Conversas que inspiram

Na última sexta (28/3) conversei com Pedro Henrique de Cristo e sua esposa, Caroline Shannon de Cristo. Duas pessoas extremamente dedicadas, criativas e engajadas, dispostas a encontrar soluções para os inúmeros desafios enfrentados pela sociedade brasileira.

Juntos, Carol e Pedro criaram o +D – Design com Propósito, agência que, por meio da integração das políticas públicas, tecnologia e espaço físico, desenha projetos com foco em inovação social.

No artigo abaixo, que escrevi para o site da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade, o foco está no projeto “Ágora Digital”, mas existem outras iniciativas tão interessantes quanto essa; por isso, vale clicar aqui e descobrir os demais projetos idealizados pela dupla.

Achei importante compartilhar o conteúdo no blog,  já que as propostas de Pedro e Carol sempre passam pelo emponderamento da população e pelo incentivo ao exercício da democracia direta – valores intrínsecos à Educomunicação. Confira matéria:

 

[Líder RAPS cria e conduz projeto piloto de inovação social]

Todo ano a RAPS seleciona novos membros para a sua rede. O objetivo? Mapear pessoas comprometidas em atuar de forma ética e transparente, a serviço do bem comum.

Em sua missão de contribuir para uma renovação da política brasileira, a RAPS espera, de cada um de seus líderes, exemplos inspiradores, que estimulem a participação da sociedade nas decisões públicas e sirvam de exemplo para novas formas de gestão.

Hoje, o cenário brasileiro é desafiador: temos um arranjo social segregado e respaldado por uma narrativa política baseada no conflito de classes. A qualidade de nossos serviços públicos é insatisfatória e o sistema político-partidário está cada vez mais desacreditado pela população, pedindo novas alternativas.

A inovação, porém, não surge sem dedicação, coragem e criatividade, e essas são características que o Líder RAPS Pedro Henrique de Cristo tem de sobra.

Desde muito cedo, Pedro teve contato com as áreas da política e arquitetura. Seus pais, arquitetos, participaram de atos de resistência pacifica durante a ditadura militar e sempre mostraram-se preocupados com o maior patrimônio que poderiam deixar ao filho: a educação.

Essa influência da infância e juventude parece ter marcado para sempre a vida de Pedro, que  trabalhou por 8 anos como designer na Officina de Arquitetura [estúdio de seus pais] antes de ingressar na UFPB e se formar em administração.

Pedro Henrique de Cristo

Pedro Henrique de Cristo

Durante a faculdade, conseguiu uma bolsa do MEC e foi para a University of Leeds na Inglaterra, onde concentrou seus estudos na economia da fome. Lá conheceu as ideias de Amartya Sen, o que reacendeu sua crença nas políticas públicas e demonstrou as similaridades de desenho destas com a arquitetura. Essa união de paixões o fez perceber que a sua veia humanitária e criativa falavam mais alto juntas e que não havia atividade mais importante que a política.

A partir disso, seu engajamento social só cresceu. Ao voltar a João Pessoa (PB), sua terra natal, liderou um movimento de emponderamento das comunidades locais com foco na sustentabilidade do uso da água, a Operação Respeito [premiada pela ONU], oportunidade em que teve contato com diversas favelas da capital.

Sua atuação política sempre esteve muito ligada ao entendimento do espaço físico, devido ao background em arquitetura que adquiriu com os pais. O movimento que liderou na Paraíba despertou em Pedro o interesse em aprender mais e, então, ele se mudou para os EUA, para fazer mestrado em Políticas Públicas na Universidade de Harvard com bolsa integral.

Sua tese mostrou-se inovadora ao cruzar, em um único estudo, os temas educação, segurança pública e planejamento urbano.

Com a proposta de usar as escolas como centro de pacificação das favelas do Rio de Janeiro, ele realizou, entre 2010 e 2011, um estudo de campo em quatro favelas da cidade: Maré, Rocinha, Santa Marta e Cidade de Deus. Entrevistou 652 jovens e crianças de 7 a 15 anos, para entender como garantir seu desenvolvimento, evitar que eles entrassem no tráfico (o que ocorre por volta dos 11/12 anos) e desenvolver espaços de integração para esses jovens.

A tese, aprovada com distinção, foi apresentada ao professor Hashim Sarkis, da faculdade de arquitetura de Harvard, que propôs criar uma aula e projeto baseados no conceito resultante do estudo. O grande mote da aula seria estudar e desenvolver projetos integrando políticas públicas, ao uso da tecnologia e a arquitetura como solução de problemas sociais. Este foi chamado Harvard University School of the Year 2030@Rio de Janeiro.

A turma foi formada, Pedro deu a aula inaugural e alunos de arquitetura passaram uma semana no Complexo do Alemão para estudar e desenvolver novos conceitos de escola. Foi nesta ocasião que Pedro conheceu Caroline, hoje sua esposa e parceira em diversos projetos. O projeto no Complexo do Alemão inspirou o nascimento da escola experimental “Gente”, instalada na Rocinha pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Essencialmente, este foi também o momento em que Pedro, com o apoio de Caroline, retornou as origens e reiniciou o seu trabalho como arquiteto, inspirado por Mies van der Rohe, Le Corbusier e Tadao Ando, rebeldes auto-didatas do design, e influenciado pela ideia de sistemas integrados, posta em prática por Steve Jobs na Apple.

Um pouco antes, em outubro de 2011, após estudar as favelas e ter em mãos diversos dados e números, Pedro sentiu a necessidade de participar da dinâmica de uma comunidade para aumentar seu entendimento sobre os problemas, desafios e oportunidades presentes no dia a dia destas. Foi assim que mudou-se para o Vidigal.

A nova morada foi escolhida estrategicamente. O Vidigal, pela sua visibilidade, é um espaço ideal para realização de projetos piloto. Com cerca de 25mil moradores, é uma comunidade relativamente pequena (se comparada a outras favelas do Rio, como a Rocinha), a que mais interage com o asfalto e uma das que mais recebem investimento privado.

“Sintonia Perfeita”

Pedro e Caroline, idealizadores do projeto "Ágora Digital"

Pedro e Caroline, idealizadores do projeto “Ágora Digital”

Pedro afirma que o encontro com Caroline foi fundamental, já que as áreas de estudo e prática de ambos uniram-se de forma perfeita em prol de objetivos comuns. Ele, arquiteto talhado no estúdio dos pais e treinado em Políticas Públicas e Tecnologia, ela, arquiteta formada em primeiro lugar de sua turma em Harvard com forte interesse e trabalho prévio nessas duas áreas. Mais importante, muito amor e humor para vencer as pressões do dia-a-dia.

Juntos, eles fundaram o +D – Design com Propósito, e passaram a desenvolver um novo conceito de arquitetura, fundamentalmente baseada em três pilares: políticas públicas, espaço físico e tecnologia. Dentre seus principais projetos, está a Ágora Digital.

O que é?

A Ágora Digital nasceu a partir do cruzamento de uma série de diagnósticos: a democracia no Brasil e no mundo vive forte pressão por mudanças, devido a nova escala de acesso a conhecimento e agência resultante da tecnologia, a gestão pública brasileira está em crise; com a Copa e as Olímpiadas, o país vive um momento de exceção que motiva brasileiros a irem às ruas exigir os seus direitos enquanto atrai interesse global e, por fim, a estrutura da sociedade está baseada em um discurso de conflito de classes, que favorece elites aristocráticas e populares e também é percebido na disposição do espaço público.

Frente a estas análises, a Ágora Digital configura-se como um novo modelo de equipamento público, que por meio da integração das políticas públicas, espaço físico e tecnologia, propõe soluções aos desafios do atual cenário brasileiro.

A ideia é criar espaços físicos, e aproveitar os existentes, em todas as comunidades do Rio de Janeiro, cidade piloto do projeto, começando pelo Vidigal e espalhando-se para outras áreas, inclusive Ipanema e Leblon. “O projeto não é da favela ou do asfalto, mas sim da cidade e, futuramente, do país”, afirma Pedro.

Os espaços denominados “Ágoras Digitais” servirão como ambiente de diálogo com foco em resultados, deliberação pública com Orçamento Participativo e Democracia Direta e como complemento às escolas das comunidades. Ali as pessoas poderão se reunir para estudar (haverá bibliotecas), discutir problemas e prioridades da comunidade e encontrar um ambiente capaz de cruzar os espaços digital e físico. A ideia é emponderar a população, estimular a cultura política e assim, fortalecer a democracia direta no Brasil, país que, atualmente, encontra-se 100% baseado na democracia representativa. Espera-se que as duas formas de democracia andem juntas e que a população participe, efetivamente, de todas as decisões públicas.

Pilares dos projetos desenvolvidos pelo +D – Design com Propósito

Pilares dos projetos desenvolvidos pelo +D – Design com Propósito

“Precisamos passar da fase de falar sobre problemas para a fase de resolver nossos problemas. Devemos fazer isso com Coesão Social, que resolve o contraditório não com conflito mas com diálogo focado em resultados.”, explica Pedro.

A primeira Ágora, no Vidigal, será instalada nos próximos dois anos que, segundo Pedro, “valem por 20”, referindo-se ao momento de visibilidade e exceção causado pelos eventos esportivos que terão sede no Brasil e, ele ainda afirma, “temos que tornar o engajamento da população que vimos nos protestos pacíficos de 2013 num estado permanente de agência cidadã.”

Para viabilizar o projeto, Pedro e Carol estão em busca de parcerias primeiro com as comunidades e com o setor privado para então envolver o poder público: “Não queremos dinheiro público nesta etapa do projeto. Ele é político mas não é partidário. É sim um novo tipo de prática da democracia e da gestão pública e tem de ser de todos!”. No futuro, eles querem que governos, prefeituras e movimentos da sociedade civil se apoderem do modelo e o apliquem nos diferentes contextos do país.

Sobre a frase “Brasil, o país do futuro” Pedro diz que o futuro é agora e as mudanças devem ser feitas já! Por isso o enorme engajamento na causa e a certeza que com maior envolvimento da população, o país pode dar a guinada que tanto precisa.

“Os brasileiros reconhecem o valor e os desafios da democracia e querem mais acesso a conhecimento e participação na decisão pública. Nosso trabalho é atuar em parceria com indivíduos e organizações como a RAPS, comprometidas com essa mudança que o Brasil necessita.”

 

Para saber mais sobre a Ágora Digital e conhecer os outros projetos do Pedro e da Caroline, clique aqui.

 

O que é ‘Advocacy’?

Há pouco tempo participei de um treinamento sobre ‘Advocacy e Políticas Públicas’ e percebi que já abordei neste blog diversos exemplos que poderiam ser categorizados como ‘ações de advocacy’, mas, como na ocasião não conhecia o termo, não fiz a relação entre os cases citados e o conceito. Faço agora.

O primeiro passo é entender o que é advocacy?

O advocacy (que não possui tradução para o português) é um exercício de cidadania; envolve realizações de iniciativas que visam a defesa de uma causa ou de uma proposta de interesse público. Por meio de diversas ferramentas (como passeatas, documentários, abaixo-assinados, audiências, mídia de massa e espontânea, reuniões, etc.) procura-se intervir nas políticas públicas, influenciando, por exemplo, a elaboração de projetos de lei.

AdvocacyAs ações de advocacy buscam influenciar, diretamente, tomadores de decisão responsáveis pela definição das políticas públicas, ou seja, têm como grande finalidade influenciar o governo.  Mas, para alcançar os políticos (deputados, senadores, presidente,…) é fundamental mobilizar a sociedade civil, para assim conseguir apoio da opinião pública e então, pressionar os tomadores de opinião a favor da causa defendida.

Qualquer pessoa ou instituição que tenha interesse em influenciar a elaboração de leis e políticas públicas pode promover ações de advocacy, mas, para obter sucesso, é preciso construir um plano sólido, com estratégias e objetivos bem estruturados. Definir a causa a ser defendida, estudar o cenário em que se está pisando, construir e engajar grupos de apoio são alguns dos passos fundamentais para uma estratégia de advocacy dar certo.

Caso o objetivo seja alcançado e a lei por qual se luta implementada, é essencial que haja fiscalização do cumprimento dessa lei, ou seja, a iniciativa de advocacy é contínua, um monitoramento constante das ações do governo em relação à determinada política pública. A associação/pessoa/empresa que luta por uma causa deve se fazer presente em tempo integral. Não basta que o governo implemente uma lei, é preciso cumpri-la.

Os desafios

O dever do governo é ouvir as demandas da sociedade e trabalhar em prol do bem-estar dos cidadãos, porém, existem fatores que acabam interferindo no compromisso do governo com a sociedade e prejudicando a implementação das políticas públicas, que deixam sua finalidade primeira de lado para atender aos interesses do empresariado.

Grandes empresas financiam candidaturas e exercem imenso poder econômico sobre os partidos políticos, assim, cria-se uma enorme barreira para a ação ‘transparente’ dos governantes, que acabam aprovando leis que beneficiam e são do interesse do empresariado e, dentro deste contexto, a sociedade fica em segundo plano. (Como exemplo podemos citar a tentativa do Instituto Alana – com apoio da sociedade civil – em regular a propaganda de alimentos para crianças: o empresariado pressionou os legisladores e conseguiu barrar a aprovação do projeto de lei).

Exemplos de Advocacy:

Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana. (Luta pela implementação de leis mais rigorosas em relação a atuação da propaganda direcionada ao público infantil)

Aliança de Combate ao Tabagismo (ACTbr) (Luta pela implementação de leis mais rigorosas de controle do tabaco)

Organização Viva Vitão e Não foi acidente (Lutam pela implementação de leis de trânsito mais rigorosas)

Conhece outras iniciativas? Compartilhe conosco no espaço para comentários!

Ushahidi: uma rede social em prol do desenvolvimento humano

Ontem assisti uma palestra sobre a organização Ushahidi e descobri que o Brasil está entre os 159 países que fazem parte da iniciativa. A proposta do encontro era discutir a integração das novas tecnologias no desenvolvimento de países africanos.

O debate é interessante (e apropriado a este blog) uma vez que tem como grande objetivo dar voz aos cidadãos, ou seja, instrumentalizá-los para produzir conteúdo, deixando de lado a posição de receptor passivo. A plataforma visa a construção de conteúdo colaborativa e o compartilhamento.

UshahidiIsso, porém, é algo que vem acontecendo há um bom tempo, principalmente após a internet e a consolidação das redes sociais. O fluxo de informação já foi modificado, hoje não existe mais um canal de comunicação de mão única; o poder de argumentação dos receptores é inevitável. Mesmo o conteúdo televisivo, que ainda é o retrato da recepção passiva, já pode ser contestado, pois o telespectador tem a possibilidade de reclamar ou argumentar em outros canais, por exemplo,  no Facebook ou em blogs pessoais.

O interessante da Ushahidi, porém, vai além de seu propósito de democratizar a informação e derrubar barreiras para que os cidadãos possam contar suas histórias e expor seus pontos de vista. A iniciativa nasceu no Quênia, em 2008, após um enorme conflito político. Diversas pessoas morreram e a imprensa cobria apenas o que ocorria nos grandes centros. Assim, um grupo de quenianos decidiu criar a plataforma “Ushahidi”, uma espécie de rede social que tinha como grande objetivo mapear as áreas mais violentas do país para que, assim, pessoas conseguissem evitar as zonas de maior risco. Tornou-se uma ferramenta poderosa de ajuda humanitária.

A rede social alcançou 45 mil usuários no Quênia e se expandiu para outras áreas do globo. Hoje têm voluntários na Europa, América do Sul e nos EUA e o mapeamento que realiza atualmente pode ser visto como uma iniciativa global. Foi utilizada para facilitar o atendimento aos feridos no furacão que atingiu o Haiti em 2010, ajudou no mapeamento das áreas com energia elétrica após o furacão Sandy (EUA) e também serviu para a coleta de informações durante os conflitos na Líbia.

Além de ser útil em situações de crise, a plataforma também serve de observatório eleitoral. Pode ser utilizada para reunir comentários de eleitores e denúncias de crimes eleitorais, por exemplo.

A Ushahidi tem parceria com organizações como a ONU, Al-jazeera e World Bank. Para saber mais sobre a iniciativa, visite o site e/ou assista o vídeo abaixo (em inglês).

Curiosidade! — “Ushahidi”, em suaíli, significa “testemunho”. Suaíli é a língua falada no Quênia e em outros países africanos, como Tanzânia e Uganda.

Redes sociais: muito além do entretenimento

Quem disse que os jovens só utilizam as redes sociais para fins de entretenimento? Estudantes brasileiros mostraram que sabem fazer ótimo proveito da força e visibilidade que ferramentas como Facebook oferecem e, nesta última segunda (22), organizaram um grande protesto via rede social reivindicando melhorias na infraestrutura de suas escolas.

A “moda”do Diário de Classe, lançado em agosto de 2012 pela estudante catarinense Isadora Faber, 13, parece ter conquistado a todos. Isadora criou uma página no Facebook para contar o dia a dia de sua escola e denunciar os problemas da instituição, clamando por melhores condições. Segundo a menina, a página – que conta com mais de 300 mil seguidores – visa “mostrar a verdade sobre as escolas públicas brasileiras”.

Inspirado no Diário Online de Isadora foi criado o “Dia do Basta”, que ocorreu ontem (22 de outubro de 2012) e reuniu estudantes de diversas partes do Brasil, que se uniram para lutar por escolas de qualidade.

Como parte do protesto, os jovens enviaram mensagens ao Gabinete do Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e para as secretarias municipais e estaduais de Educação relatando os problemas de suas unidades.

As denúncias online de Isadora trouxeram benefícios à escola em que estuda e motivaram outros estudantes a aderirem à causa.

Com a esperança de mobilizarem autoridades, jovens publicaram inúmeras fotos na rede denunciando não apenas falhas na infraestrutura de suas instituições, mas também a ausência de professores e problemas relacionados à merenda.

Agora já são mais de 30 páginas no Facebook inspiradas no “Diário de Classe” de Isadora. Segundo levantamento do UOL Educação, 26 páginas são de escolas de ensino fundamental e médio, duas delas são de universidades e outras duas reúnem diferentes escolas do mesmo município. A maioria das instituições é de responsabilidade estadual.

A visibilidade proporcionada pelas redes sociais pode ser uma grande aliada de lutas como a de Isadora. A repercussão de sua página desencadeou intensa cobertura midiática e, a soma das vozes dos alunos e da mídia,  causou grande impacto e forte pressão nas autoridades que, perante tais denúncias, não poderiam fazer outra coisa senão agir.

Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.

Blog ‘CadernoDia’ finalista no Prêmio TOP BLOG 2012

O Blog CadernoDia está entre os 100 finalistas do Prêmio TOP BLOG 2012.  O blog foi um dos mais votados na categoria “educação” e agora concorre no segundo turno com os demais selecionados. O Top Blog Brasil 2012 está em sua 4ª edição e apresenta como tema central “Empreendedorismo Digital”.

Blogs das mais diversas áreas podem se inscrever. Ao todo são 25 categorias: arte, cultura, literatura, música, saúde, educação, entre outras.

A categoria “educação” – na qual o CadernoDia está concorrendo – “é destinada a blogs com informações e notícias sobre educação, além de vídeos e eventos relacionados ao tema”.

A votação para o segundo turno já está aberta ao público e vai até dia 11 de novembro. Cada pessoa pode votar três vezes no mesmo blog: com uma conta de e-mail válida, através do Facebook e também do Twitter.

Para votar no CadernoDia, clique aqui ou no banner do prêmio, localizado na barra lateral desta página.

Seria muito gratificante contar com o voto de todos os leitores!

O cinema como forma de protesto

Não é a primeira vez que falo sobre “trânsito” aqui no blog, afinal, o assunto está bastante ligado à educação e, por isso, não poderia ser ignorado.

Já afirmei, em pots anteriores, que apoio a a ideia de incluir a “educação para o trânsito” no currículo formal e acredito que, se assim fosse feito, os jovens, quem sabe, seriam um pouco mais prudentes na hora de pegar no volante.

Felizmente, parece que as pessoas estão conversando mais sobre o assunto (talvez pelo enorme número de mortes e acidentes diários) e o tema está mais corriqueiro na vida de todos.

Espera-se que, com isso, a conscientização aumente e os números assustadores de mortes e acidentes diminuam. Estatísticas mostram que, por ano, morrem no Brasil 43 mil pessoas vítimas do trânsito.

Exatamente com a função de trazer a tona o assunto e conscientizar as pessoas, foi criado o Movimento Viva Vitão, que também já foi citado aqui no blog, em um post especial sobre Ciberativismo.

Vitor Gurman foi vítima de uma motorista irresponsável. Depois de perderem o amigo, jovens criaram o movimento com o lema “Não espere perder um amigo para mudar sua atitude no trânsito“. O movimento ganhou enorme força nas redes sociais e também na mídia televisiva. Além disso, os espaços públicos também serviram como palco para o protesto dos jovens: manifestações em jogos de futebol e passeatas pela cidade de São Paulo são alguns dos atos públicos organizados pelos amigos do Vitor.

Agora, uma nova ferramenta foi utilizada em prol da coscientização: o cinema.

Dia 21 de setembro estréia no Cinemark o documentário “Luto em Luta“, que mostrará a realidade do trânsito de São Paulo. O filme trará depoimentos de vítimas do trânsito, amigos e familiares; além das falas de psicanalistas que atendem esse tipo de vítimas, especialistas em trânsito, jornalistas, juristas, entre outros.

Abaixo deixo o trailer do documentário e sugiro uma reflexão sobre como o documento poderia ser utilizado em sala de aula. Apesar de ter um conteúdo forte, é uma realidade que não pode ser ignorada. Grande parte dos envolvidos nas cenas do filme são jovens, o que nos faz pensar sobre a urgência em debater o assunto não apenas com os mototritas de hoje, mas também com aqueles que pegarão no volante em breve.

Pergunta aos professores: Vocês trabalham o tema com seus alunos? Como? Vamos lembrar que educação para o trânsito é parte essencial do pacote “educação para a cidadania”.

Escolas e universidades que tenham interesse em exibir o documentário devem entrar em contato com o movimento Viva Vitão pelo e-mail contato@vivavitao.com.br 

2° Seminário de Políticas e Novas Mídias

Para quem se interessa por política e novas mídias, a dica que vou deixar aqui é imperdível. Eu me interesso bastante e utilizo as redes sociais diariamente, também como ferramenta política.

Dia 6 de julho, entre às 9h30 e 16h30, vai acontecer em Brasília o 2° Seminário de Políticas e Novas Mídias.

A agenda do evento está bem bacana. Pela abordagem dos temas, fica claro que o público-alvo contempla, majoritariamente, políticos e seus assessores, pois discute maneiras de gerenciar crises, perigos e vantagens das redes sociais para a imagem dos candidatos, além de dar diretrizes sobre como os políticos devem fazer uso das redes sociais para falar com os cidadãos.

Ok, com uma agenda dessas parece que o evento é restrito aos políticos. Engano.

A abordagem dada às discussões provavelmente não falará diretamente com o cidadão e sobre como ele pode utilizar as redes sociais a favor das causas que acredita e pelas quais luta, falará aos políticos, sobre como gerenciar essa nova realidade que se impõe ao cenário no qual estão inseridos.

Exatamente por isso acho interessante assistir o seminário (para conhecer as estratégias traçadas pelo governo e, assim, conhecer com quem estamos falando e como nosso interlocutor se comporta nas redes sociais).

Eu uso ferramentas como Twitter, Facebook, Instagram diariamente e, no âmbito político, já tive ótimos retornos. De fato existe um canal aberto de comunicação com os políticos, eles estão nas redes sociais e, se forem provocados, devem reagir, até mesmo para manter a boa vizinhança com seus eleitores potenciais.

Já participei de uma mobilização que deu super certo! A luta foi pela aprovação de um projeto de lei no senado. A mobilização via Twitter foi tão grande e significativa que a solicitação entrou na página principal do “Alô Senado” e, no dia da votação, a manifestação via redes sociais foi citada como uma das maiores já vistas pelo senado.

Vale dizer que o projeto em questão teve aprovação unânime pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e os senadores reconheceram a enorme demanda que chegou via mídias sociais.

Para alguns, democracia via novas mídias parece muito otimista ou quase irreal (já ouvi isso de amigos). Eu, porém, acredito na força política dessas ferramentas. Acho que as redes sociais estão a favor da população e suas demandas.

Para quem quiser saber mais a respeito do evento, clique aqui. E se você não puder comparecer, haverá transmissão online neste link.

A internet e o 3° setor

Já falei bastante nesse blog sobre o ciberativismo, prática que se utiliza da internet em favor de causas sociais. Pegando carona em posts antigos, peço a autorização dos meus leitores para falar sobre o Instituto Oncoguia, uma ONG que faz um trabalho incrível e que se utiliza bastante da internet para disseminar sua causa e para divulgar informação sobre um tema que muitos ainda preferem ignorar.

Não são todos que gostam de ouvir a palavra “câncer”, afinal, ela assusta e remete sempre ao pior: sofrimento, dor e morte. A grande sacada do Oncoguia é quebrar esse tabu e mostrar para a população que esse estigma do câncer deve ser desconstruído!

Muitas vezes o medo que temos da palavra “câncer” se deve à falta de informação e é aí que entra o papel do Instituto Oncoguia: informar a população e incentivar o autocuidado em saúde.

Além disso, o Oncoguia também luta pelos direitos e garantias dos pacientes com câncer, oferece suporte a familiares e pacientes e possui forte atuação política junto às questões relacionadas à saúde e ao câncer, em especifico.

Abaixo deixo alguns exemplos de mobilizações online realizadas pelo Instituto Oncoguia:

O poder de disseminação e alcance da internet é incontestável! Com certeza o ciberespaço é um terreno muito rico para organizações do terceiro setor, que têm como grande desafio criar campanhas e projetos com recursos, muitas vezes, escassos.

Para fechar, já que estamos falando em ciberativismo e poder da internet, acho interessante citar que o Oncoguia conseguiu, no ano passado, marcar uma audiência com o Ministro da Saúde via twitter – E o melhor de tudo:  a audiência, de fato, aconteceu! Bacana, né?

Lemos… Mas vamos além!

 A maneira de disseminar informações sofreu grandes mudanças nos últimos anos. Com o avanço da internet e, principalmente, com o surgimento das redes sociais (como Facebook e Twitter), o papel do produtor e do receptor passaram a confundir-se e hoje, aquele que recebe informações na web é também produtor de conteúdo online.

Os grandes meios de comunicação não são mais a única voz a disseminar informação. Hoje, suas “verdades absolutas” podem ser facilmente questionadas e rapidamente desconstruídas por qualquer pessoa que tenha acesso ao conteúdo e queira emitir uma opinião sobre ele.

Mais do que utilizar o espaço para comentários ao final das matérias, os leitores podem ir às suas redes sociais e elogiar, reclamar ou dialogar com o que foi lido. As redes sociais são utilizadas não apenas como entretenimento, mas como espaço de discussão sobre os mais variados temas: quem antes não tinha espaço para se expressar, agora o faz  publicamente por meio da internet.

Elas tornaram-se ferramenta social e política. Pessoas não falam só de si, mas pautam temas sociais, mostram indignação, organizam passeatas, abaixo-assinados e muitas vezes as movimentações online geram mudanças no “mundo offline”.

É importante lembrar, porém, que o acesso à rede não é democrático e, mesmo com a possibilidade de questionarmos e nos posicionarmos, os produtores de conteúdo independentes ainda são pequenos se comparados com os grandes meios. Ainda há um discurso hegemônico e preferencial (hegemônico e preferencial sim, mas único não).

Também podemos citar os Blogs como importantes ferramentas online. Assim como Facebook ou Twitter, o Blog tornou-se um espaço muito rico de debate. Alguns já são referência em determinados assuntos e assim, passam a competir com grandes meios (pelo menos no ambiente online). Há quem prefira acessar um blog sobre política ao invés de uma matéria na sessão “política” do Estadão, por exemplo.

Esse cenário (que confunde receptor e produtor), criou uma nova forma de fazer jornalismo. Agora temos o “jornalismo colaborativo”. O jornalista publica sua matéria e, no momento seguinte, milhões de pessoas a comentam, retrucam e publicam novos conteúdos sobre o mesmo tema.

Lemos, mas vamos muito além disso. Expressamos nossa opinião para milhões de pessoas e desta forma, num encontro de opiniões e ideias, podemos conhecer infinitas visões sobre o mesmo tema, fugindo assim do perigo de acreditarmos na”verdade absoluta”, disseminada pelos grandes meios.

Social Media Week começa hoje em SP

Começa hoje em São Paulo mais uma edição do Social Media Week. O evento, que aborda temas relacionados às tão influentes mídias sociais, acontecerá simultaneamente em 12 cidades do mundo (Londres, São Francisco e Tokyo são algumas das cidades que participarão do evento).

A discussão central deste ano é sobre o modo de como estas ferramentas online estão mudando o comportamento de entidades governamentais, empresas privadas e como estão reconfigurando o olhar dos profissionais de comunicação.

Em São Paulo, o encontro acontece no MIS (Museu da Imagem e do Som) e vai até dia 17 de fevereiro.

Se tiver alguma dúvida sobre o evento, entre em contato pelo e-mail saopaulo@socialmediaweek.org ou acompanhe as novidades pelo  Twitter e Facebook.

Clique aqui e confira a programação completa do evento!