Manoel, guardião de todos nós.

‘Quem se aproxima das origens se renova’.

Manoel de Barros é aquele tipo de pessoa necessária ao mundo. Faz parte do grupo de ‘guardiões da humanidade’ e dedicou sua vida para que pudéssemos resgatar a nossa essência. Quem somos? Por que somos? Onde estamos e para onde vamos?  O que realmente importa?

Os biólogos poderiam nos dar boas respostas, assim como os filósofos ou até mesmo os matemáticos, mas prefiro contar com os poetas. Prefiro contar com O poeta. Para essas e outras perguntas, minha escolha é consultar Manoel de Barros, um homem de miudezas e infinitas belezas.

Poesia, quando não causa ruído, melhor deixar pra lá. Mas esse não foi o caso com Manoel. As palavras dele grudaram na minha alma e me fizeram entender que não havia problema em ver beleza nas pequenezas da vida, afinal, são elas que engrandecem o nosso existir.

Como ele mesmo dizia, sua poesia emana da infância. Foi ali, no baú de memórias inventadas da infância, que ele encontrou todo o alimento de seu trabalho. Um poeta que sempre escutou as crianças com respeito e admiração e foi com elas que aprendeu a ‘ouvir a cor dos passarinhos’, ‘apanhar desperdícios’ e ‘carregar água na peneira’.

Um homem imenso, costurado pelos detalhes do mundo. Além da sua obra completa, um outro jeito de se encantar por Manoel de Barros é por meio do documentário “Só dez por cento é mentira“, dirigido por Pedro Cezar.

São 82 minutos de carinhos que tocam o profundo da alma. Ali, o próprio Manoel nos conta de sua vida e de suas palavras. Temos a alegria de conhecer quem foram os seus heróis e grandes inspirações. O filme, assim como seus poemas, é um agrado que todos nós merecemos, pelo simples fato de estarmos vivos.

Manoel é coisa séria, e não à toa emprestou – e ainda empresta – sua sensibilidade a tantos educadores do Brasil e do mundo. A educação, mais do que nunca, precisa beber do universo ‘Manoelês’, pois, para construirmos um mundo mais acolhedor e sensível, é necessário que o ritmo das tartarugas tenha mais valor do que o dos mísseis.

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Poema com “participação” de Domingos Oliveira

Vamos exercitar a criatividade e sensibilidade? Escolha um diretor de cinema e peça para os seus alunos escreverem um poema utilizando os nomes dos filmes! A proposta também funciona com autores de livros.

Além de divertida, a atividade abre campo para discussões sobre diferentes formas de manifestações artísticas!

Abaixo segue o meu poema. A obra do diretor brasileiro Domingos Oliveira foi minha fonte de inspiração!

Poema com “participação” de Domingos Oliveira

Nas controvérsias de estradas distintas
Passeio em busca de antigos “AMORES”

São vidas que um dia se uniram
E que hoje, separaram-se guardando rancores.

“A CULPA” seguirá sempre comigo
Guardada em meu peito; tecendo tragédias.

Porque me deixei vencer por “FEMINICES” alheias?
Porque lhe fiz conhecer as “DELICIOSAS TRAIÇÕES DO AMOR”?

Posso ter “TODAS AS MULHERES DO MUNDO”, mas de que me adianta?
Se entre tantas, você é a única que me rouba carinhos sinceros!

“SEPARAÇÕES” fizeram-se inevitáveis
Sofri como quem deixa escapar uma última gota de água no deserto

“TEU TUA”, eu repetia incessantemente.

Eu te possuía em pensamentos, eu me possuía em solidão.
Cai em prantos, sem mais te encontrar.

Conheci “AS DUAS FACES DA MOEDA”

Vivi paixões com ardor
Amei você sem limites
E entre esses dois sentimentos, conheci a dor.

Dor que lateja em meu peito
Que arranca-me a felicidade, trazendo consigo a certeza de um término.

* Os trechos destacados ao longo do poema são títulos de filmes de Domingos Oliveira. O diretor produziu 11 longas no decorrer de sua carreira; no poema citei 8. Os que se encontram ausentes são: “CARREIRAS”, “É SIMONAL” e “EDU CORAÇÃO DE OURO”.