O direito ao amor

Declaração Universal dos Direitos das Crianças (UNICEF)

Princípio VI – Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.

Amor; um sentimento que deve ser garantido a todas as crianças do mundo! Só assim elas poderão viver o presente em harmonia, e serão capazes de conduzir um amanhã semeado por sonhos, justiça e igualdade.

Estamos falando sobre um direito mas, sobretudo, de um alimento para a vida.

Uma criança amada e amparada terá forças para lidar com as dificuldades do mundo e crescerá com a capacidade de acreditar em si mesma e nos outros. Valorizará o respeito às diferenças e o bem ao próximo.

Nós, adultos, precisamos, a todo o momento, e sem descanso, dar exemplos de carinho e amor às crianças, criando espaços de escuta e compreensão. Parece simples, parece natural, mas, infelizmente, ainda vemos pais batendo nos filhos, punindo, gritando; ainda vemos adultos individualistas e egocêntricos.

Somos todos educadores e nossa responsabilidade com o mundo é contínua: ao educar crianças, estamos cuidando delas e do mundo, simultaneamente.

Sem o afeto, porém, não conseguiremos construir um mundo mais digno e bonito de se viver. A vida é delicada e o amor está entre os principais combustíveis para a sobrevivência humana.

Que todas as crianças tenham seus direitos respeitados e possam ser verdadeiramente amadas, por todos aqueles que participam da sociedade.

Foto: Pixabay

 

 

 

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Experimentar o mundo! Um belo começo para transformá-lo.

Podemos (e devemos) ser sujeitos das mudanças que queremos ver no mundo. Acredito no líder Mahatma Gandhi, quando ele diz: “De modo suave, você pode sacudir o mundo.”

Geralmente, uso este espaço para divulgar iniciativas que me atraem e que têm a ver com aprendizados que estão ‘além dos muros da escola’. Hoje não será diferente. Falarei de empoderamento social, assunto indivisível à Educomunicação.

Existem muitas maneiras de compreender o mundo. O estudo formal é uma delas. Por meio dos livros, adquirimos embasamento intelectual para entender o contexto em que estamos inseridos e nos tornamos sujeitos críticos e questionadores – não mais alheios ao que nos cerca.

Porém, há outras maneiras de adquirir essa compreensão; maneiras que estão além dos livros, além das falas de professores, além (muito além!) de provas e trabalhos de conclusão de curso.

Aprender com a ‘escola da vida’, por exemplo, é uma forma extremamente rica de experimentar e discutir o mundo.

É claro que apoio o estudo formal e acredito que ele seja essencial para a construção de todo e qualquer ser humano, mas, “se jogar” na escola da vida me parece tão essencial quanto a formalidade das salas de aula.

Vou pegar como exemplo para essa discussão o tema da desigualdade social (e em breve vocês compreenderão o motivo).

Quantas vezes não discutimos a pobreza do mundo? A desigualdade que paira sobre a humanidade (principalmente nos grandes centros). Quantas vezes não ficamos indignados com números que indicam enormes grupos de pessoas sem um teto para viver. Quantas provas, quantos telejornais, quantos livros já não discutiram a relação entre desenvolvimento econômico e desigualdade social?

Há muitos estudos e teorias sobre o tema, mas não precisamos de livros ou telejornais: a verdade nos passa aos olhos todos os dias; no caminho para o trabalho, na ida à padaria, num passeio durante o final de semana. Há muitas pessoas morando nas ruas! A desigualdade vem à tona. É cruel. É triste. É injusta. É, por fim, realidade.

Grupo que entregou amor por SP na última quarta-feira, 23 de julho.

Grupo que entregou amor por SP na última quarta-feira, 23 de julho de 2014.

Trata-se de uma questão social relevante ao nosso país, um dos mais desiguais do globo. O problema passa por questões políticas e econômicas, é herança de um planejamento de país deficiente.

Assim, nem tudo está sob nosso controle, mas há maneiras de colaborar para o aprimoramento do contexto: uma é por meio de nossas escolhas políticas (o voto), outra é por meio da sociedade civil organizada, que pressiona os governantes e age dentro de sua alçada.

O importante é não aceitar o inaceitável; não fechar os olhos para problemas graves, como é o caso da desigualdade social.

No Brasil (e em tantos outros lugares do mundo) existe uma verdade dolorida. Enquanto uns esbanjam, outros não possuem quase nada. É o caso dos tantos moradores que habitam as ruas das mais diversas cidades brasileiras. A desigualdade está logo ali, está aqui, está por toda parte! E isso é inaceitável.

É inaceitável um ser humano viver sem casa, sem comida, sem carinho, sem apoio e atenção. É de despedaçar almas e corações. São muitas ausências.

Alguns argumentam, porém, que existem os tais albergues – que possibilitam aos moradores banho e comida. Mas não me parece suficiente. O ideal seria que essas pessoas não estivessem nas ruas, que não precisássemos, sequer, debater o tema. Mas, infelizmente, o problema existe e não pode ser ignorado.

Pessoas que possuem o céu como teto são muitas. As iniciativas públicas, por sua vez, são poucas e não contemplam a integração dos moradores de rua à sociedade. Mas, não precisamos recorrer ao universo político para ficarmos entristecidos: muitos daqueles que cruzam diariamente com esses moradores não são capazes de, simplesmente, lhes oferecer um sorriso.

Falta respeito. Falta reconhecimento. Falta amor. Falta percepção sobre o mundo!

Os desafios que enfrentamos são enormes (e inúmeros!) . Se, enquanto sociedade civil, não podemos provocar mudanças estruturais, podemos empreender ações que contribuam para melhorar a qualidade de vida destes tantos moradores de rua.

Vou dar um exemplo de uma ação que conheci nesta semana e que me inspirou a escrever este texto.

Em São Paulo, imensa metrópole que habito, existe a iniciativa Entrega por SP. São jovens que recebem doações (roupas, comida, itens de higiene) e se organizam para entregar os kits aos moradores das ruas da cidade. Porém, é importante dizer que eles não fazem uma mera entrega de cobertores e pastas de dente. Eles entregam algo maior. BEM MAIOR.!

Um kit jamais será entregue sem que se saiba o nome da pessoa, sem que se conheça, mesmo que brevemente, a sua história de vida. Chamar pelo nome, olhar nos olhos, abraçar e beijar: entregas que todos nós precisamos.

ELES ENTREGAM AMOR.

É algo suave, capaz de provocar transformações importantes, capaz de tornar o mundo um lugar mais bonito.

Uma verdadeira ‘escola da vida’, que possibilita trocas enriquecedoras. Um ensinamento que está além dos tantos livros que discorrem sobre as desigualdade e injustiças que existem em nosso planeta. Uma experiência que provoca reflexões inevitáveis, que proporciona um autoconhecimento e um reconhecimento do outro sem igual.

Experimentar o mundo! Um belo começo para transformá-lo naquilo que acreditamos ser  justo e ideal.