Dica de leitura: para um ano repleto de inspiração!

“De modo suave, você pode sacudir o mundo.” Mahatma Gandhi

Reclamamos, constantemente, da qualidade da educação pública de nosso país. Sim, ela deixa a desejar! Sim, ela deve ser prioridade do governo! Sim, é preciso investir pesado em educação! Só assim poderemos construir um país de pessoas críticas e engajadas, um país que encontre em seu povo o combustível para as mudanças que se mostram necessárias. Educação é a base de tudo e, sem ela, ficamos imóveis, surdos, cegos. Ficamos vulneráveis.

Meus pais sempre me proporcionaram educação de qualidade. Valorizo todas as oportunidades que tive ao longo de minha vida e que me deram a chance de me tornar uma pessoa crítica e independente; que me ofereceram ferramentas para que eu exercesse a minha cidadania da melhor forma possível. Por meio da educação, fui presenteada com o dom da leitura, da escrita e pude ampliar meus horizontes para além de meu pequeno mundo. “Fui privilegiada” e, é neste momento, que aparece a palavra motivadora do presente texto: privilégio.

Em muitos países, inclusive no Brasil, ter acesso à uma educação de qualidade é visto como “privilégio”. Grande absurdo!

Educação não é – e jamais deveria ser – privilégio, já que é direito básico de todo e qualquer cidadão. É por meio da educação que aprendemos sobre o mundo e sobre nós mesmos, ela que nos abre caminhos para construirmos a nossa história e, o mais importante, ela nos liberta! Tamanha é a liberdade provinda da educação que chega até mesmo a provocar arrepios em alguns grupos ou sistemas, que acreditam que, ao educarem seus povos, terão seu poder comprometido.

Com educação adquire-se conhecimento, ainda a melhor arma para vencer toda e qualquer batalha. Ao serem educadas, as pessoas passam a questionar o que as rodeia e entendem que se não estão satisfeitas, possuem liberdade e conhecimento para mudar toda e qualquer situação. Para um grupo como o Talibã, por exemplo, a força de uma mente questionadora significa ameaça das mais perigosas.

Mas, por que o Talibã? Porque, recentemente, li a incrível história da menina paquistanesa Malala Yousafzai e conheci uma nova realidade, contada sob os olhos de uma criança que queria apenas estudar e, por desejar isso em um território dominado por muçulmanos extremistas, foi baleada a queima roupa enquanto voltava da escola com suas amigas.

Malala YousafzaiComo todos sabem, Malala não morreu nesse atentado e sua luta pela educação ficou ainda mais poderosa, atingindo uma escala global. Hoje ela é símbolo da luta pela educação e foi a pessoa mais jovem da história a ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Uma inspiração e tanto.

O que mais me emociona é a paixão da menina pela causa da educação. Os Talibãs acreditam que mulheres não devem receber educação e, após assumirem poder no Afeganistão e Paquistão, passaram a explodir escolas de meninas e ameaçar aquelas que mostravam-se resistentes à ordem imposta. Malala sempre fez parte dessa resistência, e não teve medo de impor sua voz frente às atrocidades comandadas pelos radicais islâmicos.

Seu pai era dono de escola e sempre foi um grande ativista da causa, além de se envolver fortemente com política e defesa de direitos do povo paquistanês. O engajamento e comprometimento social do pai fez com que Malala, desde muito jovem, desejasse trabalhar pelo bem comum. Junto ao pai, ela se envolveu em debates de educação, ganhou diversos prêmios e se tornou conhecida por sua militância. Em uma sociedade em que “liberdade” era palavra desconhecida, ela se arriscou. Qual sentido havia naquilo tudo? Como um grupo de militantes extremistas poderia impedi-la de estudar?

Malala mostrou o rosto e expôs seus ideais a todos. Foi firme em sua decisão de não abandonar os estudos, mesmo sob ameaça constante dos Talibãs. A paz de sua pequena aldeia, localizada no Vale do Swat (norte do Paquistão), havia terminado, mas Malala jamais perdeu a coragem e perseverança. Aos 15 anos, já era reconhecida internacionalmente pela sua luta incansável para defender o direito à educação de meninas.

Em decorrência de sua luta, entrou na mira do Talibã e, em outubro de 2012, quando voltava da escola com suas amigas, foi covardemente atingida por um radical islâmico. O militante acertou a cabeça de Malala; uma cabeça pensante, cheia de ideias e protestos; uma mente questionadora e curiosa, que possuía todas as armas para mudar o mundo. A bala entrou no canto esquerdo do rosto da menina, mas não a matou. Ao invés disso a tornou um símbolo mundial da luta pela educação e comprovou a força que existe nos livros e na curiosidade de aprender. Uma bala pode matar, mas o conhecimento pode mudar o mundo e ser mais forte que toda e qualquer arma de fogo.

Eu já era fã, mas depois de ler “Eu sou Malala” me tornei seguidora de todos os valores e princípios dessa menina incrível, que mesmo em um país cercado de mortes, violência e fogo, manteve a suavidade e acreditou numa revolução liderada por canetas, livros, alunos e professores. Terminei de ler no dia 2/01 e garanto: meu ano começou repleto de inspiração! A leitura é intrigante e perturbadora, ingênua e sensível, digna de arrancar lágrimas dos olhos do mais duro entre os homens.

Fica a minha dica de leitura.

OBS. Malala recebeu apoio dos mais diversos países, tanto para realizar seu tratamento, como para dar continuidade à sua luta. Em 2013 foi criado o Fundo Malala, que busca garantir a educação de meninas ao redor do Globo. Conheça o projeto.

Veja abaixo o discurso que Malala fez na ONU, no dia em que completou 16 anos.

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