Social learning: uma nova forma de aprender!

Já conhece o Brainly.com.br? A ferramenta, que está presente em 30 países, foi lançada no Brasil no final de 2012 e tem como objetivo reunir em um mesmo espaço alunos do ensino fundamental, médio e superior permitindo troca de conhecimento e ajuda mútua.

Além de possibilitar o aprendizado, a plataforma permite ao jovem conhecer novas pessoas e fazer amizades com alunos de todo o país. Neste sentido, a ferramenta se encaixa na categoria de ‘social learning’, uma vez que utiliza tecnologias presentes nas redes sociais para potencializar o aprendizado e a aquisição de conhecimento contínuos. Brainly

Como funciona?

A plataforma é gratuita. O primeiro passo consiste em realizar um cadastro no site (uma vez cadastrado, você passa a integrar a rede). Como membro, você lançará dúvidas (aguardando respostas de outros participantes) e ajudará outras pessoas nas áreas que domina.  

Posso confiar nas respostas que recebo?

A qualidade das respostas é assegurada por moderadores voluntários (pais, professores ativos e aposentados, estudantes e alunos que se destacaram no portal). Conteúdos incorretos são reportados pelos usuários aos moderadores, que rapidamente verificam as respostas colocadas.

Para engajar e motivar os participantes, o Brainly conta com um sistema de gamificação (ranking, pontuação, etc). Para ganhar pontos, por exemplo, é necessário ajudar os demais membros a esclarecerem dúvidas. A estratégia de gamificação garante dinamismo à ferramenta e potencializa o envolvimento dos participantes.

GOSTOU? FAÇA PARTE!  –> http://brainly.com.br/

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Internet para crianças: quais os limites?

Começo esse texto recuperando uma cena que vivenciei há pouco tempo. Estava eu em uma sala de espera e, enquanto uma mãe era atendida, sua filha aguardava ao meu lado. A menina, que deveria ter por volta de 8 anos, estava completamente deslumbrada, manejando de forma bastante confortável um Iphone.

Não sei se aquele Iphone tinha ou não internet, não sei se a mãe fiscalizava quais eram os aplicativos utilizados pela menina, não sei quais eram as restrições impostas pelos pais para que aquela criança pudesse ter esse mini computador nas mãos.

Mesmo sem ter acesso a todos esses detalhes, pensei: “que mãe mais displicente! Eu jamais deixaria minha filha de 8 anos sozinha, com uma geringonça dessas nas mãos, afinal, não sei o que ela poderá acessar ou com quem poderá se comunicar”. Por um segundo, me senti careta e fiquei com medo de me tornar uma daquelas mães neuróticas.

Depois de ter presenciado a cena da criança com o computador/Iphone nas mãos e  de ter me passado tal reflexão pela cabeça, resolvi pesquisar o assunto e encontrei materiais bastante interessantes, que se preocupam em garantir o uso seguro da internet por crianças, pré-adolescentes e adolescentes.

Criança e internet: orientação dos pais e educadores é fundamental para garantir uso seguro e responsável

Criança e internet: orientação dos pais e educadores é fundamental para garantir uso seguro e responsável

Não é possível privar crianças e adolescentes do uso de computadores. Claro que podemos (e devemos), como pais e educadores, garantir que a infância seja vivida plenamente, e que as descobertas aconteçam no mundo real, sendo o virtual apenas uma ferramenta a mais para complementar o desenvolvimento cognitivo dos jovens.

Dentro do contexto atual em que vivemos, a interação com a tecnologia é inevitável e tal fato não deve ser preocupante, muito pelo contrário, pode trazer grandes benefícios às crianças, porém, é essencial que a interação com a tecnologia seja guiada por adultos, que possam acompanhar o uso que as crianças fazem da tecnologia, colocando os devidos limites.

Sim, limites. Sabemos que a internet está repleta dos mais diversos tipos de conteúdo. Muitos podem ser inapropriados para uma criança de 8 anos. Além disso, sabemos que existem diversas pessoas que fazem uso da internet com intuito de prejudicar aquele que está do outro lado da tela. É preciso estar atento, afinal, nunca saberemos qual a real identidade da pessoa com quem falamos. É fundamental ter criticidade para fazer uso correto e seguro da internet.

Por isso é importante termos muito cuidado com nossas crianças. Elas não apresentam maturidade suficiente para compreender a dinâmica do ambiente online e precisam ser educadas para que desenvolvam um olhar atento e cuidadoso, devem ser orientadas, portanto, para que se tornem usuárias digitais responsáveis.

Pensando em garantir e incentivar a segurança das crianças no ciberespaço e a fim de educá-las para que sejam internautas responsáveis, diversas iniciativas foram lançadas. Conheça algumas, que podem ser usadas tanto por educadores, em sala de aula, como por pais, que buscam orientação para lidar com o desafio de educar os filhos para um uso correto e seguro da internet.

* Cartilhas do Movimento Criança Mais Segura:

Guia para o uso responsável da internet 

Internet segura e divertida: para crianças de 2 a 8 anos

Big Data: uma possibilidade para o desenvolvimento social

Hoje publico meu segundo post para o projeto “Ciranda de Blogs” e eis que, ao me deparar com o tema da semana (Big Data), me deparei também com uma grande coincidência. No final do ano passado, tive o privilégio de assistir palestra da queniana Juliana Rotich, uma das idealizadoras da ONG Ushahidi. Mas, o que isso tem a ver com Big Data? Tudo.

De forma bastante resumida, explico: a Ushahidi é uma organização não governamental que possui iniciativas de desenvolvimento social baseadas no conceito de “Big Data”. Provavelmente, depois dessa informação, você deve estar curioso para saber mais sobre essa tal “Ushahidi” e conhecer a fundo o conceito de “Big Data”, correto? Então vamos lá!

Big Data: o que é?

Uma enxurrada de dados é criada diariamente a partir da interação das pessoas com aparelhos tecnológicos. Por meio do uso de celulares, e-mail, redes sociais, GPS e outros, os seres humanos constroem bancos de dados valiosos, que podem ajudar empresas, ONGs, governos e traçar perfis individuais ou mesmo de populações inteiras. A análise dessas informações permite que a tomada de decisão seja mais estratégica e possibilita ações mais eficientes, com retorno também mais certeiro.

O excesso de informação produzida diariamente ao redor do globo tornou-se extremamente difícil de ser mensurado e analisado, e, assim, exigiu o surgimento de novas soluções tecnológicas, que pudessem mapear enorme volume de dados em tempo real e alta velocidade. Desta realidade nasceu o conceito de “Big Data”, que pode ser entendido por meio dos “5 Vs”: volume, variedade, velocidade, veracidade e valor.

  • Volume: refere-se a quantidade de dados gerada diariamente.
  • Variedade: os dados são gerados por meio das mais variadas plataformas: e-mails, mídias sociais, documentos eletrônicos, entre outros.
  • Velocidade: dados são produzidos a todo o momento, não há pausa. Essa realidade exige monitoramento constante e em tempo real.
  • Veracidade: os dados mapeados são autênticos? É necessários certificar-se sobre a veracidade da fonte.
  • Valor: com investimento em Big Data, empresas, ONGs e governos esperam retorno (em suas diferentes formas).

Veja abaixo infográfico retirado do Jornal O Globo, que explica o conceito de forma ilustrativa:

big_data

Ushahidi: o uso do Big Data como ferramenta para mudança social

A Ushahidi é uma ONG que nasceu no Quênia. Por meio do armazenamento de informações, busca causar impacto social positivo. Utiliza, por exemplo, seu banco de dados para disseminar informação – em tempo real – sobre desastres naturais (como terremotos) e também monitorar eleições.

Os dados coletados pela ONG são disponibilizados em uma rede social, que alcançou 45 mil usuários no Quênia e se expandiu para outras áreas do globo. Hoje têm voluntários na Europa, América do Sul e nos EUA e o mapeamento que realiza atualmente pode ser visto como uma iniciativa que gera benefícios em escala global. Foi utilizada para facilitar o atendimento aos feridos no furacão que atingiu o Haiti em 2010, ajudou no mapeamento das áreas com energia elétrica após o furacão Sandy (EUA) e também serviu para a coleta de informações durante os conflitos na Líbia.

Para saber mais sobre as atividades desenvolvidas pela Ushahidi, clique aqui e, se quiser ler sobre o Big Data utilizado para fins sociais, recomendamos: Big Data, Big Impact – New Possibilities for International Development (versão disponível apenas em inglês).

Blog Educomunicação entra para Projeto “Ciranda de Blogs”

O Blog Educomunicação acaba de entrar para o Projeto “Ciranda De Blogs”, uma iniciativa que busca discutir temas da área da comunicação a partir de diferentes perspectivas. Até o momento, sete blogueiros já aderiram ao projeto.

A ideia é a seguinte: a cada semana um tema relacionado à área da comunicação/marketing é selecionado e todos os blogs participantes devem discorrer sobre o assunto. O objetivo é conhecer as diferentes abordagens que surgem a partir de um tema comum.

ciranda_de_blogsOs publicitários Gisele Baciano, Henrique Santos e Jacobo Garcia são os responsáveis pela iniciativa e afirmam que a inspiração surgiu após acompanharem a mesma dinâmica acontecendo entre blogs de RPG, em que cada blog produzia material original dentro de um tema em comum definido previamente.

Com o projeto, os publicitários preveem o fortalecimento do relacionamento entre os blogueiros e a oportunidade de abordar um tema em comum sob as diferentes óticas, enriquecendo os debates acerca da Comunicação em geral.

No nosso caso, vamos ter um desafio: cruzar os temas semanais com o campo da educação, afinal, esse é o nosso foco! Com certeza o resultado será interessante e, por isso, não perca nossos próximos posts!

E, se você tem um blog de Comunicação e quer fazer parte da Ciranda de Blogs é simples! Basta demonstrar interesse na página Ciranda de Blogs no Facebook.

Conheça os blogs participantes:

  • Quick Drops
  • Freaky Brain
  • Periskópio
  • Midiatismo
  • Social 41

A Ciranda de Blogs é um projeto independente com o intuito de unir blogueiros de comunicação para refletir sobre temas da nossa área. Conheça mais sobre o projeto em nossa Fanpage e faça parte dessa Ciranda.

Palabea: o mundo das línguas | the speaking world

Não há dúvidas que a melhor forma de aprender um novo idioma é utilizá-lo com frequência. Quanto maior o contato com a língua estrangeira que se deseja aprender, mais confortáveis ficaremos para usá-la em qualquer situação, sem receio, vergonha ou medo de errar. Mas, será que para pegar fluência, a única opção é realizar um intercâmbio no país do idioma desejado? Nem sempre.

Como sabemos, a tecnologia está cada vez mais avançada e hoje já existem inúmeras ferramentas interativas que possibilitam aprendermos “tudo e qualquer coisa” no conforto de nossas casas.

PalabeaEm alguns cliques, o mundo está ao nosso alcance. Se não há como passar uma temporada fora para estudar determinado idioma, há como entrar em contato com pessoas de diferentes partes do mundo e, com elas, aprender o idioma desejado!

Recentemente, uma nova plataforma surgiu para tornar o aprendizado de uma nova língua algo dinâmico, participativo e envolvente. Ao invés de exercícios duros, que tratam de temas pouco interessantes ou descontextualizados, a “Palabea” veio para mostrar que aprender outra língua pode ser bem divertido.

A ferramenta possibilita que pessoas do mundo todo se encontrem para trocar ideias sobre assuntos que lhes interessam e que, por vídeo conferência, conversem e pratiquem outro idioma de forma descontraída. Não é apenas uma plataforma para aprender uma nova língua, mas para conhecer novas culturas, povos e trocar conhecimentos. O bacana é que não há riscos de ficar preso às tão famosas frases feitas, que tornam qualquer aula de idioma monótona e cansativa.

A “Palabea” é uma rede social em que você aprende, ensina e, de quebra, ainda faz amigos ao redor do globo (e garante aquela viagem com hospedagem for free!) \o/

Como funciona?

Após se cadastrar (e criar um perfil online), o internauta pode usufruir da plataforma de 3 maneiras diferentes:

  • Aprender uma nova língua a partir de temas variados (galeria de temas);
  • Videochat – Aprender a partir de conversas informais com pessoas do mundo todo (em tempo real);
  • Criar cursos e construir uma rede de alunos (canais personalizados de ensino);

Para saber mais (e realizar seu cadastro), clique aqui.

Educomunicação para a prevenção ao uso de drogas

O Instituto Recriando, organização que tem como grande objetivo promover a inclusão social de crianças e adolescentes, acaba de lançar uma campanha de prevenção ao uso de drogas. Até aqui nada novo, já conhecemos várias deste tipo, certo?  O que diferencia essa de outras campanhas é o modo como foi produzida: todo o conteúdo e todas as peças publicitárias foram elaborados por adolescentes, um projeto feito por jovens e direcionado para jovens.

A iniciativa, que levou o nome de Projeto Refletir, foi conduzida pelo Instituto Recriando e contou com apoio do Criança Esperança. A atividade foi desenvolvida em quatro comunidades diferentes, todas em Aracaju (SE), onde o Instituto Recriando está localizado.

Cartaz produzido pelos jovens do bairro Santa Maria, Aracaju.

Cartaz produzido pelos jovens do bairro Santa Maria, Aracaju.

A ideia é interessante pois quebra com o discurso hegemônico da grande mídia, que tende a apresentar adolescentes envolvidos com drogas como ‘marginais’. A abordagem da campanha produzida pelos jovens das comunidades não traz estereótipos ou visões preconceituosas, como muitas vezes podemos identificar nas mensagens veiculadas pelos grandes canais de comunicação.

Quando um jovem fala para outro, a mensagem parece ganhar novo sentido e a possibilidade de gerar mudanças é consideravelmente maior. O discurso que empregam está mais próximo da realidade do público alvo, pois eles fazem parte deste público e conhecem as raízes do problema, sabem qual a linguagem mais adequada e, além disso, podem interagir pessoalmente com os demais jovens da suas comunidades e debater o tema.

Essa campanha é um belo retrato do que chamamos de ‘protagonismo juvenil’. Os próprios jovens levantaram questões importantes para eles e debateram problemas que estão presentes no dia a dia de suas comunidades.

Eles deixaram a posição de unicamente receptores e assumiram também a produtores de conteúdo e, a convivência dessas duas formas de se relacionar com a mídia, os torna mais críticos e preparados para argumentar, criticar e avaliar não apenas conteúdos midiáticos, mas também o mundo do qual fazem parte e a dinâmica social em que estão inseridos. Ganham ferramentas para a vida, que não se esgotam após o término do projeto, mas os acompanham e abrem novos caminhos e oportunidades.

As peças produzidas, além de divulgadas nas comunidades onde os educandos vivem, serão veiculadas nas redes sociais e no blog do Projeto Refletir. Confira os links abaixo:

Ushahidi: uma rede social em prol do desenvolvimento humano

Ontem assisti uma palestra sobre a organização Ushahidi e descobri que o Brasil está entre os 159 países que fazem parte da iniciativa. A proposta do encontro era discutir a integração das novas tecnologias no desenvolvimento de países africanos.

O debate é interessante (e apropriado a este blog) uma vez que tem como grande objetivo dar voz aos cidadãos, ou seja, instrumentalizá-los para produzir conteúdo, deixando de lado a posição de receptor passivo. A plataforma visa a construção de conteúdo colaborativa e o compartilhamento.

UshahidiIsso, porém, é algo que vem acontecendo há um bom tempo, principalmente após a internet e a consolidação das redes sociais. O fluxo de informação já foi modificado, hoje não existe mais um canal de comunicação de mão única; o poder de argumentação dos receptores é inevitável. Mesmo o conteúdo televisivo, que ainda é o retrato da recepção passiva, já pode ser contestado, pois o telespectador tem a possibilidade de reclamar ou argumentar em outros canais, por exemplo,  no Facebook ou em blogs pessoais.

O interessante da Ushahidi, porém, vai além de seu propósito de democratizar a informação e derrubar barreiras para que os cidadãos possam contar suas histórias e expor seus pontos de vista. A iniciativa nasceu no Quênia, em 2008, após um enorme conflito político. Diversas pessoas morreram e a imprensa cobria apenas o que ocorria nos grandes centros. Assim, um grupo de quenianos decidiu criar a plataforma “Ushahidi”, uma espécie de rede social que tinha como grande objetivo mapear as áreas mais violentas do país para que, assim, pessoas conseguissem evitar as zonas de maior risco. Tornou-se uma ferramenta poderosa de ajuda humanitária.

A rede social alcançou 45 mil usuários no Quênia e se expandiu para outras áreas do globo. Hoje têm voluntários na Europa, América do Sul e nos EUA e o mapeamento que realiza atualmente pode ser visto como uma iniciativa global. Foi utilizada para facilitar o atendimento aos feridos no furacão que atingiu o Haiti em 2010, ajudou no mapeamento das áreas com energia elétrica após o furacão Sandy (EUA) e também serviu para a coleta de informações durante os conflitos na Líbia.

Além de ser útil em situações de crise, a plataforma também serve de observatório eleitoral. Pode ser utilizada para reunir comentários de eleitores e denúncias de crimes eleitorais, por exemplo.

A Ushahidi tem parceria com organizações como a ONU, Al-jazeera e World Bank. Para saber mais sobre a iniciativa, visite o site e/ou assista o vídeo abaixo (em inglês).

Curiosidade! — “Ushahidi”, em suaíli, significa “testemunho”. Suaíli é a língua falada no Quênia e em outros países africanos, como Tanzânia e Uganda.

Oficinas online orientam educadores a produzir conteúdo para redes sociais

As redes sociais já fazem parte da rotina de muitos professores, que buscam explorar plataformas online como meio de comunicação e interação com os alunos. Redes sociais como o Twitter, Facebook e Youtube já integram o rol de ferramentas utilizadas pelos professores e são, com frequência, explorados para fins pedagógicos. Os docentes, porém, tendem a enfrentar certas barreiras geracionais, já que muitos antecedem a “era digital” e não têm o costume de utilizar as mídias sociais no dia a dia.

Um dos desafios enfrentados pelos educadores relaciona-se à linguagem adequada a ser utilizada nas redes sociais. No Facebook e Twitter, por exemplo, o lema é explorar textos mais concisos, ou “minitextos” – Isso, porém, não significa se render às gírias e abreviações comumente utilizadas pelos jovens, mas sim entender que cada plataforma sugere diferentes tipos de abordagem em relação à língua portuguesa – Há técnicas que tornam o texto mais eficaz dependendo do meio de comunicação que se utiliza.

Pensando neste desafio, o Instituto Ecofuturo organizou uma série de oficinas online que visam ajudar professores a produzir textos para o Facebook.

As oficinas ocorrerão nos dias 21 e 28 de novembro. O curso, ministrado pela  educadora Maria Betânia Ferreira, foi desenvolvido com o objetivo de oferecer orientações a professores, educadores sociais e profissionais de biblioteca sobre técnicas de produção de textos para redes sociais.

As oficinas acontecem em três sessões online – às 10h30, 15h30 e 20h30, em ambos os dias. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até dia 20 de novembro. Para se inscrever, clique aqui.

Redes sociais: muito além do entretenimento

Quem disse que os jovens só utilizam as redes sociais para fins de entretenimento? Estudantes brasileiros mostraram que sabem fazer ótimo proveito da força e visibilidade que ferramentas como Facebook oferecem e, nesta última segunda (22), organizaram um grande protesto via rede social reivindicando melhorias na infraestrutura de suas escolas.

A “moda”do Diário de Classe, lançado em agosto de 2012 pela estudante catarinense Isadora Faber, 13, parece ter conquistado a todos. Isadora criou uma página no Facebook para contar o dia a dia de sua escola e denunciar os problemas da instituição, clamando por melhores condições. Segundo a menina, a página – que conta com mais de 300 mil seguidores – visa “mostrar a verdade sobre as escolas públicas brasileiras”.

Inspirado no Diário Online de Isadora foi criado o “Dia do Basta”, que ocorreu ontem (22 de outubro de 2012) e reuniu estudantes de diversas partes do Brasil, que se uniram para lutar por escolas de qualidade.

Como parte do protesto, os jovens enviaram mensagens ao Gabinete do Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e para as secretarias municipais e estaduais de Educação relatando os problemas de suas unidades.

As denúncias online de Isadora trouxeram benefícios à escola em que estuda e motivaram outros estudantes a aderirem à causa.

Com a esperança de mobilizarem autoridades, jovens publicaram inúmeras fotos na rede denunciando não apenas falhas na infraestrutura de suas instituições, mas também a ausência de professores e problemas relacionados à merenda.

Agora já são mais de 30 páginas no Facebook inspiradas no “Diário de Classe” de Isadora. Segundo levantamento do UOL Educação, 26 páginas são de escolas de ensino fundamental e médio, duas delas são de universidades e outras duas reúnem diferentes escolas do mesmo município. A maioria das instituições é de responsabilidade estadual.

A visibilidade proporcionada pelas redes sociais pode ser uma grande aliada de lutas como a de Isadora. A repercussão de sua página desencadeou intensa cobertura midiática e, a soma das vozes dos alunos e da mídia,  causou grande impacto e forte pressão nas autoridades que, perante tais denúncias, não poderiam fazer outra coisa senão agir.

Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.

A geração internet e o engajamento cívico

É comum ouvirmos que os jovens de hoje não se interessam por política e que possuem, até mesmo, aversão ao assunto. Talvez essa impressão esteja equivocada e, o que na verdade ocorre, é que esses jovens sintam-se desiludidos com o modelo político convencional, em que a ideia dominante é “nós votamos, eles governam”.

Os jovens da geração digital parecem querer mais que isso. Nasceram em uma realidade em que a participação e cooperação são possíveis; por meio da internet e das redes sociais conseguem expor seus pensamentos, opiniões e até mesmo influenciar decisões governamentais, como ocorreu com a campanha política do presidente americano Barack Obama, em 2007. Eles descobriram que, por meio das ferramentas online, podem lutar pelo o que acreditam.

A campanha de Obama, comandada pelo jovem Chris Hughes, foi sucesso absoluto e é sempre um ótimo case a ser avaliado quando o assunto tangencia os temas geração digital, redes sociais e política.

Hughes explorou a sede de mudança (comum aos jovens), mas inovou, ao entender que, agora, esses jovens estavam na internet e mais do que isso, estavam acostumados com a dinâmica do ciberespaço. Ele trouxe a vida política aos adolescentes da geração Y e confirmou que sim, existia interesse político entre eles.

A participação é fundamental para a geração internet, eles precisam “fazer parte” para se sentirem  motivados. Chris Hughes deu isso a eles: possibilidade de participarem da eleição de Obama de forma ativa e não por meio de campanhas tradicionais, em que, geralmente, o cidadão se torna mero espectador dos discursos proferidos pelos candidatos.

Obama sempre trouxe os cidadãos para perto de si, afirmando que eles eram fundamentais para a sua eleição, não como meros eleitores, mas como pensantes, como pilares de seu governo e, ao invés de oferecer frases de efeito, ofereceu ferramentas para construir um eleitorado engajado e ativo.

A grande sacada foi transferir toda essa energia que existe na internet para o “campo de batalha”, ou seja, usar as redes sociais e demais ferramentas online como meio para eleger Obama. Para isso foi criado o site my.barackobama.com, completamente interativo, o que despertou forte sentimento de comunidade e valorizou o poder do povo.

A campanha teve enorme êxito e mostrou que o ambiente online se tornou ferramenta política tão fundamental quanto as mídias tradicionais. Na TV não existe diálogo, o cidadão é exposto ao horário político sem que possa mostrar seu posicionamento; cria-se um enorme distanciamento entre eleitorado e candidatos. Já nas redes sociais, como o twitter, a aproximação acontece e, Obama, fez isso muito bem.

As ferramentas online, porém, não servem apenas para engajar durante as eleições, mas dá aos jovens a possibilidade de monitorarem de perto seus candidatos, cobrando posicionamentos e ações. Esses jovens possuem ferramentas sem precedentes para lutarem por mudanças. Precisam, para isso, ser estimulados e alertados acerca do poder que têm nas mãos. Eles não apoiam mais o modelo “nós votamos, vocês governam”; querem ter voz ativa no governo e, se precisar, não duvidem, ainda vão para as ruas, como acontecia há anos, quando a internet não existia.

Um bom exemplo de que os jovens usam o ambiente online como ferramenta política, mas não se restringem à ele, foi o recente manifesto “Amor sim, Russomanno não”, organizado por ativistas online para evitar que o candidato à prefeitura de São Paulo fosse eleito. A Praça Rossevelt, palco da manifestação, lotou.

A geração formada por esses “jovens digitais” não se contenta em assistir sem participar. Eles querem ser mais do que eleitores, querem ser colaboradores. E, se ignorados, vão arranjar meios de externar suas lutas – construir seus próprios canais de comunicação, produzir seus próprios vídeos, notícias, entrevistas, organizar fóruns e assim, mostrar que buscam participação ativa nas decisões políticas.

Portanto, talvez seja duvidoso afirmar que não são interessados em política. Eles querem um novo jeito de fazer política.