Geração ‘me me me’

Eles são narcisistas e possuem uma autoconfiança invejável. Os que pertencem às gerações anteriores costumam dizer que são preguiçosos, mimados e até mesmo egoístas.

Eles não largam o celular e costumam expor suas vidas, opiniões e sentimentos nas redes sociais. Estão conectados 24h por dia, 7 dias por semana. Eles, definitivamente, assustam as gerações que os antecedem; fazem parte de uma geração incompreendida.

Mas afinal, quem são eles? Estamos falando daqueles que nasceram entre 1980 e 2000 e fazem parte da geração Y, ou da “Millennial Generation”. Uma geração polêmica, que tornou-se foco de grandes estudos e pesquisas ao redor do mundo.

Uma pesquisa do National Institutes of Health apontou que a presença do narcisismo entre jovens da geração Y é três vezes maior se comparada com a da geração que hoje tem 65 anos ou mais.  58% dos respondentes foram classificados com nível “alto” de narcisismo. Veja abaixo os resultados de algumas perguntas que compuseram o questionário:

  • 40% dos jovens entrevistados afirmaram que esperam ser promovidos no trabalho independente de seu desempenho;
  • 60% deles acredita possuir opiniões corretas e estão certos de sua posição. São extremamente autoconfiantes.
  • O percentual de jovens entre 18 e 29 que vive com os pais é superior se comparado a outras gerações. Eles saem mais tarde de casa.
  • Em 1982, 80% dos jovens com menos de 23 anos estavam interessados em assumir cargos profissionais de grande responsabilidade. Em pesquisa realizada em 2002, esse percentual caiu para 60%.

Geração Me Me Me

Devido à globalização, à internet e, principalmente, às redes sociais, os jovens pertencentes à geração Y acabaram assumindo um perfil único, que independe de seu local de origem, Pelo egocentrismo que marca essa geração, eles também foram classificados como “Me, Me, Me Generation”, expressão que dá a ideia perfeita da supervalorização do ego.

Esse grau extremo de autoconfiança torna-se um desafio aos pais e educadores. Ao incentivar a autoestima do jovem, é importante que não se estimule, por acidente, o narcisismo. Há diferentes maneiras de trabalhar a autoconfiança. O jovem deve entender que não é detentor de toda a verdade, também precisa ser questionado, e não apenas elogiado. É preciso impor limites.

O professor americano David McCullough Jr ficou famoso pelo discurso que preparou à sua turma de alunos do ensino médio. Durante a cerimônia de formatura, ele fez questão de ressaltar aos jovens ali presentes que eles não eram especiais e ainda destacou que crianças mimadas podem resultar em adultos fracassados. O discurso foi filmado e, ao ir para o Youtube, teve mais de 2 milhões de views.

O discurso de McCullough virou fonte de inspiração para pais e educadores e, o professor, que do dia para noite ganhou imensa popularidade, afirma que não menosprezava seus jovens alunos, mas julgava necessário alertá-los. “Em 26 anos ensinando adolescentes, pude ver como eles crescem cercados por adultos que os tratam como preciosidades”.

Dizer aos jovens que eles não são tão especiais quanto acreditam ser não deve ser visto como uma forma de menosprezo ou desestimulo à autoestima e autoconfiança, mas sim como uma atitude fundamental, que visa despertar o questionamento e percepção do jovem, levando-o para além de seu universo particular (e sempre tão protegido).

O mundo desafia e, por isso, é tão importante manter os pés no chão e evitar construções irrealistas do nosso próprio ‘eu’.

Veja abaixo discurso do professor David McCullough Jr (em inglês):

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