O Marketing de Guerrilha a favor da cidadania

Como comentei em meu último post, o Educomunicação entrou para o Projeto Ciranda de Blogs. A cada semana, um tema é escolhido e debatido por todos os blogueiros que fazem parte da iniciativa. O tema dessa semana é “Marketing de Guerrilha”. Confira abaixo a minha primeira contribuição para o projeto.

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Iniciei minha carreira no terceiro setor e nele estou até hoje (com vontade de permanecer ainda por muito tempo). Conheço de perto as satisfações e dificuldades em trabalhar em um setor que tem a captação de recursos como atividade central, pois disso depende para se manter e cumprir a função social a qual se dispõe. A captação, porém, é sempre um grande desafio e, por isso, praticamente  toda organização da sociedade civil precisa ser muito estratégica e otimizar os recursos disponíveis (financeiros ou não) para alcançar seu objetivo e missão.

A busca (ou quase necessidade) por baixo investimento e alto impacto acompanham ONGs em praticamente todas as sua ações e, devido a essa realidade, podemos pensar que as características do Marketing de Guerrilha servem perfeitamente aos interesses dessas entidades sociais que estão, a todo momento, quebrando a cabeça para fazer ‘mais com menos’.

Mas, o que é Marketing de Guerrilha?

O termo foi criado pelo publicitário americano Jay Conrad Levinson e se inspira na modalidade de guerra de guerrilha, um tipo de conflito em que há desproporcionalidade entre os rivais e, assim, o lado mais fraco deve fazer uso de táticas de combate inusitadas, que possam atingir o adversário não necessariamente por meio da força, mas sim por meio da criatividade, do inesperado, da surpresa, enfim, por meio do uso de armas improvisadas ou uso alternativo de armas convencionais. Se pensarmos no contexto do Marketing e da Comunicação, teríamos empresas menores (e com menos recursos) impondo-se num mercado extremamente competitivo por meio de ações não convencionais e fazendo uso de mídias alternativas. Segundo definição da America Marketing Association, o Marketing de Guerrilha pode ser definido como uma prática “não convencional que pretende obter resultados máximos a partir de recursos mínimos”.

Outro ponto interessante é que as ações de guerrilha geralmente se adaptam ao cenário existente, ou seja, utilizam os recursos que o ambiente oferece e são realizadas em momentos estratégicos, em que o público alvo encontra-se mais vulnerável e acessível a receber a mensagem. Geralmente, pelo seu caráter inusitado, esse tipo de ação desperta curiosidade e acaba gerando o boca a boca. Além disso, também apresentam grandes chances de ganhar mídia espontânea (uma das principais vantagens deste tipo de ação).

O Marketing de Guerrilha e o Terceiro Setor

manifestantes_ACTBr

No terceiro setor, as ações de guerrilha nem sempre visam combater grandes marcas ou divulgar produtos, mas sim engajar a população em causas sociais e lutas por melhorias em políticas públicas. O Marketing de Guerrilha coloca-se , portanto, a favor da cidadania. Temos, como exemplo, a ação organizada pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACTBr).

Em prol da luta contra o tabagismo, manifestantes reuniram-se, em 2008, em frente a um hotel no Rio de Janeiro, onde estava ocorrendo o Encontro Anual da Indústria do Tabaco. Vestidos de caveira, fixaram 200 cruzes  ao longo da praia, como forma de denunciar as 200 mil mortes causadas por ano no Brasil em decorrência do tabagismo.

A ação teve cobertura da grande mídia, foi capa do jornal O Estado de São Paulo e as atenções que, a priori, estavam voltadas ao Encontro da Indústria acabaram voltadas à manifestação. A ação também ganhou enorme espaço nas redes sociais: com a hashtag #LimiteTabaco, internautas cutucavam políticos e tomadores de decisão.

Outra ação de guerrilha de caráter social é aquela que ocorre durante o mês de outubro e que ilumina monumentos importantes em diversas cidades ao redor do globo. Trata-se do “Outubro Rosa”.

outubro_rosa_Brasil

O movimento teve início nos EUA, em 1997, e logo conquistou o mundo. No Brasil, diversas cidades já aderiram à iniciativa. Geralmente são grupos ou entidades sociais que, por meio de captação de recursos, conseguem viabilizar a ação. Em São Paulo, o Monumento às Bandeiras já foi iluminado com a cor rosa, no Rio, o Cristo Redentor e, em Curitiba, o Jardim Botânico.

Além de gerar curiosidade e boca a boca, a ação também gera grande repercussão midiática. No ano passado, os principais jornais do Estado de São Paulo veicularam imagens da intervenção. A mensagem embutida na ação é um alerta às mulheres, para que cuidem da saúde das mamas e, assim, previnam o câncer.

Por fim, deixo mais um exemplo em que o Marketing de Guerrilha foi utilizado em prol de causas sociais. Em Atlanta (EUA), a ONG End It transformou um caminhão em mídia. O veículo circulou pela cidade escancarando o horror enfrentado por mulheres que são traficadas e vendidas como “escravas sexuais”. A ação teve como objetivo informar a população que o tráfico de mulheres tem relação com grandes eventos esportivos, além de mostrar a severa realidade das vítimas, que são violentadas, marginalizadas e expostas a inúmeros riscos.

São muitas as ações de guerrilha utilizadas como forma de protesto ou como um convite ao engajamento social. Inviável citar todas, mas deixo a mensagem que com criatividade, inovação e empenho podemos derrubar preconceitos, lutar por melhoria e implementação de políticas públicas, promover bem-estar social e, por fim, utilizar táticas simples para gerar grande impacto e, nesse caso em específico, para gerar um mundo melhor e mais justo.

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2 pensamentos sobre “O Marketing de Guerrilha a favor da cidadania

  1. Pingback: Abaixo a Guerrilha parnasiana! – periskópio

  2. Pingback: Periskópio: “Abaixo a Guerrilha parnasiana!” | Freaky Brain

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