Educação alimentar e a propaganda direcionada às crianças

Ontem tive a experiência de ir ao supermercado na companhia de duas crianças, uma no auge de seus 2 anos e outra perto de completar 4 primaveras. Que aventura.

Além da necessidade constante de correr atrás deles para que não derrubem nada, ficar atenta para que não abram as embalagens e evitar que comam tudo e qualquer coisa que encontrem pela frente, também fiquei intrigada com uma questão que se torna cada vez mais comum em nosso tempo: a obesidade infantil.

Não é o caso dessas crianças. Minha amiga, mãe delas, toma todo o cuidado para que os dois tenham uma alimentação saudável e incentiva o gosto por verduras, frutas e sucos. As “besteiras” ou “junk foods” são raras.

É impressionante ver o amor que eles têm por pepinos, tomates e melancias  Quando chegam ao supermercado ficam desesperados atrás das frutas e legumes e, como minha amiga disse, “essa história que criança gosta de besteira é uma farsa, são os pais que moldam os gostos alimentares dos filhos, pelo menos na infância”. Eu concordo, e acredito que os hábitos alimentares que cultivamos quando pequenos nos acompanham também na vida adulta.

Sucrilhos e os brindes de starwars

Sucrilhos e os brindes de starwars

Um ponto que me chamou a atenção nesse “passeio” ao supermercado foi a força que a propaganda tem. Mesmo acostumados com uma alimentação extremamente saudável, as crianças ficaram malucas com tantas cores e personagens nas embalagens de salgadinhos, queijos, sucrilhos e chocolates. Queriam tudo.

A propaganda de comida para o público infantil é, com certeza, um elemento que dificulta a educação alimentar e os pais devem sim se preocupar com os valores e referenciais que são passados aos filhos por meio da publicidade.

Hoje as crianças têm acesso ilimitado e constante aos meios de comunicação e são expostas diariamente a propagandas que incentivam o consumo de comidas gordurosas, repletas de corantes e outras substâncias que com certeza não fazem parte de um cardápio recomendado por nutricionistas.

Driblar essa comunicação direcionada às crianças pode ser um enorme desafio aos pais e demais educadores. O assunto já se tornou tão sério a ponto de alcançar, até mesmo, o poder legislativo. Em São Francisco (EUA), por exemplo, a rede de fast food McDonalds foi proibida de comercializar o Mc Lanche Feliz, que vem acompanhado de brinquedos e, além de tirar os “brindes”, o lanche também teve que incluir frutas e vegetais no pacote. No Brasil já existem diversas discussões que seguem a mesma linha de raciocínio.

A estratégia de presentear crianças é muito comum na comercialização de produtos alimentícios direcionados para esse público. Cereais e iogurtes são exemplos de produtos que adotam o método com frequência. Não há dúvidas que, ao oferecer brindes, as empresas têm maior sucesso de vendas entre o público alvo, mas interesses mercadológicos, boa parte das vezes, não vão de encontro às necessidades base de uma sociedade.

Por trás dessas vendas existem graves questões de saúde pública; crianças obesas apresentam grandes chances de se tornarem adultos obesos e, além de terem a saúde comprometida desde cedo, provavelmente terão menos tempo de vida. Muitas crianças que apresentam obesidade, apresentam também quadro clínico semelhante ao de idosos enfermos.

A educação alimentar é essencial e envolve diferentes esferas sociais, como a família, mídia, governo e indústrias alimentícias. Todos deveriam estar conscientes sobre a gravidade do problema e assumir posição responsável perante o assunto.

Veja abaixo o documentário “Muito Além do Peso”, que trata sobre o tema “obesidade infantil” e propõe uma discussão profunda e detalhada sobre o problema, que já virou pandemia mundial. No Brasil, 33% das crianças são obesas.

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