Escolas verdes: o mundo precisa delas

De forma crescente vemos surgir, ao redor do mundo, movimentos que buscam propor novos modelos educacionais. O grande questionado é o modelo ‘bancário’ de ensino, que foi definido por Paulo Freire como aquele modelo que consiste numa educação repressora, em que o educador deposita conteúdos no educando, sem reconhece-lo como sujeito autônomo.

Questionar esse modelo é necessário. Uma educação que não faz do aluno protagonista de seu próprio aprendizado jamais será transformadora.

O educador deve promover encontros, instigar, despertar a curiosidade sem, jamais, entregar fórmulas prontas e fechadas: é preciso abrir pontes para a reflexão e para a experiência. Só assim o jovem saíra da escola com criticidade e autonomia suficientes para compreender seu papel no mundo.

Mas, como criar modelos de aprendizagem que consigam dar à educação a capacidade de formar sujeitos livres, autônomos e capazes de transformar a comunidade em que estão inseridos? O designer canadense John Hard nos dá a resposta, com a sua “Green School”, fundada em 2006, em Bali, na Indonésia.

green-school-baliConhecida como a ‘escola mais verde do mundo’, a Green School oferece uma educação natural, holística e centrada nos alunos. Possui um currículo que combina o padrão acadêmico com aprendizagem experimental.

Na escola, os alunos, vindos de diversas partes do mundo, também têm acesso a currículos de Estudos Verdes e de Artes Criativas. A Green School prepara os alunos para serem pensadores críticos e criativos, confiantes para defender a sustentabilidade do mundo e do seu ambiente.

A estrutura física da escola é um dos grandes modelos de arquitetura sustentável do mundo. Toda feita em bambu, 80% da energia elétrica consumida é captada através de painéis solares. John Hardy, e sua esposa, Cynthia Hardy, moram em Bali há mais de 30 anos e reconheceram no local uma oportunidade única para criar algo verdadeiramente inspirador e fora das limitações estruturais, conceituais e físicas de muitas escolas tradicionais.

A Green School é a grande referência de escola verde no mundo, mas não a única. Nos EUA, por exemplo, já são 118 escolas que seguem esse modelo de aprendizagem. No Brasil, porém, o modelo ainda está emergindo. A primeira escola verde brasileira foi instalada na zona oeste do Rio, em 2011. Resultado de uma parceria público-privada, o Colégio Estadual Erich Walter Heine está localizado no bairro de Santa Cruz, que possui um dos IDHs mais baixos da capital.

Com painéis solares, reaproveitamento da água da chuva, iluminação natural, ecotelhado e área para reciclagem, a escola mostra que o modelo inovador já está dando frutos: alunos já estão levando as práticas sustentáveis para o dia a dia de suas famílias; estão, assim, disseminando os valores da sustentabilidade em suas comunidades e têm tudo para, no futuro, se tornarem grandes líderes verdes, que serão capazes de endereçar problemas que hoje afetam seriamente o nosso planeta, como o aquecimento global e a crise hídrica.

A escola foi a primeira da América Latina a ganhar o selo Leed School, que lhe dá reconhecimento internacional de escola sustentável. Também é importante ressaltar que essa foi a primeira escola brasileira a buscar o LEED e a primeira escola pública do mundo a tomar essa iniciativa.

Para ler mais sobre Escolas Verdes, acesse os links:

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Education Hackathon – Por uma educação inspiradora

No próximo final de semana (dias 27 e 28 de setembro) acontecerá, em São Paulo, a terceira edição do Hackathon Educação, um evento global que surgiu com a proposta de debater o sistema convencional de educação, propondo transformações e produzindo conhecimento de forma colaborativa.

O evento, que acontecerá simultaneamente em diversos países, parte do pressuposto que o sistema de educação predominante não apenas no Brasil, mas no mundo, não endereça as reais necessidades de cada indivíduo, prejudicando, assim, o desenvolvimento humano e criando barreiras importantes para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.

A dinâmica do Hackathon é 100% colaborativa. Trata-se de um espaço que permite aos participantes compartilhar experiências educacionais, conectar-se com outras pessoas (formar redes), vivenciar práticas educativas inovadoras e, por fim, cocriar projetos benéficos para uma nova educação.

Neste ano o evento acontecerá ao ar livre, na Praça Domingos Luis, localizada na Zona Norte de São Paulo. A programação contemplará oficinas, rodas de conversa e cocriação de projetos. Para saber mais e confirmar sua presença, clique aqui.

A oficina “ARedu: imaginação coletiva aplicada na educação” está entre as atividades do evento e propõe um questionamento da educação por meio da pintura, do resgate de memórias pessoais e da poesia.

Todas as vivências serão baseadas na lógica da cocriação. Para Beatriz, Carolina e Clara, idealizadoras da atividade, “interações colaborativas podem trazer olhares inovadores para construir novos rumos para a educação.”

Quer participar? Confirme sua presença!

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SERVIÇO

Quando? Dias 27 e 28 de Setembro, a partir das 10h

Onde? Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, nº 1000 (ao lado da estação Vergueiro do Metro)

 

A responsabilidade com o mundo

‘A moral dominante desumaniza a natureza e desnaturaliza o homem”

Cristiane Yuka

Ontem tive o privilégio de assistir uma aula inesquecível. Uma aula daquelas que mexem com a gente e fazem a diferença. O tema era ‘Ética e Sustentabilidade’ e, confesso, não consegui segurar as lágrimas. A professora propôs reflexões que já fazem parte da minha vida, mas pensar junto é sempre gratificante, ainda mais quando a oradora é sensível e consegue passar verdade e emoção em suas palavras.

“Ética” e “sustentabilidade”, palavras que escutamos com frequência. Mas, sabemos o real significado de ser “ético” e “sustentável”? Agimos de acordo com esses dois ideais?

É difícil ser integralmente ético: quem nunca colou na escola ou furou o sinal vermelho numa madrugada qualquer? Sim, essas são atitudes que vão contra uma postura considerada ética. E, se falamos em ‘ética’, falamos em integridade e responsabilidade. Responsabilidade com você, com o mundo, com o próximo. Falamos de valores.

Colar parece muito natural; quem nunca? Mas, trata-se de uma mentira que você conta a si próprio e, assim, coloca em questionamento a sua integridade.  O mesmo raciocínio vale para queles que furam o sinal vermelho, ao fazê-lo, você coloca em risco a sua vida e a vida do próximo. São atitudes que parecem pequenas, mas que já possibilitam uma primeira discussão sobre ética e também sobre sustentabilidade, uma vez que a ideia central desta última é a preservação da vida. Temos que agir de modo a preservar e cuidar da nossa morada, mas, dentro da nossa arrogância, acabamos desnaturalizados, separados da nossa essência e raiz, que é a natureza e, desta forma, perdemos a consciência de que devemos cuidá-la e amá-la.

Sustentabilidade e Ética

A ética baseia-se em valores e difere-se da moral no sentido em que está última está calcada em normas. Ambas são necessárias para uma vida em sociedade, mas a ética destaca-se, já que é genuína à pessoa, que, se for íntegra, não precisará de normas para guiá-la; agirá de acordo com seus valores, que devem ser baseados no olhar ao próximo e ao mundo, sempre de forma a beneficiá-los. Ou seja, valores que priorizem a sustentabilidade da vida.

Ética é uma construção, aprende-se dentro da comunidade em que se está inserido, aprende-se dentro de casa, na escola, na mídia. Aprende-se a partir das relações estabelecidas e, neste momento, podemos pensar no tamanho comprometimento que existe quando decidimos colocar uma pessoa no mundo.

Os adultos, a partir do momento em que decidem ter um filho, devem estar cientes de que estabelecem uma enorme responsabilidade com o mundo, visto que devem educar esse filho para servir a comunidade da qual fazem parte, de modo a desenvolvê-la de forma justa e sustentável. Esse é o maior sucesso que os pais podem alcançar: tornar seus filhos pessoas éticas e responsáveis. Mas, para que isso seja possível, existe um trabalho delicado (e árduo).

A construção de valores é diária, e vem de exemplos, de experiências, de conversas, de interações. Pais que não são responsáveis ou éticos, dificilmente conseguirão criar filhos com sentido de comunidade e compreensão holística sobre o mundo e a importância de sua preservação.

A construção de valores está nos detalhes. E já que estamos próximos do dia das crianças, usarei a data como exemplo.

Sábado, shoppings lotados. Pais levam seus filhos para escolher o brinquedo ‘mais bacana’. Soltam as crianças dentro daquelas lojas megalomaníacas, repletas de cores, sons e cheiros que induzem única e exclusivamente ao consumo. O filho escolhe o que quer, os pais compram. Chegando em casa, a criança, animada com o presente, brinca uma, duas, três, cinco vezes. Depois coloca a geringonça de canto e já pede o próximo e, assim, constrói-se um comportamento de consumo desenfreado. Qual valor foi criado neste contexto? O valor do consumo e todas as suas implicações, por exemplo: ansiedade, desejo e insatisfação.

Bom, mas não podemos negar a data, certo? Ela existe, foi imposta pela lógica de mercado e reforçada pela mídia. Contudo,  há outras formas de vivenciar o dia das crianças. Ao invés de dar um brinquedo, construa uma experiência. Faça um brinquedo junto com seu filho, pinte um quadro, leve ele a um parque ou museu, crie uma experiência compartilhada que, além de estreitar os laços entre pais e filhos, ficará marcada na vida da criança e poderá modificá-la, de modo a construir valores que levarão a uma postura ética e sustentável.

Uma experiência, como pintar um quadro ou construir um brinquedo em conjunto, criará o senso de comunidade, de compartilhamento, valorização da arte e de pequenos prazeres da vida, que podem ser simples, porém grandiosos. Um passeio no parque, por exemplo, pode contribuir para que a criança desenvolva o seu entendimento sobre a natureza e se aproxime dela. Enfim, são escolhas. E essas escolhas, feita pelos pais, terão grande influencia nas escolhas e na postura que os filhos tomarão na vida adulta.

Por isso, ao colocar um ser humano no mundo, pense cuidadosamente em suas escolhas e exemplos, pois eles irão influenciar a construção de valores (a construção ética) de seus filhos e, dependendo dessa construção, o mundo será beneficiado ou prejudicado.

O Marketing de Guerrilha a favor da cidadania

Como comentei em meu último post, o Educomunicação entrou para o Projeto Ciranda de Blogs. A cada semana, um tema é escolhido e debatido por todos os blogueiros que fazem parte da iniciativa. O tema dessa semana é “Marketing de Guerrilha”. Confira abaixo a minha primeira contribuição para o projeto.

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Iniciei minha carreira no terceiro setor e nele estou até hoje (com vontade de permanecer ainda por muito tempo). Conheço de perto as satisfações e dificuldades em trabalhar em um setor que tem a captação de recursos como atividade central, pois disso depende para se manter e cumprir a função social a qual se dispõe. A captação, porém, é sempre um grande desafio e, por isso, praticamente  toda organização da sociedade civil precisa ser muito estratégica e otimizar os recursos disponíveis (financeiros ou não) para alcançar seu objetivo e missão.

A busca (ou quase necessidade) por baixo investimento e alto impacto acompanham ONGs em praticamente todas as sua ações e, devido a essa realidade, podemos pensar que as características do Marketing de Guerrilha servem perfeitamente aos interesses dessas entidades sociais que estão, a todo momento, quebrando a cabeça para fazer ‘mais com menos’.

Mas, o que é Marketing de Guerrilha?

O termo foi criado pelo publicitário americano Jay Conrad Levinson e se inspira na modalidade de guerra de guerrilha, um tipo de conflito em que há desproporcionalidade entre os rivais e, assim, o lado mais fraco deve fazer uso de táticas de combate inusitadas, que possam atingir o adversário não necessariamente por meio da força, mas sim por meio da criatividade, do inesperado, da surpresa, enfim, por meio do uso de armas improvisadas ou uso alternativo de armas convencionais. Se pensarmos no contexto do Marketing e da Comunicação, teríamos empresas menores (e com menos recursos) impondo-se num mercado extremamente competitivo por meio de ações não convencionais e fazendo uso de mídias alternativas. Segundo definição da America Marketing Association, o Marketing de Guerrilha pode ser definido como uma prática “não convencional que pretende obter resultados máximos a partir de recursos mínimos”.

Outro ponto interessante é que as ações de guerrilha geralmente se adaptam ao cenário existente, ou seja, utilizam os recursos que o ambiente oferece e são realizadas em momentos estratégicos, em que o público alvo encontra-se mais vulnerável e acessível a receber a mensagem. Geralmente, pelo seu caráter inusitado, esse tipo de ação desperta curiosidade e acaba gerando o boca a boca. Além disso, também apresentam grandes chances de ganhar mídia espontânea (uma das principais vantagens deste tipo de ação).

O Marketing de Guerrilha e o Terceiro Setor

manifestantes_ACTBr

No terceiro setor, as ações de guerrilha nem sempre visam combater grandes marcas ou divulgar produtos, mas sim engajar a população em causas sociais e lutas por melhorias em políticas públicas. O Marketing de Guerrilha coloca-se , portanto, a favor da cidadania. Temos, como exemplo, a ação organizada pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACTBr).

Em prol da luta contra o tabagismo, manifestantes reuniram-se, em 2008, em frente a um hotel no Rio de Janeiro, onde estava ocorrendo o Encontro Anual da Indústria do Tabaco. Vestidos de caveira, fixaram 200 cruzes  ao longo da praia, como forma de denunciar as 200 mil mortes causadas por ano no Brasil em decorrência do tabagismo.

A ação teve cobertura da grande mídia, foi capa do jornal O Estado de São Paulo e as atenções que, a priori, estavam voltadas ao Encontro da Indústria acabaram voltadas à manifestação. A ação também ganhou enorme espaço nas redes sociais: com a hashtag #LimiteTabaco, internautas cutucavam políticos e tomadores de decisão.

Outra ação de guerrilha de caráter social é aquela que ocorre durante o mês de outubro e que ilumina monumentos importantes em diversas cidades ao redor do globo. Trata-se do “Outubro Rosa”.

outubro_rosa_Brasil

O movimento teve início nos EUA, em 1997, e logo conquistou o mundo. No Brasil, diversas cidades já aderiram à iniciativa. Geralmente são grupos ou entidades sociais que, por meio de captação de recursos, conseguem viabilizar a ação. Em São Paulo, o Monumento às Bandeiras já foi iluminado com a cor rosa, no Rio, o Cristo Redentor e, em Curitiba, o Jardim Botânico.

Além de gerar curiosidade e boca a boca, a ação também gera grande repercussão midiática. No ano passado, os principais jornais do Estado de São Paulo veicularam imagens da intervenção. A mensagem embutida na ação é um alerta às mulheres, para que cuidem da saúde das mamas e, assim, previnam o câncer.

Por fim, deixo mais um exemplo em que o Marketing de Guerrilha foi utilizado em prol de causas sociais. Em Atlanta (EUA), a ONG End It transformou um caminhão em mídia. O veículo circulou pela cidade escancarando o horror enfrentado por mulheres que são traficadas e vendidas como “escravas sexuais”. A ação teve como objetivo informar a população que o tráfico de mulheres tem relação com grandes eventos esportivos, além de mostrar a severa realidade das vítimas, que são violentadas, marginalizadas e expostas a inúmeros riscos.

São muitas as ações de guerrilha utilizadas como forma de protesto ou como um convite ao engajamento social. Inviável citar todas, mas deixo a mensagem que com criatividade, inovação e empenho podemos derrubar preconceitos, lutar por melhoria e implementação de políticas públicas, promover bem-estar social e, por fim, utilizar táticas simples para gerar grande impacto e, nesse caso em específico, para gerar um mundo melhor e mais justo.

O que é ‘Advocacy’?

Há pouco tempo participei de um treinamento sobre ‘Advocacy e Políticas Públicas’ e percebi que já abordei neste blog diversos exemplos que poderiam ser categorizados como ‘ações de advocacy’, mas, como na ocasião não conhecia o termo, não fiz a relação entre os cases citados e o conceito. Faço agora.

O primeiro passo é entender o que é advocacy?

O advocacy (que não possui tradução para o português) é um exercício de cidadania; envolve realizações de iniciativas que visam a defesa de uma causa ou de uma proposta de interesse público. Por meio de diversas ferramentas (como passeatas, documentários, abaixo-assinados, audiências, mídia de massa e espontânea, reuniões, etc.) procura-se intervir nas políticas públicas, influenciando, por exemplo, a elaboração de projetos de lei.

AdvocacyAs ações de advocacy buscam influenciar, diretamente, tomadores de decisão responsáveis pela definição das políticas públicas, ou seja, têm como grande finalidade influenciar o governo.  Mas, para alcançar os políticos (deputados, senadores, presidente,…) é fundamental mobilizar a sociedade civil, para assim conseguir apoio da opinião pública e então, pressionar os tomadores de opinião a favor da causa defendida.

Qualquer pessoa ou instituição que tenha interesse em influenciar a elaboração de leis e políticas públicas pode promover ações de advocacy, mas, para obter sucesso, é preciso construir um plano sólido, com estratégias e objetivos bem estruturados. Definir a causa a ser defendida, estudar o cenário em que se está pisando, construir e engajar grupos de apoio são alguns dos passos fundamentais para uma estratégia de advocacy dar certo.

Caso o objetivo seja alcançado e a lei por qual se luta implementada, é essencial que haja fiscalização do cumprimento dessa lei, ou seja, a iniciativa de advocacy é contínua, um monitoramento constante das ações do governo em relação à determinada política pública. A associação/pessoa/empresa que luta por uma causa deve se fazer presente em tempo integral. Não basta que o governo implemente uma lei, é preciso cumpri-la.

Os desafios

O dever do governo é ouvir as demandas da sociedade e trabalhar em prol do bem-estar dos cidadãos, porém, existem fatores que acabam interferindo no compromisso do governo com a sociedade e prejudicando a implementação das políticas públicas, que deixam sua finalidade primeira de lado para atender aos interesses do empresariado.

Grandes empresas financiam candidaturas e exercem imenso poder econômico sobre os partidos políticos, assim, cria-se uma enorme barreira para a ação ‘transparente’ dos governantes, que acabam aprovando leis que beneficiam e são do interesse do empresariado e, dentro deste contexto, a sociedade fica em segundo plano. (Como exemplo podemos citar a tentativa do Instituto Alana – com apoio da sociedade civil – em regular a propaganda de alimentos para crianças: o empresariado pressionou os legisladores e conseguiu barrar a aprovação do projeto de lei).

Exemplos de Advocacy:

Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. (Luta pela implementação de leis mais rigorosas em relação a atuação da propaganda direcionada ao público infantil)

Aliança de Combate ao Tabagismo (ACTbr) (Luta pela implementação de leis mais rigorosas de controle do tabaco)

Organização Viva Vitão e Não foi acidente (Lutam pela implementação de leis de trânsito mais rigorosas)

Conhece outras iniciativas? Compartilhe conosco no espaço para comentários!

A geração internet e o engajamento cívico

É comum ouvirmos que os jovens de hoje não se interessam por política e que possuem, até mesmo, aversão ao assunto. Talvez essa impressão esteja equivocada e, o que na verdade ocorre, é que esses jovens sintam-se desiludidos com o modelo político convencional, em que a ideia dominante é “nós votamos, eles governam”.

Os jovens da geração digital parecem querer mais que isso. Nasceram em uma realidade em que a participação e cooperação são possíveis; por meio da internet e das redes sociais conseguem expor seus pensamentos, opiniões e até mesmo influenciar decisões governamentais, como ocorreu com a campanha política do presidente americano Barack Obama, em 2007. Eles descobriram que, por meio das ferramentas online, podem lutar pelo o que acreditam.

A campanha de Obama, comandada pelo jovem Chris Hughes, foi sucesso absoluto e é sempre um ótimo case a ser avaliado quando o assunto tangencia os temas geração digital, redes sociais e política.

Hughes explorou a sede de mudança (comum aos jovens), mas inovou, ao entender que, agora, esses jovens estavam na internet e mais do que isso, estavam acostumados com a dinâmica do ciberespaço. Ele trouxe a vida política aos adolescentes da geração Y e confirmou que sim, existia interesse político entre eles.

A participação é fundamental para a geração internet, eles precisam “fazer parte” para se sentirem  motivados. Chris Hughes deu isso a eles: possibilidade de participarem da eleição de Obama de forma ativa e não por meio de campanhas tradicionais, em que, geralmente, o cidadão se torna mero espectador dos discursos proferidos pelos candidatos.

Obama sempre trouxe os cidadãos para perto de si, afirmando que eles eram fundamentais para a sua eleição, não como meros eleitores, mas como pensantes, como pilares de seu governo e, ao invés de oferecer frases de efeito, ofereceu ferramentas para construir um eleitorado engajado e ativo.

A grande sacada foi transferir toda essa energia que existe na internet para o “campo de batalha”, ou seja, usar as redes sociais e demais ferramentas online como meio para eleger Obama. Para isso foi criado o site my.barackobama.com, completamente interativo, o que despertou forte sentimento de comunidade e valorizou o poder do povo.

A campanha teve enorme êxito e mostrou que o ambiente online se tornou ferramenta política tão fundamental quanto as mídias tradicionais. Na TV não existe diálogo, o cidadão é exposto ao horário político sem que possa mostrar seu posicionamento; cria-se um enorme distanciamento entre eleitorado e candidatos. Já nas redes sociais, como o twitter, a aproximação acontece e, Obama, fez isso muito bem.

As ferramentas online, porém, não servem apenas para engajar durante as eleições, mas dá aos jovens a possibilidade de monitorarem de perto seus candidatos, cobrando posicionamentos e ações. Esses jovens possuem ferramentas sem precedentes para lutarem por mudanças. Precisam, para isso, ser estimulados e alertados acerca do poder que têm nas mãos. Eles não apoiam mais o modelo “nós votamos, vocês governam”; querem ter voz ativa no governo e, se precisar, não duvidem, ainda vão para as ruas, como acontecia há anos, quando a internet não existia.

Um bom exemplo de que os jovens usam o ambiente online como ferramenta política, mas não se restringem à ele, foi o recente manifesto “Amor sim, Russomanno não”, organizado por ativistas online para evitar que o candidato à prefeitura de São Paulo fosse eleito. A Praça Rossevelt, palco da manifestação, lotou.

A geração formada por esses “jovens digitais” não se contenta em assistir sem participar. Eles querem ser mais do que eleitores, querem ser colaboradores. E, se ignorados, vão arranjar meios de externar suas lutas – construir seus próprios canais de comunicação, produzir seus próprios vídeos, notícias, entrevistas, organizar fóruns e assim, mostrar que buscam participação ativa nas decisões políticas.

Portanto, talvez seja duvidoso afirmar que não são interessados em política. Eles querem um novo jeito de fazer política.

2° Seminário de Políticas e Novas Mídias

Para quem se interessa por política e novas mídias, a dica que vou deixar aqui é imperdível. Eu me interesso bastante e utilizo as redes sociais diariamente, também como ferramenta política.

Dia 6 de julho, entre às 9h30 e 16h30, vai acontecer em Brasília o 2° Seminário de Políticas e Novas Mídias.

A agenda do evento está bem bacana. Pela abordagem dos temas, fica claro que o público-alvo contempla, majoritariamente, políticos e seus assessores, pois discute maneiras de gerenciar crises, perigos e vantagens das redes sociais para a imagem dos candidatos, além de dar diretrizes sobre como os políticos devem fazer uso das redes sociais para falar com os cidadãos.

Ok, com uma agenda dessas parece que o evento é restrito aos políticos. Engano.

A abordagem dada às discussões provavelmente não falará diretamente com o cidadão e sobre como ele pode utilizar as redes sociais a favor das causas que acredita e pelas quais luta, falará aos políticos, sobre como gerenciar essa nova realidade que se impõe ao cenário no qual estão inseridos.

Exatamente por isso acho interessante assistir o seminário (para conhecer as estratégias traçadas pelo governo e, assim, conhecer com quem estamos falando e como nosso interlocutor se comporta nas redes sociais).

Eu uso ferramentas como Twitter, Facebook, Instagram diariamente e, no âmbito político, já tive ótimos retornos. De fato existe um canal aberto de comunicação com os políticos, eles estão nas redes sociais e, se forem provocados, devem reagir, até mesmo para manter a boa vizinhança com seus eleitores potenciais.

Já participei de uma mobilização que deu super certo! A luta foi pela aprovação de um projeto de lei no senado. A mobilização via Twitter foi tão grande e significativa que a solicitação entrou na página principal do “Alô Senado” e, no dia da votação, a manifestação via redes sociais foi citada como uma das maiores já vistas pelo senado.

Vale dizer que o projeto em questão teve aprovação unânime pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e os senadores reconheceram a enorme demanda que chegou via mídias sociais.

Para alguns, democracia via novas mídias parece muito otimista ou quase irreal (já ouvi isso de amigos). Eu, porém, acredito na força política dessas ferramentas. Acho que as redes sociais estão a favor da população e suas demandas.

Para quem quiser saber mais a respeito do evento, clique aqui. E se você não puder comparecer, haverá transmissão online neste link.

Mão na direção também é educação

Outro dia, num feriado chuvoso, eu estava com amigos na frente da TV assistindo o noticiário. Claro que, entre uma ou outra novidade boa, o que predominava eram as tragédias inimagináveis, por exemplo, fazer picadinho de marido adúltero.

Mas essa nem nos tocou tanto, afinal, parece quase surreal, coisa que não acontece fora da tela do cinema. O que realmente nos fez ficar em silêncio e prestar atenção foi a seguinte notícia: “Cresce número de acidentes por motoristas com celular ao volante”.

Caramba! Todos nós confessamos que sim, fazemos isso! Nos preocupamos tanto em não beber para manter a segurança no volante, mas de que adianta estar sóbrio dividindo o olhar entre o trânsito e a mensagem ou a ligação que acabamos de receber?

Qual o motivo dessa necessidade infinita de estarmos, a todo o momento, em contato com “Deus e o mundo”? Às vezes o que temos ali na tela do celular nem é algo sério ou urgente, mas mesmo assim parece suficiente para prender a nossa atenção e, sem atenção, convenhamos, as chances de um acidente acontecer aumentam consideravelmente.

Refleti bastante e, depois de assistir essa reportagem, mudei meu comportamento. Eu era uma dessas loucas que dirigem com uma mão na direção e a outra no celular, às vezes, duas mãos no celular!

Sem dúvida essa “sentada” na frente da TV, que tinha como único objetivo passar o tempo, acabou fazendo diferença significativa na minha vida. Educação para o trânsito é essencial e com certeza faz parte do pacote para nos tornamos cidadãos plenos e responsáveis não só por nossa vida, mas pela de todos que nos cercam e dividem o mesmo espaço que o nosso.

Pegando gancho nesse assunto, vou reviver um post antigo, que trata sobre o tema. Quem se interessar, clica aqui! É sobre o Projeto “Se Essa Rua”, que oferece uma proposta para os professores inserirem a educação para o trânsito no currículo escolar.

Educação para o Trânsito

Outro dia, durante um de meus “passeios online”, conheci o programa “Se essa rua fosse minha” e achei incrível! Por isso separo esse espaço para falar sobre ele.

Como todos sabem, o trânsito em São Paulo anda de mal a pior. Cada vez mais carros na cidade, e à medida que cresce o número de automóveis parece crescer também a irresponsabilidade das pessoas. Não há respeito no trânsito. Pessoas  invadem a faixa de pedestre, furam o sinal vermelho, xingam o motorista ao lado e pior… Pessoas que agridem fisicamente, que dirigem bêbadas e que matam.

Que situação é essa? Parece terra de ninguém. Cada um faz o que bem entende e assim o trânsito se torna ameaçador. Pais ficam aflitos ao verem seus filhos saírem de carro, pedestres temem que o pior aconteça e a qualidade de vida e noção de cidadania vão literalmente para o saco.

Como resolver essa cultura agressiva e irresponsável que está enraizada em tantas e tantas pessoas?

Pergunta difícil, já que grande parte dos motoristas é composta por jovens adultos ou adultos maduros que, portanto, já foram formados e já possuem crenças e comportamentos difíceis de serem remodelados. Apesar do cenário pouco animador, não devemos abrir mão de tentar reeducar esses adultos, porém, a grande mudança está no futuro, na geração de motoristas que está por vir, ou seja, nas crianças de hoje.

É nesse momento que começo a falar sobre o programa “Se essa rua fosse minha”, que tem como finalidade educar exatamente esse público.

Como funciona o programa?

Trata-se de um projeto que se compromete em distribuir materiais educativos sobre o trânsito para as escolas. Com materiais atrativos, práticos, objetivos e de fácil execução por alunos e professores, o “Se essa rua fosse minha” incentiva que crianças sejam educadas para o trânsito desde cedo.

Educação para o trânsito

Para o “Se essa Rua fosse minha”, a educação para o trânsito deve ser tratada como um processo permanente, de responsabilidade de toda a sociedade, mas sem esquecer que cada lugar tem suas peculiaridades. Nem todas as cidades possuem o mesmo “aparato tecnológico”. Assim, “Se essa rua fosse minha” é de fácil aplicação tanto nos grandes centros urbanos, quanto nas pequenas cidades.

Mas… Como educar para o trânsito?

O programa oferece diversas maneiras para que essa educação aconteça. Como estamos falando com crianças e jovens, a criatividade e sedução são fundamentais!  Músicas, materiais didáticos extremamente ilustrativos e coloridos e até redes sociais fazem parte da estratégia pedagógica! Clique aqui para conhecer o material fornecido pelo programa.

Benefícios

A proposta do “Se essa rua fosse minha” é incluir a educação para o trânsito no currículo escolar, pois assim o tema torna-se constante na vida dos alunos. O programa não oferece benefícios apenas à formação individual, mas tem impacto direto na dinâmica social. Ao se tornar um cidadão consciente e responsável em relação ao trânsito essa criança irá refletir  esse comportamento no trânsito, tonando-se não um vândalo, mas sim um cidadão ativo e responsável, consciente de seus deveres e direitos no trânsito e assim, se formarmos uma geração com essa noção de cidadania com certeza teremos um trânsito melhor.

Mídia e cidadania: a cultura das minorias

Vivemos em uma sociedade que pode ser chamada “midiatizada”, na qual os meios de comunicação surgem como espaços importantes para a interação social e assim, tornam-se terrenos relevantes para o exercício da cidadania.

As ferramentas de comunicação dão voz àqueles que buscam afirmar seu lugar na sociedade e que lutam para fazer do mundo um lugar melhor. Devido ao processo de midiatização que marca a dinâmica das sociedades contemporâneas, os indivíduos se vêem frente a novas formas de relacionamento com o mundo e com seus semelhantes; a mídia passou a ser um dos grandes elementos reguladores da relação do homem com o seu ambiente e seus pares, além de gerar possibilidades inéditas de manifestações e expressões cultural, política e social.

Os discursos midiáticos têm poder inigualável e interferência direta na construção do imaginário coletivo. Mensagens transmitidas nos espaços midiáticos modelam comportamentos e ideologias e por isso a mídia é, atualmente, um dos principais terrenos onde ocorrem as interações entre os indivíduos.

Podemos dar atenção especial, dentro deste contexto do qual falamos, à cultura da minoria e sua relação com a mídia.

Mídia e Cultura das Minorias 

O entendimento sobre “minoria” deve ir além de mera conotação quantitativa, em que ela coloca-se como inferior, mas devemos entender que “minorias” são movidas pelo impulso e a vontade de transformação e que se movimentam para tentar mudar situações de conflito ou situações em que se veem vulneráveis diante da legitimidade institucional e diante das políticas públicas. Tendo em vista este perfil, podemos dizer que a midiatização da sociedade gerou um emponderamento das minorias, que encontraram no espaço midiático mais um grande aliado às suas lutas.

 A mídia como espaço para o exercício da cidadania

No terreno midiático, a minoria pode se mostrar à sociedade e se fazer ouvir, pode apresentar ao mundo suas insatisfações e desejos de transformação, pode transmitir e criar seus valores, ideias, símbolos e com isso, incentivar comportamentos. Assim, ao fazer uso do espaço midiático como lugar de manifestação e luta, essa minoria está, também, exercendo sua cidadania, ao passo que, ao se manifestar, fala de si, constrói, promove mudanças e garante seu direito a cultura, que não se resume apenas em consumi-la, mas em produzi-la e difundi-la.

No momento em que se apoderam dos meios de comunicação para se manifestar e exercer sua cidadania, as minorias garantem seu lugar em um sistema público que muitas vezes a excluem. Se o Estado não incorpora e não reconhece a todos de forma igualitária, são os diferentes grupos sociais que se unem e se posicionam de modo a romper um ciclo de privilégios e assim, lutam para garantir seus direitos como cidadãos, assumindo postura social participativa, que não apenas assume papel de receptor de valores, símbolos e ideologias, mas que também cria e constrói aquilo que acreditam ser necessário para tornar a sociedade da qual fazem parte um lugar melhor.

Meios de comunicação e emponderamento social

Os meios de comunicação são, portanto, lugares-chave para esse emponderamento dos indivíduos. No cenário atual, é (também) por meio das diferentes ferramentas de comunicação que os grupos sociais ganham voz, se colocam para a sociedade e travam suas lutas. Assim, podemos dizer que os meios de comunicação são, claramente, espaços fundamentais para o exercício da cidadania.

Para complmentar a leitura sugerimos o texto “Ciberativismo“. Confira!