Alimentos orgânicos na merenda escolar

Entre os dias 10 e 13 de junho o Pavilhão da Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, recebeu o 11º Fórum Internacional de Agricultura Orgânica e Sustentável, consolidado como o mais importante evento da América Latina para pensar o setor orgânico e agroecológico.

Com 122 expositores, o Fórum busca, além de mostrar em primeira mão o que o mercado oferece em termos de produtos e serviços, criar um espaço para debates que visam pensar o futuro dos orgânicos no Brasil e no mundo, com foco não apenas em tendências de mercado, mas também em políticas públicas, como é o caso da Lei 16.140/2015, sancionada em março deste ano pelo prefeito Fernando Haddad e que estabelece a priorização da compra de orgânicos na alimentação escolar do Município de São Paulo.

photoConsiderada um grande avanço não só para a área da saúde, mas também para a educação, economia e meio ambiente, a nova lei é resultado de um trabalho conjunto, articulado pela Plataforma de Apoio a Agricultura Orgânica, constituída por diversas organizações da Sociedade Civil, e abraçado pelo poder público, pelas cooperativas de agricultores familiares e por demais envolvidos e interessados no tema. O processo de regulamentação da lei, que tem prazo de 180 dias, deve ser concluído em meados de setembro.

A nova lei é de extrema importância, ao passo que impacta diretamente as crianças, contribuindo para seu desenvolvimento pleno e saudável. A qualidade da alimentação, como indica a própria Organização Mundial da Saúde (OMS), está intimamente relacionada ao aparecimento ou prevenção de doenças e, inclusive, ao desenvolvimento cognitivo e emocional. Crianças com dietas equilibradas e saudáveis saberão dar valor ao alimento, respeitarão a natureza e poderão reproduzir hábitos saudáveis às futuras gerações.

:. Sobre o debate

No dia 10/06/15, especialistas de diferentes áreas se reuniram no Pavilhão da Bienal para discutir os impactos diretos da agricultura orgânica na saúde, educação, meio ambiente e economia. Esta percepção holística do tema é fundamental, pois comprova a urgência em reavaliarmos os hábitos alimentares adotados (e naturalizados) por grande parcela da população e, mais do que isso, os impactos destes hábitos para as novas gerações.

Saúde

O que a criança está ingerindo para formar e desenvolver seu sistema nervoso central e imunológico’? Com essa pergunta, a nutricionista clínica Denise Carreiro evidenciou a importância da boa alimentação na infância. “Entre o 3º mês de gestação e os 18 meses, o cérebro está em plena formação e desenvolvimento, por isso, é tão importante que as crianças consumam comida de verdade”.

A diferença entre a ‘comida de verdade’ e a ‘comida industrializada’ foi o fio condutor da fala da especialista, que citou a ligação direta entre a má alimentação (e a consequente falta de nutrientes) e o surgimento de doenças crônicas não transmissíveis e, até mesmo, transtornos como hiperatividade e déficit de atenção: “Se dermos os nutrientes necessários às crianças, não haverá necessidade alguma de darmos ritalina ou antidepressivos a elas”.

A nutricionista enfatizou, porém, que esses nutrientes só podem ser encontrados de forma plena em alimentos orgânicos, que não tiveram qualquer contato com agrotóxicos ou demais químicos, e ela reconhece: “O brasileiro, antes de não comer orgânicos, não tem o hábito de comer frutas, verduras e legumes. Primeiro é preciso ensinar o brasileiro a comer comida de verdade e, depois, introduzi-lo aos orgânicos”.

O desafio é grande e precisa ser endereçado o quanto antes, já que dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam um aumento de 600% nos casos de doenças crônicas não transmissíveis no mundo, associadas à alimentação inadequada.  Frente a esses dados, a OMS alerta que os filhos deverão viver menos do que os seus pais – e com menor qualidade.

Educação

Para transformar esse cenário, a educação aparece como espaço promissor. A criança é indutora de transformações e, se desde cedo, for apresentada a novas possibilidades alimentares, teremos a chance de reverter a crise alimentícia que atinge não apenas o nosso país, mas o mundo.

Foi pensando neste potencial transformador da educação que o Instituto 5 elementos desenvolveu o projeto ‘Dedo Verde na Escola’, que teve aplicação piloto nas EMEIs Escola de Educação Infantil Dona Leopoldina e Ricardo Gonçalves, com financiamento de FEMA – Fundo Especial de Meio Ambiente de São Paulo. O projeto, coordenado pela pedagoga Mônica Pliz, consiste em implementar hortas orgânicas pedagógicas nas escolas e está sendo discutido pelo GT que trabalha na regulamentação da Lei 16.140/2015, para que chegue a toda rede municipal de ensino.

Mônica afirma que o projeto demanda mudança de postura, que começa no momento em que a comunidade escolar passa a enxergar o espaço da escola de forma diferente, entendo que ali pode e deve entrar mais vida. “Hoje as escolas reproduzem os espaços urbanos, são cinzas e duras, não acolhem as pessoas ou demais seres vivos. Mesmo nas escolas que têm parques, os alunos não podem brincar  na natureza, pois irão se sujar”.

Isso os distancia da natureza de uma forma total e absoluta e o potencial transformador da escola se perde. “As hortas orgânicas propiciam a aprendizagem sobre os ciclos da natureza e despertam na criança o respeito aos seres vivos; crianças que antes matavam insetos passam a entender que eles são essenciais para as hortas e, portanto, para o alimento que irão ingerir na hora do almoço”. Segundo Mônica, o Projeto Dedo Verde, que inclui também a construção de terrarios, composteiras e minhocarios, tem um impacto transformador, inclusive, nas relações interpessoais, que ficam mais amorosas, respeitosas e pacientes.

Meio ambiente

Dois produtores orgânicos também deram seus depoimentos. Fernando Ataliba, do Sitio Catavento, é militante do movimento orgânico e está nesse mercado há mais de 20 anos. Ele trouxe ao debate reflexões sobre os impactos da agricultura no meio ambiente e ressaltou que a agricultura tradicional, que funciona em grande escala, desmatando, usando grandes máquinas e utilizando insumos químicos, contribui para a alteração do ciclo das aguas, resultando, inclusive, em crises hídricas, tal qual vivenciamos atualmente. Na agricultura orgânica, o solo, por sua vez, é vivo, e as características são praticamente iguais as das florestas nativas: “A agricultura orgânica tem uma postura humilde frente à natureza, ela venera os mecanismos naturais e aprende com eles”.

Economia

Nelson Krupinski, da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (COOTAP), que reúne aproximadamente 2mil famílias agricultoras, afirmou que o mercado orgânico é promissor e está crescendo. A COOTAP é a maior produtora brasileira de arroz orgânico do Brasil e fornecedora de produtos para alimentação escolar de várias cidades brasileiras. Em São Paulo, atende 20 prefeituras, inclusive, a capital. A ideia é que esse movimento se expanda e leis como a 16.140/2015 favorecem esse fortalecimento. Além de impactar diretamente a saúde das crianças da rede municipal de ensino, a lei impacta a geração de renda e manutenção do homem no campo.

Departamento de Alimentação Escolar e a compra de orgânicos

No dia 11 de junho, segundo dia de debate sobre o tema, o Departamento de Alimentação Escolar (DAE) expôs o trabalho que vem desenvolvendo junto à rede municipal de ensino, que contempla aproximadamente 1 milhão de crianças (O Ensino Médio não entra nesta conta, pois está sob gestão do Governo do Estado).

Danuta Chmielewska, assessora do DAE, contou aos presentes que produtos in natura já contemplam grande parte das compras realizadas pelo departamento e que, após a Lei nº 11.947, aprovada em 2009, as compras realizadas diretamente com agricultores orgânicos foi favorecida. A lei de 2009 estabelece que pelo menos 30% de todo o recurso do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para alimentação escolar deve destinar-se à compra direta de produtores da agricultura familiar.

Com isso, em 2012, o DAE realizou a primeira compra deste caráter e, desde então, vem articulando estratégias para tornar os pratos das crianças 100% orgânicos. Em 2012, 1% do FNDE destinou-se a compra direta da agricultura familiar e, em 2014, 17% dos recursos foi destinado para esse fim. Para 2015, a estimativa é que 28% dos recursos sejam direcionados à agricultura familiar. Um grande avanço que certamente crescerá com o apoio da legislação.

Para o DAE, porém, o alimento que chega a escola deve ir além do prato, entrando também nas discussões em sala de aula. Assim, já existem conversas para que as escolas reconheçam e valorizem o processo da agricultura familiar e incluam o tema em suas práticas pedagógicas.

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Sustentabilidade: por uma nova educação, por um novo modo de vida.

crianca-naturezaA sustentabilidade é um tema importante a todos que queiram permanecer neste planeta  – no presente – e garantir um futuro possível às próximas gerações. É um tema amplo, que abrange não somente questões ambientais, mas sociais e econômicas.

Trata-se de um triângulo que opera em harmonia e, se provocarmos desequilíbrio entre essas três esferas, teremos crises extremamente graves e desafiadoras; inclusive, já estamos vivenciando algumas: crise hídrica, temperaturas extremas, enchentes, verticalização intensa das cidades e pouco espaço para o verde.

Será sustentável viver num mundo que, cada vez mais, preza pelos interesses econômicos sem priorizar as demais esferas tão (ou mais) importantes à vida na terra?

Precisamos cuidar de nossa morada e trazer a sustentabilidade para o centro da vida de todos, ela deve estar no dia a dia das pessoas, deve ser um modo de vida. Como cidadãos, precisamos cuidar do mundo que nos acolhe há tantos milhões de anos e deixa-lo habitável aos nossos filhos e netos.

Mas, como incorporar essa visão da sustentabilidade no modo de vida – e nos hábitos – das pessoas? O ideal é que se tenha uma educação voltada à valorização da natureza, da justiça e da igualdade, desde cedo. Crianças devem compreender seu papel no mundo e descobrir as formas de torná-lo um lugar melhor a todos.

Já existem muitas iniciativas que apresentam propostas interessantes nesse sentido. Uma delas é o projeto “Pequeno Sustentável”, um portal na internet sobre sustentabilidade e formas de (re)pensar a educação junto com as crianças e adolescentes.

Por meio de notícias, dicas, vídeos, fotos, artes, discussões, conversas e questionamentos, o site propõe importantes reflexões sobre os temas abordados e convoca pessoas de todas as idades para a construção de um mundo melhor. Os conteúdos são atualizados diariamente pela equipe, e também abre espaço para publicações e notícias de leitores de qualquer lugar do planeta.

Realizar ações e atividades sustentáveis, participar de eventos e movimentos socioambientais, se reunir para trocar ideias, (re)pensar a educação e multiplicar boas práticas, também fazem parte do projeto.

Entre os valores essenciais do projeto, estão: soliedariedade, cidadania, cultura de paz, consciência socioambiental, entre outros.

Se você se interessou pela iniciativa, tem interesse em participar ou ter acesso aos conteúdos divulgados, visite o site e curta a página no facebook.

 

 

 

 

Quando o dinheiro não tem valor.

Entre os dias 28 e 31 de agosto aconteceu, na cidade de São Paulo, a Virada Sustentável. Com uma agenda pra lá de interessante, o evento ofereceu mais de 700 atividades gratuitas ao público. O principal objetivo? Tornar São Paulo uma cidade mais agradável e equilibrada.

Dentro desta enorme e tão diversificada programação, eu tive o privilégio de participar, no dia 31/8, da Feira de trocas ‘We Change’, organizada pela Co-Viva, em parceria com o movimento Fala Sampa.

A ideia da feira é que as pessoas esqueçam, por um dia, do dinheiro. O verdadeiro valor de troca está nos sentidos e significados. Para participar é preciso oferecer algo com carinho e, em troca, receber algo que também venha repleto de emoção e boas energias.

A única exigência é que você ofereça algo feito pelas próprias mãos: pode ser uma geleia, uma paçoca, um quadro, um bordado. Ah! Cantar, recitar poesias, contar histórias também são dons super bem-vindos na feira!

photoEu levei 7 telas que pintei ao longo dos últimos anos. Telas que tinham grande significado emocional para mim e que, exatamente por isso, não via sentido em vendê-las. Quando soube da feira We Change, tive certeza que ali era o destino perfeito para minhas telas. Eu estava certa!

Troquei telas por desenhos, por geleias e pimentas, por bonequinhos, por bordados e por beijos e abraços. Voltei pra casa rica! Muito rica!

A experiência é especial, pois nos possibilita refletir sobre o sistema no qual estamos inseridos. O dinheiro é carro-chefe das nossas vidas e os valores das coisas são, basicamente, cifras. Mas, será que precisa ser assim? Será que, em alguns momentos, não podemos simplesmente repensar essa lógica e valorar produtos e serviços de uma forma diferente?

Trocar meus quadros por dinheiro não fazia qualquer sentido. Encontrei nessa feira uma nova forma de pensar a lógica do consumo: o valor monetário é deixado de lado, abrindo caminho para que outros tipos de valores floresçam.

A atmosfera da ‘We Change’ é de colaboração e parceria e, por esperar que fosse assim, aproveitei para levar uma tela em branco que estava há tempos encostada à parede do meu quarto. Organizei meus pinceis, minhas tintas e propus uma pintura feita a muitas mãos! O resultado ficou lindo, não apenas pelo colorido da tela, mas principalmente pelo processo de criação: foram muitas pessoas que passaram por lá e que deixaram sua colaboração.

A tela está guardada com carinho e representa o clima tão positivo desta primeira feira realizada pelo Co-Viva em parceria com o Fala Sampa. Espero que muitas feiras aconteçam e que muitos quadros sejam pintados a muitas mãos! (SEMPRE NO PLURAL!). Vamos criar um grande acervo de memórias bonitas.

Para saber mais, visite os sites CO-VIVAFALA SAMPA.

A nova realidade em sala de aula

Sim, há uma nova realidade e todos sabemos. Aulas não são mais baseadas em longas falas, giz e lousa ou, pelo menos, essa não é mais a dinâmica que domina as salas de aulas ao redor do globo. Hoje, principalmente em decorrência do imenso avanço tecnológico, vemos um novo comportamento dos alunos, que já nascem familiarizados com o ambiente digital e apresentam maneiras muito particulares de aprendizagem.

Os professores, por sua vez, devem entender como lidar com o perfil desta nova geração de alunos; devem estudar como eles captam as mensagens, como absorvem conteúdos e como se relacionam tanto em sala de aula, como fora dela. Tendo em mãos esse “mapa” do estudante, torna-se mais fácil construir um diálogo efetivo entre os jovens e seus professores.

Abaixo disponibilizamos um infográfico que traça o perfil predominante dos alunos pertencentes à geração digital. A pesquisa foi realizada pela Columbia University e a imagem é de autoria da agência JESS3.

A análise da pesquisa é interessante e necessária, uma vez que destaca informações relevantes, capazes de contribuir para a construção de aulas mais envolventes e eficazes.

Dados levantados na pesquisa:

  • O professor, geralmente, fala de 100 a 200 palavras por minuto; os alunos escutam apenas 50 a 100 palavras (A METADE!);
  • Alunos se mantêm atentos apenas 40% do tempo total da aula;
  • Estudantes retêm aproximadamente 70% do que eles escutam nos primeiros 10 minutos de aula e somente 20% do que é dito nos últimos 10 minutos (!!);
  • Usar imagens que ilustrem as falas ajuda a aumentar atenção dos alunos em até 38%.

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“Criança precisa ser amada. Não precisa de um Iphone aos 9 anos”

Imagine a cena: uma família reunida ao redor de uma mesa; um silêncio domina o momento, os olhares voltam-se para baixo, atentos às telas. Não há interação. Todos parecem muito ocupados com seus tablets e com as histórias do mundo virtual.

Já me deparei com cenas deste tipo algumas vezes. E fique triste. Retomo uma cena ainda fresca em minha memória:

Estava de férias e decidi viajar para um lugar tranquilo. Escolhi uma praia bonita, com muito, muito verde e escondidinha do mundo. O dia estava lindo! Em frente ao restaurante em que tomávamos café espalhava-se um gramado imenso, com árvores, flores e muitos passarinhos. Uma família – com crianças que deveriam ter por volta de 3 e 5 anos – estava na mesa ao lado.

Um cenário perfeito para as crianças correrem e movimentarem todo o corpo!  Um momento para ser vivido em família! Mas, ao invés disso, estavam cada um no seu Ipad e assim permaneceram do início ao fim da refeição, sem trocar sequer uma palavra, sorriso ou carinho. Todos de olho na tela (inclusive os bem pequeninhos).

A tecnologia já faz parte da dinâmica de nossa sociedade e, no momento certo, entrará na vida da criança (é inevitável e também positivo). Acredito, porém, que os adultos precisam ser sensíveis quanto ao ‘momento certo’ e refletir sobre como a interação exagerada com tablets e outros eletrônicos pode impactar a vivência da infância e o desenvolvimento da criança.

Vamos viver a natureza? Mexer o corpo? Viver o lúdico? Vamos brincar no mar, na grama e na terra? Precisamos preservar a infância e todas as suas possibilidades. A tecnologia não deve ser a linguagem predominante na vida de uma criança. Existem muitas belezas além da tela.

Que as crianças possam ter experiências transformadoras por meio do olhar, do toque, do cheiro, do movimento do corpo. Que conheçam o mundo a partir de contatos afetuosos e singelos, e não através de realidades mediadas. Que elas possam explorar as miudezas que as cercam e que tenham tempo para isso. Um tempo que não é da tecnologia, mas próprio da infância.

Para encorpar essa reflexão, divido com vocês um texto da jornalista e escritora Martha Medeiros. E reitero: “Criança precisa ser amada. Não precisa de um Iphone aos 9 anos”.

texto.

Educação alimentar e a propaganda direcionada às crianças

Ontem tive a experiência de ir ao supermercado na companhia de duas crianças, uma no auge de seus 2 anos e outra perto de completar 4 primaveras. Que aventura.

Além da necessidade constante de correr atrás deles para que não derrubem nada, ficar atenta para que não abram as embalagens e evitar que comam tudo e qualquer coisa que encontrem pela frente, também fiquei intrigada com uma questão que se torna cada vez mais comum em nosso tempo: a obesidade infantil.

Não é o caso dessas crianças. Minha amiga, mãe delas, toma todo o cuidado para que os dois tenham uma alimentação saudável e incentiva o gosto por verduras, frutas e sucos. As “besteiras” ou “junk foods” são raras.

É impressionante ver o amor que eles têm por pepinos, tomates e melancias  Quando chegam ao supermercado ficam desesperados atrás das frutas e legumes e, como minha amiga disse, “essa história que criança gosta de besteira é uma farsa, são os pais que moldam os gostos alimentares dos filhos, pelo menos na infância”. Eu concordo, e acredito que os hábitos alimentares que cultivamos quando pequenos nos acompanham também na vida adulta.

Sucrilhos e os brindes de starwars

Sucrilhos e os brindes de starwars

Um ponto que me chamou a atenção nesse “passeio” ao supermercado foi a força que a propaganda tem. Mesmo acostumados com uma alimentação extremamente saudável, as crianças ficaram malucas com tantas cores e personagens nas embalagens de salgadinhos, queijos, sucrilhos e chocolates. Queriam tudo.

A propaganda de comida para o público infantil é, com certeza, um elemento que dificulta a educação alimentar e os pais devem sim se preocupar com os valores e referenciais que são passados aos filhos por meio da publicidade.

Hoje as crianças têm acesso ilimitado e constante aos meios de comunicação e são expostas diariamente a propagandas que incentivam o consumo de comidas gordurosas, repletas de corantes e outras substâncias que com certeza não fazem parte de um cardápio recomendado por nutricionistas.

Driblar essa comunicação direcionada às crianças pode ser um enorme desafio aos pais e demais educadores. O assunto já se tornou tão sério a ponto de alcançar, até mesmo, o poder legislativo. Em São Francisco (EUA), por exemplo, a rede de fast food McDonalds foi proibida de comercializar o Mc Lanche Feliz, que vem acompanhado de brinquedos e, além de tirar os “brindes”, o lanche também teve que incluir frutas e vegetais no pacote. No Brasil já existem diversas discussões que seguem a mesma linha de raciocínio.

A estratégia de presentear crianças é muito comum na comercialização de produtos alimentícios direcionados para esse público. Cereais e iogurtes são exemplos de produtos que adotam o método com frequência. Não há dúvidas que, ao oferecer brindes, as empresas têm maior sucesso de vendas entre o público alvo, mas interesses mercadológicos, boa parte das vezes, não vão de encontro às necessidades base de uma sociedade.

Por trás dessas vendas existem graves questões de saúde pública; crianças obesas apresentam grandes chances de se tornarem adultos obesos e, além de terem a saúde comprometida desde cedo, provavelmente terão menos tempo de vida. Muitas crianças que apresentam obesidade, apresentam também quadro clínico semelhante ao de idosos enfermos.

A educação alimentar é essencial e envolve diferentes esferas sociais, como a família, mídia, governo e indústrias alimentícias. Todos deveriam estar conscientes sobre a gravidade do problema e assumir posição responsável perante o assunto.

Veja abaixo o documentário “Muito Além do Peso”, que trata sobre o tema “obesidade infantil” e propõe uma discussão profunda e detalhada sobre o problema, que já virou pandemia mundial. No Brasil, 33% das crianças são obesas.

A internet em 1 minuto

O que pode acontecer em 1 minuto? Muita coisa. Os números abaixo mostram a frenética interatividade humana na rede! E, se parecem absurdos, acredite: a tendência é que cresçam a cada ano!

Em 1 minuto:

  • 204 milhões de e-mails são enviados ao redor do mundo
  • 100 mil novos tweets são postados no miniblog
  • 320 novas contas são abertas no Twitter
  • 100 novas contas são criadas no Linkedin
  • 277 mil pessoas se logan no Facebook
  • 6 milhões de pageviews no Facebook
  • 1.3 milhões de vídeos são vistos no Youtube
  • Mais de 2 milhões de termos são procurados no Google
  • 6 novos artigos são publicados no Wikipedia
  • 3 mil fotos são postadas no Flickr

Veja abaixo mais números (em inglês)

Em 1995 os usuários da rede somavam um total de 45.1 milhões de pessoas, em 2009 esse número chegou a 1.73 bilhões de internautas ao redor do mundo.

Atualmente somos 1.97 bilhões de usuários na rede! Imaginem o que isso representa em cifras ($$$).

Para ilustrar, podemos tomar como exemplo o Amazon.com, que vende, por minuto, 83 mil dólares, ou a indústria de “encontros/namoros online”, que em 2011 movimentou algo em torno de 4 bilhões de dólares.

As informações foram retiradas do vídeo “The State of the Internet” e do relatório “The State of the Internet 2011“. Ambos mostram, em números, esse fascinante império virtual que domina e reconstrói nossa maneira de viver e interagir com o mundo e com nossos pares.

Angústias, vícios e deslumbres da geração digital

Não costumo usar esse espaço para desabafos, mas recentemente me identifiquei como personagem ideal para uma matéria cujo título poderia ser “Angústias, vícios e deslumbres da geração digital”.

Há dois meses eu não passava de mera observadora de Iphones e derivados. Nunca tive qualquer interesse em adquirir um smartphone e jamais me convenci dos supostos benefícios que eles poderiam trazer à minha vida.

Ao meu redor, porém, todos tentavam me convencer da magia insubstituível desses aparelhos modernos e, aos meus olhos, assustadores. Iphones, Ipads e Itudo pareciam tomar forma humana: viraram tema central de conversas entre amigos e atraiam olhares emocionados de seus donos. Vez ou outra, numa mesa de bar, ou num almoço de domingo, o olho na tela parecia ser mais interessante do que o olho no olho.

Isso sempre me deixou inconformada. Ao presenciar situações como essa eu reafirmava meu ódio profundo por esses aparelhos e me convencia que, definitivamente, meu nokia 2009, com botões e sem internet era, de fato, sensacional. Continuava sem vontade alguma de ter um Iphone, afinal, eu ainda prezava, acima de tudo, a interação (presencial) entre as pessoas.

Algo inédito, porém, aconteceu: ganhei um Iphone.

Mordi minha língua, pois, quando me dei conta, lá estava eu, fascinada, deslumbrada e apaixonada por aquela geringonça. O encantamento, contudo, durou 2 meses. Foi quando percebi que eu estava me comportando exatamente como aquelas tantas pessoas que eu criticava arduamente. De fato, esse negócio vicia. A informação vicia, a facilidade em estar conectado ao mundo vicia e, nesse emaranhado de vícios, você se perde e se vê sem limites, pelo simples fato de ter um Iphone na mão.

É realmente assustador: informação que não acaba mais! 24 horas por dia, 7 dias por semana. Não importa se você está no carro, na cama, no trabalho, no banheiro… As notificações estão ali, pulando e implorando para serem lidas e, de preferência, respondidas! As informações chegam pelos mais diversos canais: Facebook, Twitter, Instagram, E-mail pessoal, E-mail profissional, sms, What’sApp, etc, etc, etc… SOCORRO!

Em meio a essa loucura tão contemporânea, me peguei nostalgica, com saudade do meu nokia 2009. Deletei metade dos aplicativos baixados em momentos de êxtase e decidi me colocar como objeto de minha própria observação.

Percebi que não estou preparada para receber tamanha quantidade de informação e de maneira ininterrupta. Não estou preparada para a mobilidade oferecida por um smartphone e nem para ser alguém que está online 24h por dia, todos os dias da semana, do ano, da vida.

Essa pode ser a realidade que encontramos hoje, muitos já vivem assim. Mas a ideia de estar online em tempo integral e receber informações sem qualquer descanso aos olhos e à mente, me fez reavaliar as coisas que gosto, que valorizo, pensar no meu tempo e também nos meus limites.

Vivi, por um momento, as angústias, vícios e deslumbres da geração digital, mas confesso que minha essência ainda não conseguiu alcançar esses “tempos modernos”.

Que fique claro, porém, que não me posiciono contra toda essa revolução na maneira de receber informação e na maneira de interagir com o mundo. Reconheço os benefícios e as desvantagens em fazer parte dessa dinâmica: sou parte dela, e estou em constante aprendizado.

Agora, imaginem só esses jovens considerados da Geração Z (nascida sob o advento da internet e do boom tecnológico) – O entendimento de mundo para eles é outro.

Enquanto a Geração X teve que se esforçar para sentir-se parte dessa nova cultura digital, a geração Y acompanhou seu desenvolvimento e, ainda assim, encontra certas barreiras para entregar-se aos fascínios e perigos oferecidos pelas novas tecnologias.

Eu, que faço parte da geração Y, às vezes sinto que já fiquei pra trás.

E, para reflexão, deixo a imagem abaixo.

O medo de errar

Muitas vezes o medo de falhar nos impede de criar novas ferramentas, ideias e conceitos e assim seguimos acomodados, tornando-nos espectadores passivos de nossa existência.

Mudanças sempre foram necessárias para a evolução (e sustentação) da vida humana, e para que essas mudanças ocorram não precisamos de homens conformados e acomodados, mas sim de pensadores ousados e criativos, que imaginam além do que já lhes foi apresentado. Esses homens ousados possuem uma característica em comum: não temem o erro.

E não poderia ser diferente, já que o erro é intrínseco à capacidade de inovar!

O novo deve ser experimentado, pois só assim saberemos se dará certo ou não. Para criar, precisa-se experimentar e, muitas vezes, falhar… Esse processo não pode tornar-se barreira para ninguém! Muito pelo contrário, deve ser motor para a curiosidade e criatividade!

Porém, parece que hoje criatividade e inovação não são tão valorizadas quanto deveriam ser. Há uma tendência a um tipo de comportamento tão focado nos resultados que nem sempre valorizamos a motivação e as boas intenções. Mas essas coisas importam (e muito!)

Nas escolas, por exemplo, nos tornamos tão obcecados por notas e pelo bom desempenho em provas que acabamos perdendo, desvalorizando e não estimulando a capacidade criativa e a imaginação dos alunos (e dos professores também). Seguimos regras e não contestamos. Pode-se dizer que há um grande conformismo em relação ao sistema educacional.

Professores que experimentam já podem ser vistos como inovadores! Buscar a incorporação daquilo que ainda não conhecemos à um ambiente que já nos é familiar e confortável é sempre um grande desafio, mas com certeza uma atitude fundamental!

Não reconhecer os alunos por sua criatividade, esforço e inovação pode ser um grande equívoco por parte dos professores. Se vão mal na prova, os jovens são punidos e mal vistos e isso resulta no medo de tentar, já que sempre há a chance de erro – e o erro, em nossa sociedade, é concebido como imperdoável, sinônimo do fracasso.

Uma visão dos estudantes hoje

Hoje resolvi resgatar um vídeo que assisti  já faz algum tempo, mas que ficou na minha memória! É simples, mas nem por isso deixa de ser genial!

“A vision of students today” ou “Uma visão dos estudantes hoje” foi feito em 2007 e é resultado de um projeto dirigido pelo antropólogo cultural Michael Wesch. Com a ajuda de 200 alunos ele se propôs a trazer à tona uma reflexão sobre os impasses que existem entre o modelo tradicional de ensino (que se baseia em um quadro negro, giz e um professor no centro da sala de aula) e o novo perfil de estudante (que se mostra cada vez mais dinâmico e participativo).

No vídeo, os alunos falam de si e indicam que há grande insatisfação em relação ao modelo tradicional de ensino, no qual o professor dá uma aula unidirecional e padronizada e aos alunos resta absorver conteúdo sem que haja qualquer tipo de participação ou interatividade.

Frases curtas, porém impactantes, revelam a visão desses estudantes.

“Este ano vou ler 8 livros, 2.300 páginas da internet e 1.281 perfis no Facebook”

” Vou escrever 42 páginas para a escola este semestre e mais de 500 páginas de email”

“Quando eu me formar, provavelmente terei um emprego que não existe hoje”

Confira o vídeo!