Ushahidi: uma rede social em prol do desenvolvimento humano

Ontem assisti uma palestra sobre a organização Ushahidi e descobri que o Brasil está entre os 159 países que fazem parte da iniciativa. A proposta do encontro era discutir a integração das novas tecnologias no desenvolvimento de países africanos.

O debate é interessante (e apropriado a este blog) uma vez que tem como grande objetivo dar voz aos cidadãos, ou seja, instrumentalizá-los para produzir conteúdo, deixando de lado a posição de receptor passivo. A plataforma visa a construção de conteúdo colaborativa e o compartilhamento.

UshahidiIsso, porém, é algo que vem acontecendo há um bom tempo, principalmente após a internet e a consolidação das redes sociais. O fluxo de informação já foi modificado, hoje não existe mais um canal de comunicação de mão única; o poder de argumentação dos receptores é inevitável. Mesmo o conteúdo televisivo, que ainda é o retrato da recepção passiva, já pode ser contestado, pois o telespectador tem a possibilidade de reclamar ou argumentar em outros canais, por exemplo,  no Facebook ou em blogs pessoais.

O interessante da Ushahidi, porém, vai além de seu propósito de democratizar a informação e derrubar barreiras para que os cidadãos possam contar suas histórias e expor seus pontos de vista. A iniciativa nasceu no Quênia, em 2008, após um enorme conflito político. Diversas pessoas morreram e a imprensa cobria apenas o que ocorria nos grandes centros. Assim, um grupo de quenianos decidiu criar a plataforma “Ushahidi”, uma espécie de rede social que tinha como grande objetivo mapear as áreas mais violentas do país para que, assim, pessoas conseguissem evitar as zonas de maior risco. Tornou-se uma ferramenta poderosa de ajuda humanitária.

A rede social alcançou 45 mil usuários no Quênia e se expandiu para outras áreas do globo. Hoje têm voluntários na Europa, América do Sul e nos EUA e o mapeamento que realiza atualmente pode ser visto como uma iniciativa global. Foi utilizada para facilitar o atendimento aos feridos no furacão que atingiu o Haiti em 2010, ajudou no mapeamento das áreas com energia elétrica após o furacão Sandy (EUA) e também serviu para a coleta de informações durante os conflitos na Líbia.

Além de ser útil em situações de crise, a plataforma também serve de observatório eleitoral. Pode ser utilizada para reunir comentários de eleitores e denúncias de crimes eleitorais, por exemplo.

A Ushahidi tem parceria com organizações como a ONU, Al-jazeera e World Bank. Para saber mais sobre a iniciativa, visite o site e/ou assista o vídeo abaixo (em inglês).

Curiosidade! — “Ushahidi”, em suaíli, significa “testemunho”. Suaíli é a língua falada no Quênia e em outros países africanos, como Tanzânia e Uganda.

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2 pensamentos sobre “Ushahidi: uma rede social em prol do desenvolvimento humano

  1. Pingback: Big Data: uma possibilidade para o desenvolvimento social |

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