Consciência negra é…

Estamos no Novembro Negro, mês da consciência negra. Mas – afinal – o que é consciência negra? Deixamos aqui um olhar sobre o tema e convidamos todos a refletirem sobre a pergunta e sobre as estruturas sociais que constituem e regem nossa sociedade. Uma causa de ontem, de hoje e de todos os dias, até que possamos ter uma sociedade que negue estereótipos e caminhe rumo à uma estrutura justa, capaz de acolher a todos de forma humana, digna e respeitosa. Uma militância de todo brasileiro.

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Consciência negra é…

Consciência negra é entender que o mundo a todos pertence; que não há uma única cultura, mas sim o encontro entre várias. É entender que a grandeza da cultura de nosso país deve-se exatamente a esses encontros, que aos poucos modelaram e enriqueceram a nossa culinária, nosso vocabulário, nossas práticas religiosas, nossa música, dança e, sobretudo, o nosso modo de viver a vida.

O encontro com a cultura-afro foi  – com certeza – um dos mais significativos para a história de nosso país. Quando os negros africanos foram deslocados para o Brasil (de maneira forçada e extremamente desumana – trazidos na forma de mercadoria) trouxeram consigo um mundo inédito, repleto de hábitos e costumes jamais vistos antes: a música, a comida, a dança – tudo tão novo; tão encantador.

consciencia-negraA cultura dos negros escravos não tardou em ultrapassar os limites da senzala e a todos conquistar. Tornou-se um dos grandes pilares da cultura brasileira e hoje podemos enxergar a influência afro em nossa culinária (vatapá, acarajé), música (samba, maxixe, bossa-nova), vocabulário (dengo, cafuné, cachimbo, batuque), nas práticas religiosas (candomblé, umbanda) e no próprio corpo brasileiro: os traços negros, a cor da pele, o cabelo, o jeito de mexer, de andar, de dançar.

Claro que pensar na presença dos negros africanos no Brasil é também pensar na exploração, no sofrimento e no preconceito racial, que marcaram de forma tão intensa a nossa sociedade. Ainda hoje vemos as raízes desse sistema escravocrata: o negro sofre preconceito, muitas vezes é marginalizado, representado sob visões estereotipadas e visto como subalterno.

Essas raízes calcadas no preconceito e marginalização, porém, estão perdendo força, já que não se justificam. Mas não podemos negar que ainda enfrentamos, em nosso cotidiano, fortes marcas do período escravocrata. Um retrato escancarado dessa herança é a “cultura da empregada”. Elites brasileiras têm alguém para passar, cozinhar, limpar; um alguém que, geralmente, fica restrito aos limites da cozinha e lavanderia. (Isso te remete a algo?)

Trata-se de um problema social: o Brasil se desenvolveu apoiado em uma ordem que nunca favoreceu os negros. Mesmo após a abolição da escravatura, em 1888, os ex-escravos não tiveram qualquer tipo de assistência do Estado – não eram mais escravos, mas tão pouco eram reconhecidos como cidadãos. Ficaram às margens da sociedade.

Outro ponto: como mudar a mentalidade daqueles que, há pouco, os escravizavam? A cultura servil naturalizou-se e, por mais absurdo que pareça, ainda hoje (2015!) escutamos discursos que valorizam a lógica da exploração (e claro que as pessoas que levantam essa bandeira, levantam também a bandeira do preconceito).

Cultura, política, economia… Esferas sociais que caminham juntas, que são inseparáveis e, por isso, ao falarmos da influência da cultura-afro em nosso país acabamos caindo em questões políticas e econômicas, mas devemos voltar à pergunta inicial: O que é Consciência Negra?

Termino este texto dando a resposta que, para mim, parece mais adequada: Temos a cultura-afro no sangue, no corpo e na alma. Ser brasileiro é ser afro e, por isso, consciência negra nada mais é do que reconhecer e respeitar o que somos: afro-brasileiros.

E para você? O que é Consciência Negra? Deixe sua resposta no espaço para comentários!

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Mobilização livre e lúdica celebra os 25 anos do ECA

Em julho de 2015 o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – completa 25 anos. Para comemorar a data diversas organizações da sociedade civil se uniram no movimento “Juntos pelo Brincar”, uma mobilização livre e lúdica que ocorrerá no dia 5 de julho no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, das 10 às 16 horas. O objetivo é transformar o Largo em um grande espaço para o livre brincar, destinado às crianças e suas famílias.

CARTAZ DIGITAL COM PROGRAMAÇÃO OKA mobilização “Juntos pelo Brincar” foi construída coletivamente com base em três eixos importantes garantidos pelo ECA: o direito ao brincar, fundamental no desenvolvimento da criança e do adolescente; o direito à convivência familiar e comunitária como forma de inserção no meio social para que eles interajam com o mundo de maneira saudável e segura; e o direito ao espaço público para encorajar as crianças e adolescentes a se reconhecerem como cidadãos e sujeitos de direitos.

Já estão programadas mais de 20 atividades como brincadeiras de rua, oficinas de bicicleta, contação de histórias, apresentações musicais, sarau e yoga para crianças. Há uma ficha de inscrição prévia, mas no dia o espaço estará aberto e livre para quem quiser levar suas próprias brincadeiras.

A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo e da Subprefeitura de Pinheiros. Os órgãos oferecerão as estruturas necessárias ao acolhimento das crianças e suas famílias, contribuindo para uma ocupação segura do espaço, onde todos possam exercer livremente o direito ao brincar, ao espaço público e à convivência comunitária.

A importância do ECA

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi o resultado de um intenso processo histórico de consenso e articulação da sociedade brasileira. O documento instituído pela Lei 8.069 no dia 13 de julho de 1990 foi inspirado pelas diretrizes fornecidas pela Constituição Federal de 1988 e passou a assegurar tratamento social e jurídico especial para crianças e adolescentes.

Mesmo considerando todas as garantias inscritas no ECA e na Constituição Federal, enfrentamos um momento de ameaça às conquistas realizadas. Diante do contexto atual entidades da sociedade civil decidiram apoiar esse evento que celebra a importância histórica dos 25 anos do ECA.

Serviço

Mobilização em celebração aos 25 anos do ECA

Local: Largo da Batata – São Paulo, SP.

Data: Domingo, 5 de julho de 2015.

Horário: das 10h às 16h

Inscrição de atividade: https://pt.surveymonkey.com/s/5S28ZGT

Mais informações: facebook.com/juntospelobrincar

Quem apoia: Casa do Brincar; Colégio Equipe; Educacuca; Fundação Maria Cecília Souto Vidigal – FMCSV; Instituto Alana; Instituto Aromeiazero; Instituto Equipe; Instituto Natura; Mapa da Infância Brasileira – MIB; Núcleo São Paulo da Rede Pikler Brasil; REBRINC – Rede Brasileira Infância e Consumo; RE Educação e Cultura; Respire Cultura; SampaPé!; UNICEF.

‘O Sal da Terra’ – Um filme para sempre

A primeira vez que ouvi Sebastião Salgado ele conversava com o jornalista Roberto D’avila. Parei tudo o que eu estava fazendo para me concentrar naquele homem de sobrancelhas brancas e tão expressivas. Cada frase soou como um presente e, depois de ouvi-lo, o meu amor pela vida ficou um tantinho maior.

Eu já conhecia o trabalho de Sebastião, mas nunca tinha escutado sua voz.  Meus olhos derramaram lágrimas e compreenderam o motivo da intensa beleza de seus registros: ele fotografa com o coração e tem como grande auxiliar a vastidão de sua alma. Um poeta de olhares profundos, que fala sobre a vida e suas tantas faces, ora maravilhosas, ora devastadoras.

Sebastião Salgado – Iguana-marinha (detalhe), Galápagos, 2004.

Sebastião Salgado – Iguana-marinha (detalhe), Galápagos, 2004.

A forma como Sebastião traduz o mundo nos coloca em nosso devido lugar. De maneira sensível e extremamente respeitosa, ele adentra comunidades de humanos, macacos, morsas, crocodilos, tartarugas e nos reconecta às nossas raízes. Viemos todos de uma mesma célula, somos uma grande comunidade, que está vinculada pela história da origem da vida.  Mas raramente nos lembramos disso.

Para Sebastião Salgado, que já esteve entre tantos grupos de animais, o humano é o mais cruel e feroz de todos; coloca-se como ‘principal’ dentro do cenário do mundo e se vê no direito de destruí-lo. Devasta florestas, polui rios, destrói seus semelhantes, extingue outras espécies, num movimento claro de esquecimento: não nos vemos como parte da natureza e acreditamos ser superiores a uma árvore ou a uma iguana. Doce ilusão.

Estamos todos juntos nesse planeta e devemos respeita-lo, pois ser humano também é ser terra, água, fogo e ar. A vida humana está intimamente ligada a todas as outras formas de vida: uma formiga, uma árvore e uma onça têm absolutamente tudo a ver conosco. Mas nos desligamos desse pensamento e nos tornamos brutais e ferozes.

No documentário “O Sal da Terra”, que conta a história da vida e obra de Sebastião Salgado, esse olhar nos acompanha o tempo inteiro. E, por isso, merece visto. É um recado para a humanidade. E essa tem sido a grande herança dos projetos de Sebastião: por meio de sua fotografia ele nos prova que a humanidade está à beira do abismo; não conseguimos resolver o problema da fome, realizamos as mais frias e sanguinárias guerras, arrancamos plantas e animais de seu habitat e, nesse movimento, provocamos nossa autodestruição.

Após as tantas denúncias que realizou ao longo de sua carreira, Sebastião declarou não ter mais forças, nem vontade, de continuar. Muitas de suas missões concentraram-se na tragédia humana e ele retratou as mais inimagináveis atrocidades (Veja aqui a obra completa do fotógrafo).

Exatamente por ter presenciado, ao longo de tantos anos de trabalho, tragédias que feriram sua alma, Sebastião decidiu voltar ao ofício, agora com uma linda homenagem ao Planeta Terra. Por meio de seu Projeto “Genesis”, ele mostrou que existem partes do mundo que ainda estão “a salvo” e, com o surgimento do Instituto Terra, em Minas Gerais, sua terra natal, nos deu um lindo recado: é possível reconstruir o mundo.

A vida se renova e nós precisamos entender qual o nosso papel nesta renovação. É preciso preservar o mundo e, para isso, devemos olhar, principalmente, para nossas crianças. Qual educação estamos dando a elas? Uma educação que valoriza e respeita a natureza? O que precisamos para mudar esse mundo que está à beira do abismo, marcado pela fome, desigualdade, consumismo e pela autodestruição? Precisamos, basicamente, nos reconectar às nossas raízes. A mudança é possível e a educação pode nos auxiliar nessa caminhada.

Por isso, finalizo com a mensagem que ‘O Sal da Terra’ é um filme para ser visto por crianças, por adultos, por idosos, por todos aqueles que participam do mundo e aqueles que um dia participarão: um filme para sempre.

A criança e a cidade: experimentar para aprender

“Toda criança tem direito à cidade”. Foi assim que Irene Quintáns, arquiteta urbanista, fundadora da Rede Ocara, deu início à palestra que proferiu no Instituto Singularidades, para alunos da Pós Graduação “Infância, Educação e Desenvolvimento Social”. No encontro, ela falou sobre a importância da relação entre a criança e a cidade. “Se a criança não vivenciar as ruas e as diferenças, ela não assimilará essas realidades”, afirma a arquiteta.

A Rede Ocara defende a concepção de cidades amigáveis e desenvolve projetos sobre cidade, arte, arquitetura e espaço público nos quais participam crianças. A ideia defendida é a de que a criança precisa viver a cidade/bairro/comunidade da qual participa; vê-se a cidade como elemento essencial para o seu pleno e saudável desenvolvimento.

Mas, será que as crianças brasileiras (principalmente aquelas que moram nas grandes cidades) estão interagindo com os espaços públicos?

Hoje, principalmente nos grandes centros urbanos, como São Paulo, acredita-se que a rua é um local perigoso e, assim, os pais optam por manter seus filhos dentro de casa, do carro, do shopping e tantos outros espaços internos, ‘protegidos do perigo das ruas’. Quintáns provoca: Qual será o melhor lugar para uma criança?

cidade-criançaA arquiteta chama estes espaços fechados de ‘caixas’; sem saída, sem oportunidades, sem surpresas. E, o hábito de viver dentro dessas caixas é extremamente nocivo para a saúde e para o desenvolvimento emocional, social e cognitivo. Dentro de casa, por exemplo, temos a TV, o computador, o sofá. A criança que passa a infância frente a esses aparelhos perde oportunidades fundamentais para o seu desenvolvimento integral, já que o contato com o mundo é impedido, afetando assim a sua criatividade, sua autonomia, a construção de valores e a percepção do outro e de si mesma.

Uma criança que não sai da caixa é impedida de viver plenamente a infância. De casa pro carro, do carro pra escola, da escola pro carro, shopping, restaurante e assim vai. A experimentação do mundo torna-se repleta de limites e barreiras. É preciso equilibrar as vivências.

Onde estão os parques? As praças? As calçadas? As pessoas que passam nas ruas? Como colher as flores e folhas que caem das arvores? Como observar os passarinhos que cantam lá fora? Tudo isso é escondido da criança, quando não lhe dão a oportunidade de vivenciar o entorno em que está inserida.

Do lado de fora existem infinitas surpresas e aprendizados: é possível correr, conhecer pessoas, descobrir flores e insetos, sentir texturas e cheiros, observar as cores, aprender nomes de ruas, imaginar histórias, fazer carinho no cachorro que passa! É possível conhecer o mundo e também as regras da sociedade, entrando em contato direto com as noções de cidadania.

Tudo isso a criança aprende por meio da vivência pessoal e não pela tela de uma TV ou pela fala da professora. O aprendizado e o desenvolvimento acontecem pela experiência, e isso é forte, é determinante.

Será, portanto, saudável manter as crianças trancadas nas caixas, muitas vezes impostas pelo discurso do medo e do consumo? Estudos apontam que mais de 1 milhão de crianças brasileiras apresentam quadros de diabetes, 39% estão obesas e, provavelmente, manterão tal condição na vida adulta. Sim, isso tem a ver com alimentação, com falta de exercício e com estilos de vida que privam o contato com espaços externos.

As crianças merecem sair das caixas e vivenciar seus entornos. Os adultos, porém, precisam compreender que relacionar-se com a cidade (e o mundo), não por meio de relatos, mas por meio de experiências reais, é determinante para o desenvolvimento saudável e pleno da criança.

Para inspirar!

Escolas verdes: o mundo precisa delas

De forma crescente vemos surgir, ao redor do mundo, movimentos que buscam propor novos modelos educacionais. O grande questionado é o modelo ‘bancário’ de ensino, que foi definido por Paulo Freire como aquele modelo que consiste numa educação repressora, em que o educador deposita conteúdos no educando, sem reconhece-lo como sujeito autônomo.

Questionar esse modelo é necessário. Uma educação que não faz do aluno protagonista de seu próprio aprendizado jamais será transformadora.

O educador deve promover encontros, instigar, despertar a curiosidade sem, jamais, entregar fórmulas prontas e fechadas: é preciso abrir pontes para a reflexão e para a experiência. Só assim o jovem saíra da escola com criticidade e autonomia suficientes para compreender seu papel no mundo.

Mas, como criar modelos de aprendizagem que consigam dar à educação a capacidade de formar sujeitos livres, autônomos e capazes de transformar a comunidade em que estão inseridos? O designer canadense John Hard nos dá a resposta, com a sua “Green School”, fundada em 2006, em Bali, na Indonésia.

green-school-baliConhecida como a ‘escola mais verde do mundo’, a Green School oferece uma educação natural, holística e centrada nos alunos. Possui um currículo que combina o padrão acadêmico com aprendizagem experimental.

Na escola, os alunos, vindos de diversas partes do mundo, também têm acesso a currículos de Estudos Verdes e de Artes Criativas. A Green School prepara os alunos para serem pensadores críticos e criativos, confiantes para defender a sustentabilidade do mundo e do seu ambiente.

A estrutura física da escola é um dos grandes modelos de arquitetura sustentável do mundo. Toda feita em bambu, 80% da energia elétrica consumida é captada através de painéis solares. John Hardy, e sua esposa, Cynthia Hardy, moram em Bali há mais de 30 anos e reconheceram no local uma oportunidade única para criar algo verdadeiramente inspirador e fora das limitações estruturais, conceituais e físicas de muitas escolas tradicionais.

A Green School é a grande referência de escola verde no mundo, mas não a única. Nos EUA, por exemplo, já são 118 escolas que seguem esse modelo de aprendizagem. No Brasil, porém, o modelo ainda está emergindo. A primeira escola verde brasileira foi instalada na zona oeste do Rio, em 2011. Resultado de uma parceria público-privada, o Colégio Estadual Erich Walter Heine está localizado no bairro de Santa Cruz, que possui um dos IDHs mais baixos da capital.

Com painéis solares, reaproveitamento da água da chuva, iluminação natural, ecotelhado e área para reciclagem, a escola mostra que o modelo inovador já está dando frutos: alunos já estão levando as práticas sustentáveis para o dia a dia de suas famílias; estão, assim, disseminando os valores da sustentabilidade em suas comunidades e têm tudo para, no futuro, se tornarem grandes líderes verdes, que serão capazes de endereçar problemas que hoje afetam seriamente o nosso planeta, como o aquecimento global e a crise hídrica.

A escola foi a primeira da América Latina a ganhar o selo Leed School, que lhe dá reconhecimento internacional de escola sustentável. Também é importante ressaltar que essa foi a primeira escola brasileira a buscar o LEED e a primeira escola pública do mundo a tomar essa iniciativa.

Para ler mais sobre Escolas Verdes, acesse os links:

Sustentabilidade: por uma nova educação, por um novo modo de vida.

crianca-naturezaA sustentabilidade é um tema importante a todos que queiram permanecer neste planeta  – no presente – e garantir um futuro possível às próximas gerações. É um tema amplo, que abrange não somente questões ambientais, mas sociais e econômicas.

Trata-se de um triângulo que opera em harmonia e, se provocarmos desequilíbrio entre essas três esferas, teremos crises extremamente graves e desafiadoras; inclusive, já estamos vivenciando algumas: crise hídrica, temperaturas extremas, enchentes, verticalização intensa das cidades e pouco espaço para o verde.

Será sustentável viver num mundo que, cada vez mais, preza pelos interesses econômicos sem priorizar as demais esferas tão (ou mais) importantes à vida na terra?

Precisamos cuidar de nossa morada e trazer a sustentabilidade para o centro da vida de todos, ela deve estar no dia a dia das pessoas, deve ser um modo de vida. Como cidadãos, precisamos cuidar do mundo que nos acolhe há tantos milhões de anos e deixa-lo habitável aos nossos filhos e netos.

Mas, como incorporar essa visão da sustentabilidade no modo de vida – e nos hábitos – das pessoas? O ideal é que se tenha uma educação voltada à valorização da natureza, da justiça e da igualdade, desde cedo. Crianças devem compreender seu papel no mundo e descobrir as formas de torná-lo um lugar melhor a todos.

Já existem muitas iniciativas que apresentam propostas interessantes nesse sentido. Uma delas é o projeto “Pequeno Sustentável”, um portal na internet sobre sustentabilidade e formas de (re)pensar a educação junto com as crianças e adolescentes.

Por meio de notícias, dicas, vídeos, fotos, artes, discussões, conversas e questionamentos, o site propõe importantes reflexões sobre os temas abordados e convoca pessoas de todas as idades para a construção de um mundo melhor. Os conteúdos são atualizados diariamente pela equipe, e também abre espaço para publicações e notícias de leitores de qualquer lugar do planeta.

Realizar ações e atividades sustentáveis, participar de eventos e movimentos socioambientais, se reunir para trocar ideias, (re)pensar a educação e multiplicar boas práticas, também fazem parte do projeto.

Entre os valores essenciais do projeto, estão: soliedariedade, cidadania, cultura de paz, consciência socioambiental, entre outros.

Se você se interessou pela iniciativa, tem interesse em participar ou ter acesso aos conteúdos divulgados, visite o site e curta a página no facebook.

 

 

 

 

Education Hackathon – Por uma educação inspiradora

No próximo final de semana (dias 27 e 28 de setembro) acontecerá, em São Paulo, a terceira edição do Hackathon Educação, um evento global que surgiu com a proposta de debater o sistema convencional de educação, propondo transformações e produzindo conhecimento de forma colaborativa.

O evento, que acontecerá simultaneamente em diversos países, parte do pressuposto que o sistema de educação predominante não apenas no Brasil, mas no mundo, não endereça as reais necessidades de cada indivíduo, prejudicando, assim, o desenvolvimento humano e criando barreiras importantes para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.

A dinâmica do Hackathon é 100% colaborativa. Trata-se de um espaço que permite aos participantes compartilhar experiências educacionais, conectar-se com outras pessoas (formar redes), vivenciar práticas educativas inovadoras e, por fim, cocriar projetos benéficos para uma nova educação.

Neste ano o evento acontecerá ao ar livre, na Praça Domingos Luis, localizada na Zona Norte de São Paulo. A programação contemplará oficinas, rodas de conversa e cocriação de projetos. Para saber mais e confirmar sua presença, clique aqui.

A oficina “ARedu: imaginação coletiva aplicada na educação” está entre as atividades do evento e propõe um questionamento da educação por meio da pintura, do resgate de memórias pessoais e da poesia.

Todas as vivências serão baseadas na lógica da cocriação. Para Beatriz, Carolina e Clara, idealizadoras da atividade, “interações colaborativas podem trazer olhares inovadores para construir novos rumos para a educação.”

Quer participar? Confirme sua presença!

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SERVIÇO

Quando? Dias 27 e 28 de Setembro, a partir das 10h

Onde? Centro Cultural São Paulo – Rua Vergueiro, nº 1000 (ao lado da estação Vergueiro do Metro)

 

Quando o dinheiro não tem valor.

Entre os dias 28 e 31 de agosto aconteceu, na cidade de São Paulo, a Virada Sustentável. Com uma agenda pra lá de interessante, o evento ofereceu mais de 700 atividades gratuitas ao público. O principal objetivo? Tornar São Paulo uma cidade mais agradável e equilibrada.

Dentro desta enorme e tão diversificada programação, eu tive o privilégio de participar, no dia 31/8, da Feira de trocas ‘We Change’, organizada pela Co-Viva, em parceria com o movimento Fala Sampa.

A ideia da feira é que as pessoas esqueçam, por um dia, do dinheiro. O verdadeiro valor de troca está nos sentidos e significados. Para participar é preciso oferecer algo com carinho e, em troca, receber algo que também venha repleto de emoção e boas energias.

A única exigência é que você ofereça algo feito pelas próprias mãos: pode ser uma geleia, uma paçoca, um quadro, um bordado. Ah! Cantar, recitar poesias, contar histórias também são dons super bem-vindos na feira!

photoEu levei 7 telas que pintei ao longo dos últimos anos. Telas que tinham grande significado emocional para mim e que, exatamente por isso, não via sentido em vendê-las. Quando soube da feira We Change, tive certeza que ali era o destino perfeito para minhas telas. Eu estava certa!

Troquei telas por desenhos, por geleias e pimentas, por bonequinhos, por bordados e por beijos e abraços. Voltei pra casa rica! Muito rica!

A experiência é especial, pois nos possibilita refletir sobre o sistema no qual estamos inseridos. O dinheiro é carro-chefe das nossas vidas e os valores das coisas são, basicamente, cifras. Mas, será que precisa ser assim? Será que, em alguns momentos, não podemos simplesmente repensar essa lógica e valorar produtos e serviços de uma forma diferente?

Trocar meus quadros por dinheiro não fazia qualquer sentido. Encontrei nessa feira uma nova forma de pensar a lógica do consumo: o valor monetário é deixado de lado, abrindo caminho para que outros tipos de valores floresçam.

A atmosfera da ‘We Change’ é de colaboração e parceria e, por esperar que fosse assim, aproveitei para levar uma tela em branco que estava há tempos encostada à parede do meu quarto. Organizei meus pinceis, minhas tintas e propus uma pintura feita a muitas mãos! O resultado ficou lindo, não apenas pelo colorido da tela, mas principalmente pelo processo de criação: foram muitas pessoas que passaram por lá e que deixaram sua colaboração.

A tela está guardada com carinho e representa o clima tão positivo desta primeira feira realizada pelo Co-Viva em parceria com o Fala Sampa. Espero que muitas feiras aconteçam e que muitos quadros sejam pintados a muitas mãos! (SEMPRE NO PLURAL!). Vamos criar um grande acervo de memórias bonitas.

Para saber mais, visite os sites CO-VIVAFALA SAMPA.

Projeto independente registra novos modelos de educação em escolas do Brasil

O documentário “Quando sinto que já sei”, lançado em julho de 2014, registra práticas educacionais inovadoras que estão ocorrendo pelo Brasil. A obra reúne depoimentos de pais, alunos, educadores e profissionais de diversas áreas sobre a necessidade de mudanças no tradicional modelo de escola.

Projeto independente, o filme partiu de questionamentos em relação à escola convencional, colocando em foco a discussão de que valores importantes da formação humana estavam sendo deixados fora da sala de aula.

quando-sinto-que-ja-sei-tiao-rochaDurante dois anos, os realizadores do documentário visitaram iniciativas em oito cidades brasileiras, e comprovaram que diversas escolas já estão repensando suas práticas rumo a uma educação mais próxima da participação cidadã, da autonomia e da afetividade.

A etapa final do projeto foi financiada com a colaboração de 487 apoiadores pela plataforma de financiamento coletivo Catarse.

A Première de lançamento ocorreu no dia 29 de Julho de 2014 no Cine Livraria cultura em São Paulo ( veja as fotos aqui). A equipe do documentário “Quando sinto que já sei” está co-organizando mais de 150 exibições de lançamento do filme pelo Brasil e América Latina (veja lista das exibições aqui).

A realização de sessões de lançamento teve suas inscrições encerradas em 30 de Julho de 2014, porém, você pode realizar sua exibição onde e quando quiser, já que o vídeo está disponível no youtube (ver abaixo).

Para saber mais, visite o site oficial do projeto.

Assista ao documentário na íntegra:

Ilha do Mel ganha projeto com ‘pegada’ Educomunicativa

Se você ainda não conhece o Programa Cultura Viva – iniciativa do Ministério da Cultura – vale a pena conhecer!

O Programa, cuja essência encontra-se intimamente atrelada à lógica da educomunicação, busca identificar ‘pontos de cultura’ pelo Brasil a fim de valorizar e apoiar a ação cultural de grupos atuantes nas comunidades, reconhecendo o protagonismo dos cidadãos e cidadãs e ampliando o acesso aos meios de produção, circulação e fruição de bens e serviços culturais.

Entre 2004 e 2012, foram beneficiados 3.662 pontos de cultura em todo o país.

ilha-do-melO Ponto de Cultura que vamos destacar neste post fica na Ilha do Mel (PR). O Projeto ‘Cultura Viva da Ilha do Mel’ realiza ações para valorizar a cultura caiçara e divulgar produtos criados por moradores da Ilha.  

São realizadas oficinas de teatro, fotografia, música e, assim, a comunidade apodera-se do espaço e da cultura da ilha, fortalecendo seu protagonismo e construindo novas práticas culturais.

No mês passado, por exemplo, Paranaguá (Município onde está localizada a Ilha) recebeu a exposição fotográfica “Pelo olhar da Ilha do Mel”, resultado de oficinas realizadas com crianças e adolescentes da região.

“Usamos a metodologia da educomunicação, que mistura educação, comunicação e cultura. Realizamos práticas fotográficas com câmeras digitais e também com câmeras artesanais, produzidas por eles mesmos, com latas”, afirma Adriana Marques Canha, coordenadora do projeto.

Veja abaixo as diferentes vertentes da iniciativa e entenda como são articuladas as atividades.

Valorização da identidade cultural – de forma construtiva, orientadores refletem com os moradores sobre o meio-ambiente e sua história. Os artistas locais têm novas possibilidades para articular e transmitir seus processos criativos. Valorizar a identidade cultural por meio da linguagem artística é uma forma de resgatar raízes muitas vezes esquecidas.

Potencialização das expressões culturais – o teatro e as artes visuais são usados para estimular a linguagem artística na comunidade. Os espetáculos teatrais materializam eventos históricos e a riqueza folclórica, trazendo para o presente a memória que pode ser vista, ouvida e tocada. Agentes multiplicadores locais também estimulam a prática artística e pedagógica, pela liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, a arte e seus saberes.

Difusão cultural – a partir de oficinas de inclusão digital, audiovisual, fotografia e comunicação popular — jornalismo comunitário e rádio –, a comunidade aprende a usar equipamentos multimídia para realizar seus produtos culturais e registrar seu conhecimento tradicional. Pode assim difundir tudo através da internet e de outros meios de comunicação, além de arquivar tudo o que foi produzido.

Para saber mais, visite culturailhadomel.wordpress.com