internet com intuito de prejudicar aquele que está do outro lado da tela. É preciso estar atento, afinal, nunca saberemos qual a real identidade da pessoa com quem falamos. É fundamental ter criticidade para fazer uso correto e seguro da internet.

Por isso é importante termos muito cuidado com nossas crianças. Elas não apresentam maturidade suficiente para compreender a dinâmica do ambiente online e precisam ser educadas para que desenvolvam um olhar atento e cuidadoso, devem ser orientadas, portanto, para que se tornem usuárias digitais responsáveis.

Pensando em garantir e incentivar a segurança das crianças no ciberespaço e a fim de educá-las para que sejam internautas responsáveis, diversas iniciativas foram lançadas. Conheça algumas, que podem ser usadas tanto por educadores, em sala de aula, como por pais, que buscam orientação para lidar com o desafio de educar os filhos para um uso correto e seguro da internet.

* Cartilhas do Movimento Criança Mais Segura:

Guia para o uso responsável da internet 

Internet segura e divertida: para crianças de 2 a 8 anos

“Criança precisa ser amada. Não precisa de um Iphone aos 9 anos”

Imagine a cena: uma família reunida ao redor de uma mesa; um silêncio domina o momento, os olhares voltam-se para baixo, atentos às telas. Não há interação. Todos parecem muito ocupados com seus tablets e com as histórias do mundo virtual.

Já me deparei com cenas deste tipo algumas vezes. E fique triste. Retomo uma cena ainda fresca em minha memória:

Estava de férias e decidi viajar para um lugar tranquilo. Escolhi uma praia bonita, com muito, muito verde e escondidinha do mundo. O dia estava lindo! Em frente ao restaurante em que tomávamos café espalhava-se um gramado imenso, com árvores, flores e muitos passarinhos. Uma família – com crianças que deveriam ter por volta de 3 e 5 anos – estava na mesa ao lado.

Um cenário perfeito para as crianças correrem e movimentarem todo o corpo!  Um momento para ser vivido em família! Mas, ao invés disso, estavam cada um no seu Ipad e assim permaneceram do início ao fim da refeição, sem trocar sequer uma palavra, sorriso ou carinho. Todos de olho na tela (inclusive os bem pequeninhos).

A tecnologia já faz parte da dinâmica de nossa sociedade e, no momento certo, entrará na vida da criança (é inevitável e também positivo). Acredito, porém, que os adultos precisam ser sensíveis quanto ao ‘momento certo’ e refletir sobre como a interação exagerada com tablets e outros eletrônicos pode impactar a vivência da infância e o desenvolvimento da criança.

Vamos viver a natureza? Mexer o corpo? Viver o lúdico? Vamos brincar no mar, na grama e na terra? Precisamos preservar a infância e todas as suas possibilidades. A tecnologia não deve ser a linguagem predominante na vida de uma criança. Existem muitas belezas além da tela.

Que as crianças possam ter experiências transformadoras por meio do olhar, do toque, do cheiro, do movimento do corpo. Que conheçam o mundo a partir de contatos afetuosos e singelos, e não através de realidades mediadas. Que elas possam explorar as miudezas que as cercam e que tenham tempo para isso. Um tempo que não é da tecnologia, mas próprio da infância.

Para encorpar essa reflexão, divido com vocês um texto da jornalista e escritora Martha Medeiros. E reitero: “Criança precisa ser amada. Não precisa de um Iphone aos 9 anos”.

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ABAP abre espaço para debate sobre publicidade infantil

Aproveitando o gancho do último post, no qual propus uma discussão sobre publicidade infantil, vou apresentar o movimento “Somos Todos Responsáveis”, liderado pela Associação Brasileira das Agências de Publicidade (ABAP).

A Associação, que garante reconhecer o poder de persuasão da publicidade, engajou-se numa iniciativa que visa oferecer espaço ao debate de um tema bastante polêmico: a propaganda direcionada às crianças.

O grande objetivo do projeto é pensar como a publicidade interage com as crianças e quais são os cuidados que devem ser adotados para garantir a segurança e bem estar deste público.

A discussão proposta pelo movimento é interessante, pois traz um perfil democrático e tenta fugir de posições radicalistas e extremistas. O debate é constituído por diversas vozes e, portanto, oferece diferentes pontos de vista sobre o tema.

Mães, pais, professores, pesquisadores, psicólogos, advogados, publicitários e produtores de conteúdo para crianças são alguns dos personagens que já deixaram suas opiniões no site do movimento.

Alguns grupos são radicais e acreditam que a proibição da propaganda infantil seria a solução para problemas como erotização precoce e consumismo infantil. Outros, porém, acreditam que o ideal é dialogar com as crianças e jamais proibi-las de ter acesso a determinado conteúdo, afinal, esconder o mundo talvez não seja a solução, o necessário é educar a criança para uma leitura crítica e consciente do ambiente em que está inserida.

O cartunista Maurício de Sousa, um dos entrevistados pelo movimento, fala sobre a responsabilidade dos produtores de conteúdo. Ele diz que sempre pergunta à sua equipe: “vocês deixariam seus filhos terem acesso à esse conteúdo?” Se a resposta for “sim”, ele aprova e, se for “não”, o trabalho é reiniciado.

Há também confissões de pais, que se assumem consumistas e dizem que o comportamento dos filhos é reflexo do exemplo que têm em casa.

O site do movimento é muito rico em informação, vale a pena conferir! E, se você acredita na relevância do debate proposto, apoie e compartilhe!