Consciência negra é…

Estamos no Novembro Negro, mês da consciência negra. Mas – afinal – o que é consciência negra? Deixamos aqui um olhar sobre o tema e convidamos todos a refletirem sobre a pergunta e sobre as estruturas sociais que constituem e regem nossa sociedade. Uma causa de ontem, de hoje e de todos os dias, até que possamos ter uma sociedade que negue estereótipos e caminhe rumo à uma estrutura justa, capaz de acolher a todos de forma humana, digna e respeitosa. Uma militância de todo brasileiro.

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Consciência negra é…

Consciência negra é entender que o mundo a todos pertence; que não há uma única cultura, mas sim o encontro entre várias. É entender que a grandeza da cultura de nosso país deve-se exatamente a esses encontros, que aos poucos modelaram e enriqueceram a nossa culinária, nosso vocabulário, nossas práticas religiosas, nossa música, dança e, sobretudo, o nosso modo de viver a vida.

O encontro com a cultura-afro foi  – com certeza – um dos mais significativos para a história de nosso país. Quando os negros africanos foram deslocados para o Brasil (de maneira forçada e extremamente desumana – trazidos na forma de mercadoria) trouxeram consigo um mundo inédito, repleto de hábitos e costumes jamais vistos antes: a música, a comida, a dança – tudo tão novo; tão encantador.

consciencia-negraA cultura dos negros escravos não tardou em ultrapassar os limites da senzala e a todos conquistar. Tornou-se um dos grandes pilares da cultura brasileira e hoje podemos enxergar a influência afro em nossa culinária (vatapá, acarajé), música (samba, maxixe, bossa-nova), vocabulário (dengo, cafuné, cachimbo, batuque), nas práticas religiosas (candomblé, umbanda) e no próprio corpo brasileiro: os traços negros, a cor da pele, o cabelo, o jeito de mexer, de andar, de dançar.

Claro que pensar na presença dos negros africanos no Brasil é também pensar na exploração, no sofrimento e no preconceito racial, que marcaram de forma tão intensa a nossa sociedade. Ainda hoje vemos as raízes desse sistema escravocrata: o negro sofre preconceito, muitas vezes é marginalizado, representado sob visões estereotipadas e visto como subalterno.

Essas raízes calcadas no preconceito e marginalização, porém, estão perdendo força, já que não se justificam. Mas não podemos negar que ainda enfrentamos, em nosso cotidiano, fortes marcas do período escravocrata. Um retrato escancarado dessa herança é a “cultura da empregada”. Elites brasileiras têm alguém para passar, cozinhar, limpar; um alguém que, geralmente, fica restrito aos limites da cozinha e lavanderia. (Isso te remete a algo?)

Trata-se de um problema social: o Brasil se desenvolveu apoiado em uma ordem que nunca favoreceu os negros. Mesmo após a abolição da escravatura, em 1888, os ex-escravos não tiveram qualquer tipo de assistência do Estado – não eram mais escravos, mas tão pouco eram reconhecidos como cidadãos. Ficaram às margens da sociedade.

Outro ponto: como mudar a mentalidade daqueles que, há pouco, os escravizavam? A cultura servil naturalizou-se e, por mais absurdo que pareça, ainda hoje (2015!) escutamos discursos que valorizam a lógica da exploração (e claro que as pessoas que levantam essa bandeira, levantam também a bandeira do preconceito).

Cultura, política, economia… Esferas sociais que caminham juntas, que são inseparáveis e, por isso, ao falarmos da influência da cultura-afro em nosso país acabamos caindo em questões políticas e econômicas, mas devemos voltar à pergunta inicial: O que é Consciência Negra?

Termino este texto dando a resposta que, para mim, parece mais adequada: Temos a cultura-afro no sangue, no corpo e na alma. Ser brasileiro é ser afro e, por isso, consciência negra nada mais é do que reconhecer e respeitar o que somos: afro-brasileiros.

E para você? O que é Consciência Negra? Deixe sua resposta no espaço para comentários!

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Samba e educação: tudo a ver

Sou fascinada pela cultura afro-brasileira. Para mim, são lindas todas as formas de expressão que brotam do encontro dessas duas culturas. A dança, música, culinária, religião… Tudo me encanta. Nesse post pretendo falar do samba e trazê-lo para o contexto escolar.

Proponho pensarmos qual a necessidade de introduzir o samba aos jovens. Será isso importante? Será papel da escola?

Se pensarmos na importância do samba para a cultura brasileira e do compromisso da escola com questões culturais, podemos dizer que o samba deve sim estar presente nas salas de aula.

O samba conta histórias, remete ao passado, fala de futuro. É contestador, traz consigo as lutas e vitórias do povo brasileiro. É, indiscutivelmente, um documento nacional, que revela as diferentes etapas de nossa história.

Por ter tamanha riqueza histórica e cultural esse ritmo pode ser extremamente enriquecedor em sala de aula. Por meio de uma aula dinâmica e aquecida pelo batuque do samba, os alunos podem aprender a história do país, além de serem estimulados a entender e valorizar a cultura da qual fazem parte.

Mesmo os que não simpatizam com o som do tambor e cavaquinho podem tirar proveito do samba, afinal,  ele é muito mais do que simples entretenimento, é expressão cultural, social, artística e carrega consigo o multiculturalismo e a pluralidade brasileira.

Abaixo deixo alguns exemplos de sambas que podem ser explorados em sala de aula:

  • Para falar de política: “Vai Passar”, de Chico Buarque (Samba de Protesto – Diretas Já)
  • Para falar de religião: “Oxossi”, de Roque Ferreira (Samba sobre os Orixás – Umbanda)
  • Para falar de culinária: “Vatapá”, de Dorival Caymmi (Samba sobre prato típico da Bahia, influência africana)

 

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Educomunicação e cultura afro

Resolvi unir dois temas que me interessam: Educomunicação e Cultura Afro-Brasileira. Já fiz pesquisas em ambas as áreas, porém nunca trabalhei a união das duas. Quem sabe esse seja um bom tema para um estudo futuro.

A cultura-afro compõe uma parte significativa deste grande mosaico cultural que é o Brasil! Não há como falar em Brasil e não citar as inúmeras heranças deixadas pelos negros africanos. Vindos da África, eles trouxeram uma riqueza cultural ímpar, que logo influenciou diversos campos de nossa cultura: culinária, dança, música, idioma e religião.

Vatapá, samba, candomblé, berimbau, capoeira, choro, maxixe, acarajé, bossa-nova – Tudo isso é comum para você? Pois então! Tudo isso (e muito mais) está relacionado à cultura afro e, como vimos, em uma breve listagem já podemos perceber a enorme influência dos negros africanos em nosso dia-a-dia.

O tráfico negreiro já é tema instaurado e obrigatório no conteúdo programático de toda e qualquer escola brasileira (e não poderia ser diferente, já que estudar história do Brasil sem estudar esse período seria um grande equívoco).

Mas, mais do que compreender o que foi o tráfico negreiro, é fundamental que seja compreendido quais foram as consequências ele trouxe ao nosso país e como a herança que deixou se manifesta até hoje: se a contribuição cultural foi imensa, outras heranças também derivaram desse período, como o preconceito, a exclusão, as diferenças sociais e por ai vai.

A influência não foi apenas no campo cultural, mas também nos campos político, econômico e social. Para entender a dinâmica atual de nossa sociedade temos que entender o passado e buscar em suas raízes explicações para o que vemos e vivemos hoje.

O estudo da história nos dá base para nos localizarmos no mundo e nos instrumentaliza para que possamos participar do mundo, minimizando assim o risco de nos tornarmos passivos e alheios aos fenômenos que nos cercam.

Ao conhecermos o passado podemos entender o que deu errado, pensar sobre o que poderia ter sido diferente, podemos, inclusive, entender o próprio presente e refletir sobre o futuro.

Adquirimos, portanto, um repertório rico, que nos auxilia a pensar criticamente a sociedade da qual participamos e nos oferece ferramentas para contribuirmos com a evolução desta sociedade.

O ensino da história é complexo, pois trata-se de uma matéria em movimento: ele é passado, é presente e também futuro. Por apresentar esse perfil dinâmico, é difícil pensarmos em uma aula de história que se esgota nas páginas de um livro ou em uma folha branca de prova (embora isso muitas vezes aconteça).

É nesse momento que pensamos a possibilidade de explorar práticas educomunicativas para ensinar história e cultura afro aos alunos.

A Educomunicação parece casar muito bem com o ensino da história e cultura de nosso país. Os alunos, por meio de práticas educomunicativas, podem falar de si, de sua cultura, entender como ela se localiza dentro da história do país, podem criar pautas, vídeos, entender de onde vieram, por que realizam determinados rituais, podem buscar compreender as culturas alheias e assim, com a produção e a troca, será mais fácil (e palpável) compreender as raízes de nossa cultura e entender que a história é um processo continuo, que não está isolado, mas interligado em todas as suas diferentes épocas, culturas, povos, religiões.

Também existe a questão da leitura da mídia, ou seja, é preciso alertar o aluno para que ele receba as mensagens midiáticas de forma crítica. As representações do negro e da cultura afro na mídia, por exemplo, devem ser analisadas sob um olhar questionador: Como ele é representado? Por que é representado assim? Qual a representação predominante? Quais os papéis sociais que o negro ocupa nas representações midiáticas?

Isso significa tentar compreender o sistema no qual estamos inseridos: não vamos tomar o que nos oferecem como uma verdade, mas vamos quebrar com essa “verdade” e oferecer novas formas de pensar e de representar os elementos que compõe o mundo em que vivemos.

Abaixo alguns sites que falam sobre a Educomunicação e cultura Afro Brasileira:

Educomunicação e produção cultural afro-brasileira

Educomunicação e cultura afro-brasileira

A Educomunicação, iiê aiyê e a visibilidade da cidadania negra

As representações do negro na publicidade contemporânea: a Campanha de Veja