Crise ou oportunidade para mudança?

Hoje escrevo o meu terceiro texto para o Projeto “Ciranda de Blogs“, e o tema da vez é “gestão de crises”. Minha percepção sobre o assunto leva-me diretamente ao setor empresarial, ou seja, me faz pensar em como empresas gerenciam crises a fim de garantir/manter a percepção positiva em relação as suas marcas. Ok, essa é uma possível aborgadem (e talvez a mais difundida), mas, neste blog, pretendo dar outro olhar ao tema e, para isso, lhes convido a entender quais são os elementos que caracterizam uma crise.

Segundo estudiosos do tema, há 4 principais fatores que definem uma situação de crise, são eles: ameaça à organização; elemento surpresa; decisão de curto prazo; necessidade de mudança.

E os tipos de crise? Quais são? Podemos listar rapidamente alguns, como: desastres naturais, crise de má conduta, crise decorrente de erro de gestão, entre outras. Há também duas grandes maneiras de definir uma crise: “crise de eventos” e “crise informacional”. A primeira refere-se à ocorrências, enquanto à segunda relaciona-se à opiniões e percepções.

Martha Gabriel, pesquisadora na área de Tecnologias Digitais, afirma que uma crise pode ser compreendida como “qualquer situação que ameace causar danos a uma entidade, seus stakeholders ou público geral“.

Partindo deste entendimento e utilizando o embasamento teórico recém apresentado, sugiro discutirmos uma crise bastante atual, a qual me atrevo chamar de “crise geracional”. Trata-se de uma crise que ameaçou modelos organizacionais e que obrigou escolas, faculdades, empresas a repensarem seus modelos de atuação, forçou essas e outras entidades a traçarem novos planos e adaptarem-se às mudanças apresentadas por um novo mundo, por uma nova geração. Falo, portanto, em uma “crise de evento”, que surgiu a partir de determinadas ocorrências, que definiram uma nova realidade.

Falo de uma mudança contextual, de um mundo que deixou de ser analógico e tornou-se digital; falo de uma sociedade da informação, de um mundo em que pessoas (jovens, adultos e até idosos) estão conectados 24h; falo de um mundo em que não há mais espaço para receptores passivos, mas sim para cidadãos ativos, que recebem a informação e criticam, indagam e produzem seu próprio conteúdo. Falo de uma nova realidade, que trouxe consigo a necessidade de mudança.

Crise: como prender a atenção da geração digital?

Crise: como prender a atenção da geração digital?

As instituições de ensino, por exemplo, sempre tiveram um modelo de ensino bastante fechado, restrito aos muros da escola. Um modelo em que a comunicação era realizada em mão única: o professor falava e o aluno anotava. E, o que saia da boca do docente era, geralmente, considerado verdade absoluta. O aluno estava lá para aprender com aquela figura, considerada a única e exclusiva detendora do saber. Mas, os tempos mudaram.

Principalmente a partir dos anos 80, jovens passaram a ter maior acesso a computadores, videogames, e um pouco mais tarde, celulares. Com as novas tecnologias, os jovens começaram a assumir postura mais ativa em relação ao conteúdo que recebiam por meio dos veículos de comunicação e, principalmente com o surgimento da internet e das redes sociais, passaram a receber e produzir informações muito além dos muros da escola.

O saber deixou de estar concentrado na imagem do professor e tornou-se uma rede, percebeu-se que o “saber” está em todos os lugares, que há formas distintas de aprender e maneiras diferentes de educar.

Hoje, ao chegarem na sala de aula, os alunos já estão informados sobre os mais diversos temas, já foram expostos a informação que o professor trouxe, já têm opiniões formadas, e muitos sentem-se entediados com modelos de ensino pouco interativos, pois, lá fora, o mundo convida à interação em tempo integral. E agora? Como gerenciar essa crise, em que o modelo tradicional de ensino vê-se frente à uma inevitável necessidade de mudança?

Para Rui Canário, doutor em Ciências da Educação e professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, é preciso transformar crises em oportunidades, e, no caso especifico das instituições escolares, transformar o problema em solução.

Canário defende: “Muitos afirmam que o descaso dos alunos impede a escola de ser eficiente. Em vez de se conformar, que tal incentivar a criação de projetos que possam ser desenvolvidos pelos educandos, tratando-os como capazes de produzir e não como aprendizes que só têm a receber? É difícil não haver engajamento quando as pessoas se tornam sujeitos e atribuem um sentido positivo ao trabalho que realizam. O que parecia um obstáculo – a falta de envolvimento – virou um caminho para atingir os objetivos.”

Concordo com o pensamento de Rui e acredito que, para gerenciar estas “crises geracionais”, as  instituições de ensino devem concentrar-se em criar novos modelos de atuação, com um currículo de caráter mais interativo, que proponha atividades sob a lógica da participação e incentive o posicionamento intelectual e a produção de conteúdo do aluno. Práticas que, muitas vezes, passam pela proposta da Educomunicação.

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Um pensamento sobre “Crise ou oportunidade para mudança?

  1. Pingback: Como gerenciar e não atrair ainda mais crises! – periskópio

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