Minimalismo x consumismo

O documentário Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes foi lançado em 2016, nos Estados Unidos, e oferece uma reflexão sobre os hábitos de consumo dos sujeitos pertencentes às economias capitalistas.

Para o britânico Nikolas Rose, que estuda narrativas de autoajuda, diferentes épocas produzem humanos com diferentes características psicológicas, com diferentes emoções, crenças e patologias. Sob esta lógica, o documentário coloca em pauta uma patologia de nosso tempo: o consumismo, caracterizado pelo excesso e pelo acúmulo, e propõe ao espectador um estilo de vida minimalista, que seria oposto a este consumo exacerbado que se revela, principalmente, nos grandes centros urbanos.

A construção narrativa do documentário, a fim de convencer o espectador sobre as vantagens do minimalismo, se estrutura sobre vozes de psicólogos, sociólogos, historiadores, empreendedores e, principalmente, daqueles que mudaram de conduta, abandonando o comportamento consumista e assumindo o minimalismo como um novo estilo de vida. Temos, portanto, uma construção narrativa baseada, prioritariamente, em relatos autobiográficos: histórias de superação são contadas, na busca por inspirar e auxiliar aqueles que ainda se encontram presos a um comportamento de consumo baseado na lógica das adições.

Tais características nos levam a pensar que o documentário tem como um de seus principais objetivos a regulação social e moral dos sujeitos, já que, para a estudiosa Judith Butler, o ato de relatar a si mesmo, entre outras funções, tem o objetivo de persuadir.

Aos que estudam as práticas de consumo sob olhar critico e atento, o conteúdo deste documentário é bastante provocativo e revelador de um sistema de privilégios naturalizado: aqueles que se propõe a mudar de vida, adotando o estilo minimalista, necessariamente experimentaram o excesso e, ao adotarem novos hábitos, seguem um roteiro de vida previsível: viram autores de livros motivacionais, palestrantes, personagens de documentários, e assumem a missão de levar a mensagem para o maior número de pessoas possível, na tentativa de mostrar qual a receita de uma vida feliz. O projeto pessoal, ou biográfico, portanto, torna-se referência para a adoção de novos padrões de vida. Assim, o “eu” passa a funcionar como um ideal regulatório, como afirma Nikolas Rose.

Palavras como “receita” ou “ajuda” são utilizadas com frequência por personagens que aparecem no documentário. Os americanos Josh e Ryan, amigos de longa data, bem sucedidos no trabalho e donos de salários bastante altos, são um ótimo exemplo de como o “eu” pode atuar como agente regulatório. Ambos decidem abrir mão de uma vida consumista e adotar o minimalismo como um novo padrão para se viver: juntos, lançaram um site (theminimalists.com), escreveram livros, rodaram os Estados Unidos para, nas palavras deles: “inspirar e ajudar outras pessoas” ou, ainda, para “espalhar uma receita para uma nova vida”.

Nas palestras que proferem, a narrativa autobiográfica é a linha central; eles contam ao público como a vida era superficial e vazia quando viviam para trabalhar e consumir e afirmam que, ao adotarem o minimalismo como nova conduta, encontraram a verdadeira felicidade e o sentido da vida.

A dupla se autodenomina “os minimalistas” e possui não apenas site ou livros publicados, mas também canais nas redes sociais e podcasts, em que busca divulgar sua mensagem e sua receita para uma nova vida. Podemos enxergar neste fenômeno um nítido alinhamento com o discurso da autoajuda, já que, segundo Francisco Rudiger, estudioso do tema:

“A literatura de autoajuda constitui uma das mediações através das quais as pessoas comuns procuram construir um eu de maneira reflexiva, gerenciar os recursos subjetivos e, desse modo, enfrentar os problemas colocados ao indivíduo pela modernidade” (RUDIGER, 1996, p.13)

Assim como as histórias de Josh e Ryan, outros depoimentos autobiográficos sustentam o argumento do documentário. Pessoas que abandonaram suas casas enormes, para viver em locais minúsculos e compactos, dão seus testemunhos. As pequenas casas, por sua vez, são projetos arquitetônicos altamente especializados. No filme, não se fala em valores, mas podemos imaginar que muitos dígitos definem o preço dessas casas, já que elas pertencem a um universo de consumo exclusivo. É para poucos. E isso que incomoda no documentário. Também incomoda a forma como os discursos são construídos, sobre uma lógica bastante egocêntrica, em que personagens falam de suas vidas e escolhas pessoais com a certeza de que elas são as melhores para todos e, ainda, que são capazes de resolver questões sociais um tanto amplas e complexas.

O minimalismo é apresentado, no documentário, como um caminho fácil, algo que está na mão, pronto para ser adotado por qualquer cidadão comum, mas, na realidade, é para poucos, pois ele perpetua e reforça um circulo de privilégios e, ao mesmo tempo em que prega uma vida mais simples, fecha-se no circuito de um mercado com produtos e serviços que prometem uma vida descomplicada e que, exatamente por isso, tendem a apresentar valores exorbitantes.

O minimalismo na moda, por exemplo, prega por um guarda-roupa enxuto, mas com peças de boa qualidade. Sua lógica defende, por exemplo, a compra de um sapato artesanal, feito à mão, que dure longo período e que, por tais características, apresenta um valor de aproximadamente R$900,00. O mesmo vale para as residências minimalistas, como apartamentos de 14m2 na Av. Faria Lima, em São Paulo. O valor destes imóveis ultrapassa a casa do milhão e o condomínio também atinge um valor alto e pouco acessível.

Assim, o minimalismo como oposição ao consumismo soa como uma proposta um tanto intrigante. No documentário, ele é apresentado como uma receita pronta para a felicidade e, como na típica literatura de autoajuda, caracteriza-se por um discurso prescritivo, que tem como principal objetivo propor regras de conduta e fornecer conselhos – como afirma Rudiger. Mas, é preciso questionar estes estilos de vida ‘enlatados’ que chegam a nós, cotidianamente, por meio das produções e dos discursos midiáticos.

Acredito que precisamos, sim, consumir de maneira consciente, repensar acúmulos e excessos, compreender o valor e os significados imbricados naquilo que consumimos ou naquilo que deixamos de consumir. Porém, abrir um novo circuito de consumo e oferecê-lo como uma opção contrária ao consumismo, me parece uma saída um tanto contraditória para resolver as angústias e patologias das sociedades capitalistas.

Para termos uma organização social prioritariamente minimalista, contrária à sociedade de hábitos consumistas que vemos atualmente (como propõe o documentário), precisamos fortalecer os pilares que sustentam nossas sociedades.

Ser minimalista, a meu ver, passa pela criticidade de cada sujeito ao refletir sobre o seu papel na sociedade; passa pelo nível de entendimento que se tem desta mesma sociedade. E, para que tal reflexão seja possível, é preciso garantir oportunidades educacionais de qualidade a todos, sem distinção.

O minimalismo só fará sentido quando for um discurso capaz de tocar a todos, caso contrário, será apenas uma ideia restrita a um grupo privilegiado, que por experimentar o excesso, optou por descarta-lo, mas possui o conforto de voltar a ele, sempre que sentir necessidade. Isso não transforma estruturas, apenas mantém privilégios.

 

Textos consultados

BUTLER, Judith. Relatar a si mesmo: crítica da violência ética. Tradução Rogério Bettoni. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.

ROSE, Nikolas. Como se deve fazer a história do eu? Revista Educação e Realidade. Nº 26 (1). P. 33-57. jan/jul 2001.

RUDIGER, Francisco. Literatura de auto-ajuda e individualismo. Porto Alegre: Editora da Ufrgs, 1996.

Anúncios

A cultura do consumismo e suas implicações na infância

O crescente mercado de consumo voltado à infância traz à tona muitos questionamentos e preocupações àqueles que se se ocupam em garantir os direitos da criança e preservá-las de determinados abusos, tais como os abusos comerciais.

Um vasto leque de produtos e serviços é oferecido cotidianamente aos pais e seus filhos e, nesta dinâmica, torna-se urgente a reflexão sobre o lugar da criança: será que elas precisam ser inseridas no contexto do consumismo desde o berço?

A indústria de bens de consumo diz que sim e aos pais, pesquisadores e educadores, resta a árdua tarefa de questionar, criticar e, em última instância, desconstruir uma cultura que olha para a criança, desde muito cedo, como consumidora.

Em sociedades permeadas pela lógica do capital e sustentadas pelos argumentos da mídia, a experiência do brincar – momento potente, em que a criança investiga o mundo e constrói vínculos profundos consigo mesma e com os seus pares – inunda-se pelos valores da cultura do consumismo. Tais valores – como a supervalorização da posse material  – passam a ser referências expressivas para a construção da subjetividade e do imaginário dos participantes destas sociedades.

Aos atentos e preocupados com a infância, cabe refletir sobre como esta cultura afeta a construção do imaginário das crianças e quais implicações traz às experiências vividas por elas.

O brinquedo, artefato que ganha sentido profundo quando produzido pelas mãos das próprias crianças, viu-se apropriado por um mercado de consumo cada vez mais especializado, que passou a oferecer ao ‘público infantil’ uma ampla variedade de produtos alinhados às narrativas midiáticas, prioritariamente aos personagens dos filmes e desenhos dos grandes conglomerados de entretenimento, como as indústrias Disney.

Esta é uma realidade que está posta – a ideia hegemônica de infância é aquela construída pelas grandes marcas. Um pouco na linha do pensamento: “Toda criança precisa realizar o sonho de ir à Disney”.

Regras e condutas de comportamentos são ditadas diariamente pelos discursos midiáticos, por meio de mecanismos culturais, como filmes ou os próprios brinquedos. Assim, cabe aos adultos e cuidadores eleger com lucidez o que será apresentado às crianças, pois elas tomarão o oferecido como importante referência na construção de sua identidade e de seus valores sobre o mundo.

Se nos propusermos a entender a essência da infância compreenderemos que crianças não precisam dos excessos da indústria (talvez nem os adultos, certo?). O que elas necessitam com urgência é de liberdade, que é condição contrária à cultura do consumismo.

Essa liberdade que defendo pode ser encontrada, por exemplo, na vastidão da natureza. Os ciclos, os espaços e os materiais da natureza oferecem à criança um ambiente propício à investigação e às descobertas. Também oferece partes soltas, como folhas, troncos, água, terra, que estão sempre dispostos a virar tudo aquilo que a criança imaginar.

É importante dizer, porém, que não temos aqui um manifesto contra o brinquedo da indústria, mas sim um alerta frente à cultura do acúmulo que permeia nossas experiências de vida. Não se trata de banir o industrializado, mas de consumi-lo com criticidade, pois não falamos apenas de um consumo material, mas principalmente simbólico: quais as mensagens que determinados brinquedos carregam?

Também devemos pensar sobre o que transmitimos às crianças quando limitamos suas experiências ao circuito de consumo.  

Ao oferecer somente o pronto e o industrializado ou restringi-las a circular apenas nos ‘templos’ do consumo, como os shoppings, legitimamos os valores de uma cultura consumista, que preza pela posse e minimiza as possibilidades de experiências de protagonismo e autoria.

As crianças precisam viver o que, aos olhos dessa sociedade regida pelo capital, parece banal ou pouco produtivo: visitar parques ao ar livre, sentir a textura de uma flor ou simplesmente vivenciar o ócio. Estas são experiências que não carregam consigo os valores de um mundo alinhado ao consumismo e, exatamente por isso, possibilitam liberdade para que as descobertas da infância ocorram a partir de desejos que surgem de dentro para fora e não a partir daqueles provocados pelos discursos da mídia e pelo mercado de consumo.

Foto: Pixabay

Mapa da Infância Brasileira lança plataforma colaborativa de aprendizagem

Pensar a infância com a atenção e o cuidado necessários, esse é o grande diferencial do Mapa da Infância Brasileira (MIB), uma comunidade colaborativa de aprendizagem  que tem como missão articular, mobilizar e criar sinergias entre os diversos atores e iniciativas que visam gerar impacto positivo na qualidade de vida das crianças brasileiras.

Idealizado e coordenado pelo NEPSID (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento),
o projeto iniciou suas ações em 2013 com a pesquisa “Espaços e Programas humanizados para as crianças
de São Paulo”, que reuniu ações inovadoras na cidade e alimentou o desejo de ir além: olhar não apenas para São Paulo, mas para as diferentes infâncias brasileiras.

Assim surgiu o MIB; um convite ao diálogo, reflexão e  inspiração sobre a infância e suas linguagens. Um lugar para acolher os gestos e ritmos infantis e refletir sobre eles. Uma comunidade para aprender, trocar, pesquisar e, sobretudo, para alimentar a alma.

São muitas as iniciativas inspiradoras voltadas à infância Brasil afora! O MIB surge para reunir essas iniciativas e permitir que pessoas interessadas pelos temas da infância se encontrem e troquem informações.

Qualquer um pode participar da comunidade. Se você tem interesse em se aprofundar no tema e conhecer boas práticas, ou se deseja compartilhar uma iniciativa ou conteúdo, acesse a plataforma e inscreva-se.

Além da plataforma online, o MIB desenvolve e aplica instrumentos de pesquisa junto a crianças e seus cuidadores, com o objetivo de buscar indicadores às diferentes iniciativas das quais as crianças participam. Os instrumentos do MIB já foram utilizados em iniciativas como o Movimento Boa Praça, Sacolão das Artes e Projeto Casulo.

Acompanhe o Mapa da Infância Brasileira!

 

Infância e sociedade de consumo: cuidar é preciso!

No prefácio do livro “Exercícios de ser criança”, de Manoel de Barros, Pascoal Soto lança a pergunta: “Uma peneira, um caixote e duas latas de goiabada. Quem seria capaz de construir um mundo a partir desses objetos?”.

As crianças; é claro! Mas, será que estamos permitindo que elas brinquem livremente? Que construam seus próprios mundos e seus próprios brinquedos de forma espontânea?

Em uma sociedade conduzida pela lógica do capital, essas perguntas são pertinentes e cabem, principalmente, aos grandes centros urbanos, em que a dinâmica do consumo já se naturalizou, determinando o ritmo de vida de muitos.

Vivemos sob discursos que se direcionam claramente ao consumismo. A ideia central é consumir, descartar, consumir novamente e entrar de cabeça neste ciclo, responsável por alimentar e sustentar as indústrias de produtos e serviços.

brinquedo-infantil

A partir de materiais simples, que fazem parte do dia a dia, podem surgir muitos brinquedos e brincadeiras!

Dentro desta lógica, deixamos de ser autores e nos tornamos proprietários; usufruímos daquilo que nos é posto como necessário e assim, sem perceber, mergulhamos na dinâmica consumista. Precisamos estar atentos: será que realmente necessitamos de tudo aquilo que o discurso do consumo nos impõe?

A reflexão é fundamental, principalmente quando pensamos nas crianças. Como estamos lidando com a questão do consumismo na infância? Essa pergunta relaciona-se de forma intima com a discussão sobre brinquedos industrializados versus brinquedos artesanais.

A indústria voltou-se com empenho ao público infantil, oferecendo um leque de produtos inimaginável. Mas, será que a criança realmente precisa destes tantos produtos para viver uma infância plena, saudável e feliz?

O mercado diz que sim, e aos educadores (leia-se pais, professores e demais adultos que participam da vida da criança) resta questionar esse discurso da necessidade, apresentado em cada propaganda e embalagem de produto infantil.

Um toddynho não deve fazer tão bem quanto a propaganda afirma, não é mesmo? Talvez seja melhor optar por um suco natural ou um leite cuja origem é conhecida. A mesma lógica serve à reflexão sobre os brinquedos que a indústria oferece: será mesmo que são as melhores opções para acompanhar a criança no momento do brincar?

Bonecas que choram e pedem mamadeira; cachorros-robô, que latem e pedem carinho; carrinhos com diversos botões e luzes; replicas de celulares, casinhas e bonecas de plástico, comidinhas de plástico, tudo de plástico! Plástico e muitos botões, sempre envoltos por embalagens extraordinárias, cheia de cores e mil promessas. Ah! Claro! Com tantas funções, o manual de instruções se faz necessário e já vem dentro da caixa, com o passo a passo para cada brinquedo.

É isso que queremos oferecer às nossas crianças?

Antes de pagarmos pelas imensas embalagens e seus produtos de plástico, precisamos entender o que significa o brincar na vida de uma criança. A brincadeira é a forma como a criança se expressa, como ela descobre o mundo e como descobre a si mesma. Durante a brincadeira ela acessa seu imaginário; cria, recria, monta e desmonta, entra em contato com seus sentimentos e vontades; investiga, constrói hipóteses, organiza suas fantasias e exerce a sua criatividade.

A brincadeira dá à criança a possibilidade de autoria e autonomia, é um percurso necessário e extremamente rico; é a própria linguagem infantil.

Ao entregarmos um brinquedo repleto de botões e funções pré-determinadas tiramos a possibilidade do percurso, entregamos o pronto e impossibilitamos toda uma caminhada de criação; a criança vira proprietária e não criadora.

O brinquedo oferecido pela indústria vem repleto de sentidos e significados, traz discursos pré-prontos e intimamente ligados aos valores, símbolos e crenças dos adultos. A criança, claro, brincará com ele e provavelmente será divertido, mas, será que nessa interação o potencial da brincadeira é exercido em toda a sua amplitude?

A imaginação de uma criança está além da compreensão dos adultos. Basta solta-la em um quintal e, com duas pedrinhas nas mãos, ela construirá um mundo inteiro. Então, se é assim, por que não deixa-la livre? O brinquedo artesanal, ou o brinquedo inventado, dá infinitas possibilidades à brincadeira. A construção do próprio brinquedo também possibilita outra relação com o brincar, que começa no momento em que a criança decide construi-lo. O processo de criação torna-se a própria brincadeira.

Muitas crianças – repare – quando ganham seus brinquedos industrializados logo buscam desconstrui-lo, procurando funções e significados para aquele objeto pronto que lhes foi entregue. A capacidade criadora é inerente à criança; tudo para ela significa um mar de possibilidades e sonhos.

Seria muito radical dizer um não definitivo aos brinquedos industrializados, mas é preciso pensar sobre o que eles significam para a criança e como afetam seu desenvolvimento.

Ter uma latinha de metal e dois pedaços de borracha em mãos pode ser tão ou mais precioso do que ter ao alcance um carrinho-robô de controle remoto.

Temos o dever de mostrar às crianças que elas são muito mais do que meras proprietárias; elas são criativas, são autoras, capazes de construir seu próprio mundo com aquilo que a natureza lhes oferece.  E ai mora outra problemática referente ao excesso de brinquedos industrializados: o afastamento em relação à natureza.

Com brinquedos extremamente rebuscados em termos de funções e tecnologia, as brincadeiras tendem a limitar-se a espaços internos ou, mesmo que a criança vá para fora, acaba atenta à tela ou às inúmeras funções do brinquedo. Assim, perde a oportunidade de explorar os tantos recursos que a natureza oferece e que são tão fundamentais ao enriquecimento dos processos de aprendizagem.

Vivemos num contexto que pede reflexão e questionamento. O consumo está posto, mas não por isso precisamos alimenta-lo de forma desvairada. Se pudermos mostrar às crianças que o mundo é infinito e extremamente rico para além dos shoppings centers e dos brinquedos de plástico, estaremos contribuindo para que elas ampliem seu olhar e, no futuro, sejam autônomas, criticas e seguras para exercer sua criatividade livremente.

Para terminar, fica a pergunta: quais brinquedos você está entregando às suas crianças? Seja nas escolas, em casa ou nas brinquedotecas, precisamos pensar sobre a função dos brinquedos e do brincar e assegurar que eles sejam livres e espontâneos, afinal, na criança vive o inédito, qualidade tão preciosa e necessária à renovação e reinvenção do mundo! Vamos cuidar do brincar, vamos cuidar das crianças, vamos cuidar do mundo!

Para inspirar!

Projeto Tree Change Dolls – O projeto é uma grande reflexão às indústrias de brinquedo. Será que as Barbies e outras bonecas oferecidas pelo mercado conversam com o universo infantil? A Australiana Sonia Singh nos dá a resposta. Iniciativa emocionante e muito sensível!

Projeto Território do Brincar – A educadora Renata Meirelles, seu marido e filhos percorreram, durante dois anos, diversas comunidades ao redor do Brasil, a fim de conhecer e registrar as diferentes brincadeiras e linguagens infantis. Vale clicar! O material coletado é uma relíquia sobre as infâncias brasileiras.

Brincar: um campo de subjetivação na infância (Claudia Santos Jardim) – Dica de leitura para quem tem interesse em estudar e pensar sobre a infância e o brincar.

Este texto foi escrito para o Blog WPensar, parceiro do Educomunicação.

Sustentabilidade: por uma nova educação, por um novo modo de vida.

crianca-naturezaA sustentabilidade é um tema importante a todos que queiram permanecer neste planeta  – no presente – e garantir um futuro possível às próximas gerações. É um tema amplo, que abrange não somente questões ambientais, mas sociais e econômicas.

Trata-se de um triângulo que opera em harmonia e, se provocarmos desequilíbrio entre essas três esferas, teremos crises extremamente graves e desafiadoras; inclusive, já estamos vivenciando algumas: crise hídrica, temperaturas extremas, enchentes, verticalização intensa das cidades e pouco espaço para o verde.

Será sustentável viver num mundo que, cada vez mais, preza pelos interesses econômicos sem priorizar as demais esferas tão (ou mais) importantes à vida na terra?

Precisamos cuidar de nossa morada e trazer a sustentabilidade para o centro da vida de todos, ela deve estar no dia a dia das pessoas, deve ser um modo de vida. Como cidadãos, precisamos cuidar do mundo que nos acolhe há tantos milhões de anos e deixa-lo habitável aos nossos filhos e netos.

Mas, como incorporar essa visão da sustentabilidade no modo de vida – e nos hábitos – das pessoas? O ideal é que se tenha uma educação voltada à valorização da natureza, da justiça e da igualdade, desde cedo. Crianças devem compreender seu papel no mundo e descobrir as formas de torná-lo um lugar melhor a todos.

Já existem muitas iniciativas que apresentam propostas interessantes nesse sentido. Uma delas é o projeto “Pequeno Sustentável”, um portal na internet sobre sustentabilidade e formas de (re)pensar a educação junto com as crianças e adolescentes.

Por meio de notícias, dicas, vídeos, fotos, artes, discussões, conversas e questionamentos, o site propõe importantes reflexões sobre os temas abordados e convoca pessoas de todas as idades para a construção de um mundo melhor. Os conteúdos são atualizados diariamente pela equipe, e também abre espaço para publicações e notícias de leitores de qualquer lugar do planeta.

Realizar ações e atividades sustentáveis, participar de eventos e movimentos socioambientais, se reunir para trocar ideias, (re)pensar a educação e multiplicar boas práticas, também fazem parte do projeto.

Entre os valores essenciais do projeto, estão: soliedariedade, cidadania, cultura de paz, consciência socioambiental, entre outros.

Se você se interessou pela iniciativa, tem interesse em participar ou ter acesso aos conteúdos divulgados, visite o site e curta a página no facebook.

 

 

 

 

Produtora lança box com documentários sobre a infância

caixa-da-mudançaPor meio de seu trabalho, a Maria Farinha Filmes se propõe a contar impactantes e inspiradoras historias que provoquem transformação. Em 2013, a produtora foi contemplada com o selo internacional BCorporation, que tem o objetivo de certificar empresas que usam o poder dos negócios para criar soluções para problemas sociais e ambientais no mundo.

Entre as produções da Maria Farinha há documentários, ficções e séries, além de outras formas de mídia. Conscientizar e provocar mudança é seu grande objetivo e, pensando nisso, a produtora vem trabalhando, já há alguns anos, com O Instituto Alana, uma organização da sociedade civil, que tem como missão ‘honrar a criança’.

Juntos, Alana e Maria Farinha realizaram trabalhos importantes, como os documentários: “Criança, a alma do negócio”, “Muito além do peso” e “Tarja Branca – A revolução que faltava”.

Hoje, 10/12, haverá lançamento oficial do ‘Box da Mudança’, que contempla esses três trabalhos.

Se você acredita na força da informação para provocar mudanças significativas e se tem interesse em conhecer ou em prestigiar essa iniciativa tão importante, confirme sua presença no evento!

O lançamento acontece a partir das 18h30, na Livraria da Vila, na Rua Fradique Coutinho, 915, Vila madalena.

O bate-papo com os produtores Estela Renner, Luana Lobo e Marcos Nisti será às 20h.

A música ficará à cargo do O Bardo e o Banjo e a plateia poderá curtir o show em divertidos bancos de papelão.

Além disso, haverá bike drinks com The Traveling Family Company e tapiocas fresquinhas da Alegria Padaria e Comidinhas Brasileiras.

Serviço:

O que? Bate-papo com produtores da Maria Farinha Filmes – Lançamento do box Caixa de Mudança

Onde? Livraria da Vila | Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena – São Paulo

Quando? Dia 10 de dezembro às 18h30

A escola no espaço digital

children-technologyNo contexto em que vivemos, é tarefa quase impossível ignorar a influência da tecnologia em nossas vidas. Seja no trabalho, na vida pessoal, na escola: a tecnologia está conosco a todo o momento. É verdade que precisamos ponderar e aprender a lidar com ela, sabendo aproveitar seus beneficios e driblar seus riscos.

Para as escolas, a tecnologia auxilia não apenas didaticamente, em sala de aula, mas também para a gestão da instituição. Muitos gestores, porém, ainda não estão abertos às soluções digitais, que podem facilitar o relacionamento com pais, estudantes e demais públicos estratégicos.

Foi pensando nisso que o Blog Wpensar, novo parceiro do Educomunicação, fez o post “A escola no espaço digital”. O texto traz uma relação de todos os benefícios que a tecnologia pode trazer aos gestores de instituições de ensino.

Confira!

Education Hackathon – Por uma educação inspiradora

No próximo final de semana (dias 27 e 28 de setembro) acontecerá, em São Paulo, a terceira edição do Hackathon Educação, um evento global que surgiu com a proposta de debater o sistema convencional de educação, propondo transformações e produzindo conhecimento de forma colaborativa.

O evento, que acontecerá simultaneamente em diversos países, parte do pressuposto que o sistema de educação predominante não apenas no Brasil, mas no mundo, não endereça as reais necessidades de cada indivíduo, prejudicando, assim, o desenvolvimento humano e criando barreiras importantes para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.

A dinâmica do Hackathon é 100% colaborativa. Trata-se de um espaço que permite aos participantes compartilhar experiências educacionais, conectar-se com outras pessoas (formar redes), vivenciar práticas educativas inovadoras e, por fim, cocriar projetos benéficos para uma nova educação.

Neste ano o evento acontecerá ao ar livre, na Praça Domingos Luis, localizada na Zona Norte de São Paulo. A programação contemplará oficinas, rodas de conversa e cocriação de projetos. Para saber mais e confirmar sua presença, clique aqui.

A oficina “ARedu: imaginação coletiva aplicada na educação” está entre as atividades do evento e propõe um questionamento da educação por meio da pintura, do resgate de memórias pessoais e da poesia.

Todas as vivências serão baseadas na lógica da cocriação. Para Beatriz, Carolina e Clara, idealizadoras da atividade, “interações colaborativas podem trazer olhares inovadores para construir novos rumos para a educação.”

Quer participar? Confirme sua presença!

___________________________________________________

SERVIÇO

Quando? Dias 27 e 28 de Setembro, a partir das 10h

Onde? Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, nº 1000 (ao lado da estação Vergueiro do Metro)

 

Curso de Formação em Educomunicação

Tem interesse em aprofundar o seu entendimento sobre Educomunicação? A oportunidade está logo aqui!

Anualmente, o Instituto Gens, em parceria com o Projeto Cala-boca já morreu, oferece um curso de Educomunicação no formato de imersão. Neste ano, será realizado o módulo “Rádio”.

O curso acontecerá nos dias 15 a 19 de outubro, na casa do Projeto Cala-boca já morreu, localizada em São Paulo, na Rua Henrique Schaumann, nº 125 (Pinheiros).

Visite http://www.educomunicacao.org.br para ver todas as informações sobre o curso: programação, pessoas que ministrarão e o valor.

IMPORTANTE: as inscrições vão até o dia 10 de outubro!

divulgação