Samba e educação: tudo a ver

Sou fascinada pela cultura afro-brasileira. Para mim, são lindas todas as formas de expressão que brotam do encontro dessas duas culturas. A dança, música, culinária, religião… Tudo me encanta. Nesse post pretendo falar do samba e trazê-lo para o contexto escolar.

Proponho pensarmos qual a necessidade de introduzir o samba aos jovens. Será isso importante? Será papel da escola?

Se pensarmos na importância do samba para a cultura brasileira e do compromisso da escola com questões culturais, podemos dizer que o samba deve sim estar presente nas salas de aula.

O samba conta histórias, remete ao passado, fala de futuro. É contestador, traz consigo as lutas e vitórias do povo brasileiro. É, indiscutivelmente, um documento nacional, que revela as diferentes etapas de nossa história.

Por ter tamanha riqueza histórica e cultural esse ritmo pode ser extremamente enriquecedor em sala de aula. Por meio de uma aula dinâmica e aquecida pelo batuque do samba, os alunos podem aprender a história do país, além de serem estimulados a entender e valorizar a cultura da qual fazem parte.

Mesmo os que não simpatizam com o som do tambor e cavaquinho podem tirar proveito do samba, afinal,  ele é muito mais do que simples entretenimento, é expressão cultural, social, artística e carrega consigo o multiculturalismo e a pluralidade brasileira.

Abaixo deixo alguns exemplos de sambas que podem ser explorados em sala de aula:

  • Para falar de política: “Vai Passar”, de Chico Buarque (Samba de Protesto – Diretas Já)
  • Para falar de religião: “Oxossi”, de Roque Ferreira (Samba sobre os Orixás – Umbanda)
  • Para falar de culinária: “Vatapá”, de Dorival Caymmi (Samba sobre prato típico da Bahia, influência africana)

 

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Por que a música é importante para a educação?

Não fiz pesquisas nem consultei artigos científicos, apenas me indaguei e resolvi responder a questão sem oferecer qualquer referência ou citação de autores reconhecidos. No caso, busquei as referências em meu passado, em meu presente, nas experiências vividas e então entendi que sem a música eu seria um ser humano incompleto, pela metade, teria menos sensibilidade para compreender o mundo.

Quando eu era pequena (por volta dos meus 5 anos), sentávamos em roda na escola e cantávamos. O professor de música tocava violão e nos ensinava as letras contando histórias; pedia para que criássemos novas canções e assim fazíamos. Cada um de nós jogava uma frase no ar e, de repente, formava-se uma história, que virava música, que virava dança, que virou lembrança.

Lembro bem de uma letra que fiz com meus colegas: “O que tem no meu caminho, o que há na minha rima… Sei que perdiz, rima com Beatriz…”. Falávamos de nosso dia a dia na escola, do “tatu bola”, “borboleta”, “bicho-folha”; transformávamos a nossa realidade em música e, assim, descobríamos, sem querer, a intensidade da linguagem musical, percebíamos que por meio dela podíamos contar histórias e falar daquilo que era importante para nós.

Hoje entendo que a presença da música em minha vida foi fundamental para ajudar na construção da minha identidade. Sempre tive a música como um lugar para entender o mundo e meus pares, para soltar a minha imaginação e explorar os limites do meu corpo e da minha mente. Fazer música, dançar música, ler música, ouvir música, tudo passa pela ideia de “transformação”.

Com certeza a música é um bem vital que, desde sempre, conversou com a humanidade e seus medos, amores, receios, guerras, conquistas, desesperos. Além de contar histórias, a música é um espaço para reflexão e para descobertas únicas. Sem a música seríamos pela metade e, por isso, ela é tão importante, pois ajuda o ser humano a ser inteiro!