Longa metragem ‘Território do Brincar’ tem pré-estreia durante abertura da Ciranda de Filmes

Dia 20 de maio de 2015 ficou marcado por encanto e alegria. Na noite de abertura da Ciranda de Filmes, mostra de cinema focada em infância e educação, veio ao mundo o filme “Território do Brincar”, de Renata Meirelles e David Reeks. Uma produção da Maria Farinha Filmes e Ludus Vídeos e Cultura.

Em uma exibição para 800 convidados, o Auditório do Ibirapuera virou cenário para celebrar a infância. Os presentes foram recebidos com um cocktail inspirado na rota traçada pelos diretores do filme: durante dois anos eles percorreram diversas regiões do Brasil, ali relembradas pelos sanduiches de rabada, cuscuz paulista, beiju e saladinhas de feijão. Um primeiro gosto do que seria aquela noite.

E que noite! Se pudéssemos resumi-la em uma palavra, a escolhida seria ‘encontro’. Encontro de pessoas queridas e o encontro consigo mesmo. A sensibilidade do Projeto Território do Brincar, agora registrado em longa-metragem, tem o poder de nos transpor ao universo da infância e nos reconectar à nossa essência; nos faz refletir, acima de tudo, sobre o humano, pois é na criança que vive, da forma mais pura e genuína, a potência de todos nós.

Um filme que arranca lágrimas e risadas e que desenterra lembranças profundas. São 90 minutos de puro encantamento. Ao final, os convidados assistiram ao pocket show do grupo mineiro Uakti, responsável pela trilha sonora do filme. E a noite se encerrou com uma linda ciranda na voz de Tião Carvalho.

Além da pré-estreia, o filme Território do Brincar também entrou na programação da Ciranda de Filmes, que ocorreu no Cinesesc e no Cine Livraria Cultura, entre 21 e 24 de maio. No dia 21/05 o filme foi exibido ao público da Ciranda e, no dia 22, a equipe do longa ministrou a Oficina ‘Desvendando o Processo Cinematográfico’, oportunidade em que conversaram com o público sobre os bastidores do filme.

O Território do Brincar chegará aos cinemas de São Paulo e Rio de Janeiro no dia 28 de maio e, no dia 4 de Junho, será lançado nos cinemas de Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, João Pessoa e Santos.

Lançamento do longa-metragem 'Território do Brincar'. Foto: Aline Arruda.

Lançamento do longa-metragem ‘Território do Brincar’. Foto: Aline Arruda.

Texto publicado originalmente no site do Projeto Território do Brincar.

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‘O Sal da Terra’ – Um filme para sempre

A primeira vez que ouvi Sebastião Salgado ele conversava com o jornalista Roberto D’avila. Parei tudo o que eu estava fazendo para me concentrar naquele homem de sobrancelhas brancas e tão expressivas. Cada frase soou como um presente e, depois de ouvi-lo, o meu amor pela vida ficou um tantinho maior.

Eu já conhecia o trabalho de Sebastião, mas nunca tinha escutado sua voz.  Meus olhos derramaram lágrimas e compreenderam o motivo da intensa beleza de seus registros: ele fotografa com o coração e tem como grande auxiliar a vastidão de sua alma. Um poeta de olhares profundos, que fala sobre a vida e suas tantas faces, ora maravilhosas, ora devastadoras.

Sebastião Salgado – Iguana-marinha (detalhe), Galápagos, 2004.

Sebastião Salgado – Iguana-marinha (detalhe), Galápagos, 2004.

A forma como Sebastião traduz o mundo nos coloca em nosso devido lugar. De maneira sensível e extremamente respeitosa, ele adentra comunidades de humanos, macacos, morsas, crocodilos, tartarugas e nos reconecta às nossas raízes. Viemos todos de uma mesma célula, somos uma grande comunidade, que está vinculada pela história da origem da vida.  Mas raramente nos lembramos disso.

Para Sebastião Salgado, que já esteve entre tantos grupos de animais, o humano é o mais cruel e feroz de todos; coloca-se como ‘principal’ dentro do cenário do mundo e se vê no direito de destruí-lo. Devasta florestas, polui rios, destrói seus semelhantes, extingue outras espécies, num movimento claro de esquecimento: não nos vemos como parte da natureza e acreditamos ser superiores a uma árvore ou a uma iguana. Doce ilusão.

Estamos todos juntos nesse planeta e devemos respeita-lo, pois ser humano também é ser terra, água, fogo e ar. A vida humana está intimamente ligada a todas as outras formas de vida: uma formiga, uma árvore e uma onça têm absolutamente tudo a ver conosco. Mas nos desligamos desse pensamento e nos tornamos brutais e ferozes.

No documentário “O Sal da Terra”, que conta a história da vida e obra de Sebastião Salgado, esse olhar nos acompanha o tempo inteiro. E, por isso, merece visto. É um recado para a humanidade. E essa tem sido a grande herança dos projetos de Sebastião: por meio de sua fotografia ele nos prova que a humanidade está à beira do abismo; não conseguimos resolver o problema da fome, realizamos as mais frias e sanguinárias guerras, arrancamos plantas e animais de seu habitat e, nesse movimento, provocamos nossa autodestruição.

Após as tantas denúncias que realizou ao longo de sua carreira, Sebastião declarou não ter mais forças, nem vontade, de continuar. Muitas de suas missões concentraram-se na tragédia humana e ele retratou as mais inimagináveis atrocidades (Veja aqui a obra completa do fotógrafo).

Exatamente por ter presenciado, ao longo de tantos anos de trabalho, tragédias que feriram sua alma, Sebastião decidiu voltar ao ofício, agora com uma linda homenagem ao Planeta Terra. Por meio de seu Projeto “Genesis”, ele mostrou que existem partes do mundo que ainda estão “a salvo” e, com o surgimento do Instituto Terra, em Minas Gerais, sua terra natal, nos deu um lindo recado: é possível reconstruir o mundo.

A vida se renova e nós precisamos entender qual o nosso papel nesta renovação. É preciso preservar o mundo e, para isso, devemos olhar, principalmente, para nossas crianças. Qual educação estamos dando a elas? Uma educação que valoriza e respeita a natureza? O que precisamos para mudar esse mundo que está à beira do abismo, marcado pela fome, desigualdade, consumismo e pela autodestruição? Precisamos, basicamente, nos reconectar às nossas raízes. A mudança é possível e a educação pode nos auxiliar nessa caminhada.

Por isso, finalizo com a mensagem que ‘O Sal da Terra’ é um filme para ser visto por crianças, por adultos, por idosos, por todos aqueles que participam do mundo e aqueles que um dia participarão: um filme para sempre.

Ciranda de Filmes: um espaço sensível para pensar a infância e a educação

ciranda-filmes-2015Aos educadores, artistas, pais, gestores e todos aqueles que se interessam pelo debate sobre educação e infância, fica aqui um convite imperdível: entre os dias 21 e 24 de maio acontecerá, em São Paulo, a 2ª edição da Ciranda de Filmes, um espaço único para reflexão, debate e troca de experiências entre todos aqueles que se dedicam a pensar a infância a partir de um olhar sensível, acolhedor e cuidadoso.

A Ciranda configura-se como a primeira mostra de cinema no Brasil com foco em educação e infância e, neste ano, contará com a exibição de mais de 50 filmes nacionais e estrangeiros, rodas de conversa, vivências lúdicas e oficinas com pensadores, artistas e cineastas. Toda programação do evento está ancorada em três grandes temas: Famílias, Relação Criança e Natureza e Protagonismo Infantil.

Aqueles que desejarem participar do encontro deverão retirar seus ingressos com 1h de antecedência, na data e local em que os filmes serão exibidos. Para mais informações, clique aqui. Conheça a programação completa e acompanhe as novidades do Ciranda de Filmes:

O cinema como forma de protesto

Não é a primeira vez que falo sobre “trânsito” aqui no blog, afinal, o assunto está bastante ligado à educação e, por isso, não poderia ser ignorado.

Já afirmei, em pots anteriores, que apoio a a ideia de incluir a “educação para o trânsito” no currículo formal e acredito que, se assim fosse feito, os jovens, quem sabe, seriam um pouco mais prudentes na hora de pegar no volante.

Felizmente, parece que as pessoas estão conversando mais sobre o assunto (talvez pelo enorme número de mortes e acidentes diários) e o tema está mais corriqueiro na vida de todos.

Espera-se que, com isso, a conscientização aumente e os números assustadores de mortes e acidentes diminuam. Estatísticas mostram que, por ano, morrem no Brasil 43 mil pessoas vítimas do trânsito.

Exatamente com a função de trazer a tona o assunto e conscientizar as pessoas, foi criado o Movimento Viva Vitão, que também já foi citado aqui no blog, em um post especial sobre Ciberativismo.

Vitor Gurman foi vítima de uma motorista irresponsável. Depois de perderem o amigo, jovens criaram o movimento com o lema “Não espere perder um amigo para mudar sua atitude no trânsito“. O movimento ganhou enorme força nas redes sociais e também na mídia televisiva. Além disso, os espaços públicos também serviram como palco para o protesto dos jovens: manifestações em jogos de futebol e passeatas pela cidade de São Paulo são alguns dos atos públicos organizados pelos amigos do Vitor.

Agora, uma nova ferramenta foi utilizada em prol da coscientização: o cinema.

Dia 21 de setembro estréia no Cinemark o documentário “Luto em Luta“, que mostrará a realidade do trânsito de São Paulo. O filme trará depoimentos de vítimas do trânsito, amigos e familiares; além das falas de psicanalistas que atendem esse tipo de vítimas, especialistas em trânsito, jornalistas, juristas, entre outros.

Abaixo deixo o trailer do documentário e sugiro uma reflexão sobre como o documento poderia ser utilizado em sala de aula. Apesar de ter um conteúdo forte, é uma realidade que não pode ser ignorada. Grande parte dos envolvidos nas cenas do filme são jovens, o que nos faz pensar sobre a urgência em debater o assunto não apenas com os mototritas de hoje, mas também com aqueles que pegarão no volante em breve.

Pergunta aos professores: Vocês trabalham o tema com seus alunos? Como? Vamos lembrar que educação para o trânsito é parte essencial do pacote “educação para a cidadania”.

Escolas e universidades que tenham interesse em exibir o documentário devem entrar em contato com o movimento Viva Vitão pelo e-mail contato@vivavitao.com.br 

Poema com “participação” de Domingos Oliveira

Vamos exercitar a criatividade e sensibilidade? Escolha um diretor de cinema e peça para os seus alunos escreverem um poema utilizando os nomes dos filmes! A proposta também funciona com autores de livros.

Além de divertida, a atividade abre campo para discussões sobre diferentes formas de manifestações artísticas!

Abaixo segue o meu poema. A obra do diretor brasileiro Domingos Oliveira foi minha fonte de inspiração!

Poema com “participação” de Domingos Oliveira

Nas controvérsias de estradas distintas
Passeio em busca de antigos “AMORES”

São vidas que um dia se uniram
E que hoje, separaram-se guardando rancores.

“A CULPA” seguirá sempre comigo
Guardada em meu peito; tecendo tragédias.

Porque me deixei vencer por “FEMINICES” alheias?
Porque lhe fiz conhecer as “DELICIOSAS TRAIÇÕES DO AMOR”?

Posso ter “TODAS AS MULHERES DO MUNDO”, mas de que me adianta?
Se entre tantas, você é a única que me rouba carinhos sinceros!

“SEPARAÇÕES” fizeram-se inevitáveis
Sofri como quem deixa escapar uma última gota de água no deserto

“TEU TUA”, eu repetia incessantemente.

Eu te possuía em pensamentos, eu me possuía em solidão.
Cai em prantos, sem mais te encontrar.

Conheci “AS DUAS FACES DA MOEDA”

Vivi paixões com ardor
Amei você sem limites
E entre esses dois sentimentos, conheci a dor.

Dor que lateja em meu peito
Que arranca-me a felicidade, trazendo consigo a certeza de um término.

* Os trechos destacados ao longo do poema são títulos de filmes de Domingos Oliveira. O diretor produziu 11 longas no decorrer de sua carreira; no poema citei 8. Os que se encontram ausentes são: “CARREIRAS”, “É SIMONAL” e “EDU CORAÇÃO DE OURO”.