A criança e a cidade: experimentar para aprender

“Toda criança tem direito à cidade”. Foi assim que Irene Quintáns, arquiteta urbanista, fundadora da Rede Ocara, deu início à palestra que proferiu no Instituto Singularidades, para alunos da Pós Graduação “Infância, Educação e Desenvolvimento Social”. No encontro, ela falou sobre a importância da relação entre a criança e a cidade. “Se a criança não vivenciar as ruas e as diferenças, ela não assimilará essas realidades”, afirma a arquiteta.

A Rede Ocara defende a concepção de cidades amigáveis e desenvolve projetos sobre cidade, arte, arquitetura e espaço público nos quais participam crianças. A ideia defendida é a de que a criança precisa viver a cidade/bairro/comunidade da qual participa; vê-se a cidade como elemento essencial para o seu pleno e saudável desenvolvimento.

Mas, será que as crianças brasileiras (principalmente aquelas que moram nas grandes cidades) estão interagindo com os espaços públicos?

Hoje, principalmente nos grandes centros urbanos, como São Paulo, acredita-se que a rua é um local perigoso e, assim, os pais optam por manter seus filhos dentro de casa, do carro, do shopping e tantos outros espaços internos, ‘protegidos do perigo das ruas’. Quintáns provoca: Qual será o melhor lugar para uma criança?

cidade-criançaA arquiteta chama estes espaços fechados de ‘caixas’; sem saída, sem oportunidades, sem surpresas. E, o hábito de viver dentro dessas caixas é extremamente nocivo para a saúde e para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Dentro de casa, por exemplo, temos a TV, o computador, o sofá. A criança que passa a infância frente a esses aparelhos perde oportunidades fundamentais para o seu desenvolvimento integral, já que o contato com o mundo é impedido, afetando assim a sua criatividade, sua autonomia, a construção de valores e a percepção do outro e de si mesma.

Uma criança que não sai da caixa é impedida de viver plenamente a infância. De casa pro carro, do carro pra escola, da escola pro carro, shopping, restaurante e assim vai. A experimentação do mundo torna-se repleta de limites e barreiras. É preciso equilibrar as vivências.

Onde estão os parques? As praças? As calçadas? As pessoas que passam nas ruas? Como colher as flores e folhas que caem das arvores? Como observar os passarinhos que cantam lá fora? Tudo isso é escondido da criança, quando não lhe dão a oportunidade de vivenciar o entorno em que está inserida.

Do lado de fora existem infinitas surpresas e aprendizados: é possível correr, conhecer pessoas, descobrir flores e insetos, sentir texturas e cheiros, observar as cores, aprender nomes de ruas, imaginar histórias, fazer carinho no cachorro que passa! É possível conhecer o mundo e também as regras da sociedade, entrando em contato direto com as noções de cidadania.

Tudo isso a criança aprende por meio da vivência pessoal e não pela tela de uma TV ou pela fala da professora. O aprendizado e o desenvolvimento acontecem pela experiência, e isso é forte, é determinante.

Será, portanto, saudável manter as crianças trancadas nas caixas, muitas vezes impostas pelo discurso do medo e do consumo? Estudos apontam que mais de 1 milhão de crianças brasileiras apresentam quadros de diabetes, 39% estão obesas e, provavelmente, manterão tal condição na vida adulta. Sim, isso tem a ver com alimentação, com falta de exercício e com estilos de vida que privam o contato com espaços externos.

As crianças merecem sair das caixas e vivenciar seus entornos. Os adultos, porém, precisam compreender que relacionar-se com a cidade (e o mundo), não por meio de relatos, mas por meio de experiências reais, é determinante para o desenvolvimento saudável e pleno da criança.

Para inspirar!

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As férias chegaram: e agora?

As férias chegaram! Nesta época do ano, muitos pais se perguntam como administrar o tempo livre das crianças: quais atividades, programas e brincadeiras podem ser feitas para aproveitar ao máximo esse período?

Existem muitas opções, que podem ser facilmente encontradas na internet, por exemplo. A ideia aqui não é discutir se o melhor é optar por um acampamento, piquenique ou ateliê, mas sim propor uma reflexão sobre o que as férias significam dentro do processo de aprendizagem da criança e, sob essa perspectiva, pensar em como conduzir esse período de uma forma que seja proveitosa tanto aos filhos, como aos pais.

ferias-escolaresA escola, compreendida como o lugar legitimo de aprendizagem, oferece tempo e conhecimento recortados, proporcionando apenas parte da experiência da aprendizagem. Existem diversos outros espaços que contribuem para o desenvolvimento cognitivo da criança, como a família, a mídia, aulas de música, dança, a relação com a natureza e com outras crianças; enfim, são muitas as instâncias que quebram o processo de aprendizagem centrado na figura da escola.

Sob este ponto de vista, as férias surgem como um importante período para aprofundar experiências e atividades extracurriculares e, independentemente da programação escolhida, trata-se de uma oportunidade para enriquecer as vivências da criança, colocando-a em contato com outros sujeitos que não os professores de seu dia-a-dia, apresentando outras linguagens que não, necessariamente, aquelas contempladas no currículo formal.

O horizonte formativo é imenso e, por isso, não apenas nas férias, mas também paralelamente ao período letivo, é importante proporcionar aos pequenos experiências ricas, que abranjam diferentes temas, linguagens, sujeitos e espaços. Isso estimulará as múltiplas potencialidades da criança, favorecendo um desenvolvimento pleno e saudável.

Ah! Vale lembrar que, apesar de ser uma época repleta de atividades, é fundamental deixar as crianças descansarem: deixar que curtam o ócio. Isso permitirá que elas façam suas próprias escolhas, dentro de seu próprio tempo. E curtir o ócio não vale apenas para as férias, mas ao longo de todo o ano também.

Boas férias a todos!

Internet para crianças: quais os limites?

Começo esse texto recuperando uma cena que vivenciei há pouco tempo. Estava eu em uma sala de espera e, enquanto uma mãe era atendida, sua filha aguardava ao meu lado. A menina, que deveria ter por volta de 8 anos, estava completamente deslumbrada, manejando de forma bastante confortável um Iphone.

Não sei se aquele Iphone tinha ou não internet, não sei se a mãe fiscalizava quais eram os aplicativos utilizados pela menina, não sei quais eram as restrições impostas pelos pais para que aquela criança pudesse ter esse mini computador nas mãos.

Mesmo sem ter acesso a todos esses detalhes, pensei: “que mãe mais displicente! Eu jamais deixaria minha filha de 8 anos sozinha, com uma geringonça dessas nas mãos, afinal, não sei o que ela poderá acessar ou com quem poderá se comunicar”. Por um segundo, me senti careta e fiquei com medo de me tornar uma daquelas mães neuróticas.

Depois de ter presenciado a cena da criança com o computador/Iphone nas mãos e  de ter me passado tal reflexão pela cabeça, resolvi pesquisar o assunto e encontrei materiais bastante interessantes, que se preocupam em garantir o uso seguro da internet por crianças, pré-adolescentes e adolescentes.

Criança e internet: orientação dos pais e educadores é fundamental para garantir uso seguro e responsável

Criança e internet: orientação dos pais e educadores é fundamental para garantir uso seguro e responsável

Não é possível privar crianças e adolescentes do uso de computadores. Claro que podemos (e devemos), como pais e educadores, garantir que a infância seja vivida plenamente, e que as descobertas aconteçam no mundo real, sendo o virtual apenas uma ferramenta a mais para complementar o desenvolvimento cognitivo dos jovens.

Dentro do contexto atual em que vivemos, a interação com a tecnologia é inevitável e tal fato não deve ser preocupante, muito pelo contrário, pode trazer grandes benefícios às crianças, porém, é essencial que a interação com a tecnologia seja guiada por adultos, que possam acompanhar o uso que as crianças fazem da tecnologia, colocando os devidos limites.

Sim, limites. Sabemos que a internet está repleta dos mais diversos tipos de conteúdo. Muitos podem ser inapropriados para uma criança de 8 anos. Além disso, sabemos que existem diversas pessoas que fazem uso da internet com intuito de prejudicar aquele que está do outro lado da tela. É preciso estar atento, afinal, nunca saberemos qual a real identidade da pessoa com quem falamos. É fundamental ter criticidade para fazer uso correto e seguro da internet.

Por isso é importante termos muito cuidado com nossas crianças. Elas não apresentam maturidade suficiente para compreender a dinâmica do ambiente online e precisam ser educadas para que desenvolvam um olhar atento e cuidadoso, devem ser orientadas, portanto, para que se tornem usuárias digitais responsáveis.

Pensando em garantir e incentivar a segurança das crianças no ciberespaço e a fim de educá-las para que sejam internautas responsáveis, diversas iniciativas foram lançadas. Conheça algumas, que podem ser usadas tanto por educadores, em sala de aula, como por pais, que buscam orientação para lidar com o desafio de educar os filhos para um uso correto e seguro da internet.

* Cartilhas do Movimento Criança Mais Segura:

Guia para o uso responsável da internet 

Internet segura e divertida: para crianças de 2 a 8 anos

Dilemas da Publicidade Infantil

Discussões acerca da relação entre consumismo e infância estão ganhando cada vez mais espaço no meio acadêmico, midiático e até mesmo legislativo. Organizações como o Instituto Alana, por exemplo, travam lutas diárias a fim de regular o conteúdo publicitário dirigido às crianças e adolescentes e buscam conscientizar educadores, pais e instituições políticas sobre a importância do tema.

E, de fato, trata-se de um tema digno de ser debatido, principalmente por ser extremamente atual e estar presente no dia a dia de todos nós.

As empresas, naturalmente, querem vender e, por meio da propaganda, divulgam suas ideias, produtos e mensagens que têm como grande objetivo levar o espectador à compra. Cabe a este espectador ( e potencial comprador) processar o recado e entender se aquilo lhe cabe ou não, ou seja, se deseja (ou se precisa) realizar a compra e quais serão os prós e os contras de sua ação. Mais do que isso, cabe ao espectador fazer uma leitura crítica do conteúdo que lhe é oferecido via publicidade, só assim ele poderá assumir posição de consumidor consciente e ativo, que não se deixa envolver facilmente pelas estratégias de sedução típicas às mensagens publicitárias.

As crianças, porém, fazem parte de um grupo que ainda está desenvolvendo criticidade. Ainda estão conhecendo o mundo e construindo suas habilidades cognitivas, que são baseadas, majoritariamente, em estímulos externos; todos os recados e exemplos que chegam às crianças serão importantes para a sua formação como ser humano.

A propaganda, por ser tão presente no dia a dia de todos, acaba entrando como uma referência aos pequenos, que por não compreenderem claramente a intenção de venda e as diferentes perspectivas entre vendedor e comprador, tornam-se um bom alvo para as empresas. Os estímulos visuais e sonoros são extremamente envolventes (inclusive em propagandas televisivas) e captam o público infantil de forma mais fácil.

As cores, jingles, personagens e histórias contadas são técnicas eficazes. As propagandas mostram que determinados produtos são sinônimo de felicidade, diversão, alegria e a criança, por não entender a dinâmica mercadológica, deseja somente uma coisa: o produto que vai fazê-la feliz.

Para as empresas o objetivo é claro – vender – e, no que diz respeito a atingir o público infantil, adota-se uma estratégia de marketing conhecida como “do berço ao túmulo”: captam consumidores ainda crianças, trabalham na construção de fidelidade à marca e, assim, garantem que estas crianças continuem consumidoras de seus produtos mesmo após atingir a idade adulta.

Além disso, o público infantil tem grande influência nas decisões de compra da família e, também por isso, chama a atenção das empresas. Os pais sentem-se tentados a comprar aquilo que o filho pede e, muitas vezes, a negação à compra pode gerar conflitos e comportamentos extremos na criança: hostilidade, choro, braveza ou até mesmo tristeza. Por isso é tão fundamental que os pais estejam sempre atentos à exposição dos filhos a certos estímulos que podem despertar atitudes como o consumismo e uma supervalorização material.

Fonte: Tribune Media Services, Boston Globe, Dan Waserman, 2000.

Tanto os pais como os educadores devem pensar sobre os benefícios e malefícios de deixar o filho/aluno na frente da TV, por exemplo. Muitos pais vêem na televisão uma ótima resolução para problemas como a falta de tempo para estar com as crianças. Nesse caso, porém, quem passa a educar é, muito mais, o conteúdo midiático do que as conversas em família e, assim, os jovens constroem valores, comportamentos e percepções que, muitas vezes, divergem da visão de seus pais.

Por isso é necessário estar perto. É preciso incentivar, desde sempre, um olhar crítico na criança. Pais e professores devem mostrar que nem sempre a mensagem publicitária tem a razão; que nem sempre o brinquedo X ou o restaurante Y é o melhor e mais gostoso, que há outras referências e possibilidades para se divertir.

Assim, quando a criança virar um adolescente e, posteriormente, adulto, terá tido outros referenciais em sua infância, o que a ajudará no processamento cognitivo do mundo e, inclusive, da publicidade.

Que fique claro, porém, que não se trata de um manifesto contra a propaganda, mas sim de uma mensagem de alerta para que os pais e educadores pensem na importância de educar as crianças e jovens para uma leitura crítica e consciente do mundo. Estamos inseridos em uma sociedade em que mensagens publicitárias e midiáticas colocam-se como grandes protagonistas de nossas vidas e, por isso, é importante conhecê-las para poder contestá-las.

O uso de games na educação

O momento de lazer das crianças pode ser um grande alíado da educação. Estudiosos têm, cada vez mais, alertado pais e professores sobre a necessidade de se pensar atividades do dia a dia como potenciais abordagens para o processo de aprendizagem.

Percebemos que as crianças usam tecnologias com maior frequência quando estão fora da escola – isso poderia ser explorado sob a lógica do “home-style learning” – ou seja, aprender a partir das interações em casa, que, muitas vezes, chegam a ser mais espontâneas do que certas atividades propostas e desenvolvidas na escola.

Dentre as atividades de lazer que poderiam ser exploradas na educação, temos os games. Crianças e jovens utilizam jogos de computadores com grande frequencia e essa interação torna-se, inevitavelmente, parte do processo de aprendizagem.

Certos tipos de jogos – e deixemos de lado os violentos – envolvem uma série de atividades cognitivas: memória, estratégia, previsões, resolução de problemas e construção de hipóteses. O aprendizado, nesse caso, é adquirido por meio da experiência – “learning by doing“, o que é extremamente vantajoso, pois proporciona ao jovem senso de autonomia e autoconhecimento – ao invés de seguir instruções pré determinadas, ele explora, descobre, experimenta e desenvolve a sua própria maneira de interagir com o game.

Esse processo pode ser extremamente produtivo, mas os games, vez ou outra, carregam consigo conteúdos inapropriados para determinadas idades – e isso deve ser “fiscalizado” pelos pais. Comprar games violentos, por exemplo, contribuirá para a construção de um olhar e comportamento nem sempre positivos. A cognição, nesse caso, será explorada a partir de aspectos que podem prejudicar o desenvolvimento do jovem e de sua interação em sociedade.

Existem, porém, games extremamente interessantes, que exploram conteúdos educativos de forma interativa e lúdica. A criança pode, por exemplo, aprender a contar, ser introduzida ao alfabeto e ainda desenvolver a capacidade de pensar estrategicamente, criando hipóteses e soluções para problemas e barreiras que geralmente aparecem nos jogos.

Tomando o devido cuidado, games podem ser extremamente úteis para atividades pedagógicas.

Veja abaixo links que tratam sobre o tema:

Novas práticas na educação: o uso de jogos digitais para fortalecer a aprendizagem

Preconceito é o principal adversário dos games na educação

Games em educação: como os nativos digitais aprendem

João Mattar e o uso dos games apoiando a educação

Professores precisam interagir com jogos

A escola, o video game e o prazer

Games em educação

Escola Games

 

Angústias, vícios e deslumbres da geração digital

Não costumo usar esse espaço para desabafos, mas recentemente me identifiquei como personagem ideal para uma matéria cujo título poderia ser “Angústias, vícios e deslumbres da geração digital”.

Há dois meses eu não passava de mera observadora de Iphones e derivados. Nunca tive qualquer interesse em adquirir um smartphone e jamais me convenci dos supostos benefícios que eles poderiam trazer à minha vida.

Ao meu redor, porém, todos tentavam me convencer da magia insubstituível desses aparelhos modernos e, aos meus olhos, assustadores. Iphones, Ipads e Itudo pareciam tomar forma humana: viraram tema central de conversas entre amigos e atraiam olhares emocionados de seus donos. Vez ou outra, numa mesa de bar, ou num almoço de domingo, o olho na tela parecia ser mais interessante do que o olho no olho.

Isso sempre me deixou inconformada. Ao presenciar situações como essa eu reafirmava meu ódio profundo por esses aparelhos e me convencia que, definitivamente, meu nokia 2009, com botões e sem internet era, de fato, sensacional. Continuava sem vontade alguma de ter um Iphone, afinal, eu ainda prezava, acima de tudo, a interação (presencial) entre as pessoas.

Algo inédito, porém, aconteceu: ganhei um Iphone.

Mordi minha língua, pois, quando me dei conta, lá estava eu, fascinada, deslumbrada e apaixonada por aquela geringonça. O encantamento, contudo, durou 2 meses. Foi quando percebi que eu estava me comportando exatamente como aquelas tantas pessoas que eu criticava arduamente. De fato, esse negócio vicia. A informação vicia, a facilidade em estar conectado ao mundo vicia e, nesse emaranhado de vícios, você se perde e se vê sem limites, pelo simples fato de ter um Iphone na mão.

É realmente assustador: informação que não acaba mais! 24 horas por dia, 7 dias por semana. Não importa se você está no carro, na cama, no trabalho, no banheiro… As notificações estão ali, pulando e implorando para serem lidas e, de preferência, respondidas! As informações chegam pelos mais diversos canais: Facebook, Twitter, Instagram, E-mail pessoal, E-mail profissional, sms, What’sApp, etc, etc, etc… SOCORRO!

Em meio a essa loucura tão contemporânea, me peguei nostalgica, com saudade do meu nokia 2009. Deletei metade dos aplicativos baixados em momentos de êxtase e decidi me colocar como objeto de minha própria observação.

Percebi que não estou preparada para receber tamanha quantidade de informação e de maneira ininterrupta. Não estou preparada para a mobilidade oferecida por um smartphone e nem para ser alguém que está online 24h por dia, todos os dias da semana, do ano, da vida.

Essa pode ser a realidade que encontramos hoje, muitos já vivem assim. Mas a ideia de estar online em tempo integral e receber informações sem qualquer descanso aos olhos e à mente, me fez reavaliar as coisas que gosto, que valorizo, pensar no meu tempo e também nos meus limites.

Vivi, por um momento, as angústias, vícios e deslumbres da geração digital, mas confesso que minha essência ainda não conseguiu alcançar esses “tempos modernos”.

Que fique claro, porém, que não me posiciono contra toda essa revolução na maneira de receber informação e na maneira de interagir com o mundo. Reconheço os benefícios e as desvantagens em fazer parte dessa dinâmica: sou parte dela, e estou em constante aprendizado.

Agora, imaginem só esses jovens considerados da Geração Z (nascida sob o advento da internet e do boom tecnológico) – O entendimento de mundo para eles é outro.

Enquanto a Geração X teve que se esforçar para sentir-se parte dessa nova cultura digital, a geração Y acompanhou seu desenvolvimento e, ainda assim, encontra certas barreiras para entregar-se aos fascínios e perigos oferecidos pelas novas tecnologias.

Eu, que faço parte da geração Y, às vezes sinto que já fiquei pra trás.

E, para reflexão, deixo a imagem abaixo.

Panfletagem ou Realidade?

Bebês desenvolvem sua cognição a partir dos exemplos dados pelos pais e pelos mais próximos. Recém-chegados ao mundo, tendem a observar e reproduzir aquilo que veem os outros fazendo e assim iniciam seu entendimento sobre o espaço que habitam.

Como sabemos, tecnologias “touch screen” já são intrínsecas à vida de muitos… Tudo pode ser acessado com apenas um toque! A criança, portanto, tende a reproduzir esse comportamento… Ao copiar, ela começa a testar e descobrir as coisas do mundo.

Claro que um bebê de 1 ano não distingue “Ipad” de “Revista”,  a questão central não é essa, mas sim pensar em como a nova configuração de mundo está alterando a percepção das pessoas.

Alguns suspeitam que esse vídeo é pura panfletagem, elaborado por aqueles que têm interesse em divulgar o produto em questão.

E você, o que acha? Panfletagem ou Realidade?