Angústias, vícios e deslumbres da geração digital

Não costumo usar esse espaço para desabafos, mas recentemente me identifiquei como personagem ideal para uma matéria cujo título poderia ser “Angústias, vícios e deslumbres da geração digital”.

Há dois meses eu não passava de mera observadora de Iphones e derivados. Nunca tive qualquer interesse em adquirir um smartphone e jamais me convenci dos supostos benefícios que eles poderiam trazer à minha vida.

Ao meu redor, porém, todos tentavam me convencer da magia insubstituível desses aparelhos modernos e, aos meus olhos, assustadores. Iphones, Ipads e Itudo pareciam tomar forma humana: viraram tema central de conversas entre amigos e atraiam olhares emocionados de seus donos. Vez ou outra, numa mesa de bar, ou num almoço de domingo, o olho na tela parecia ser mais interessante do que o olho no olho.

Isso sempre me deixou inconformada. Ao presenciar situações como essa eu reafirmava meu ódio profundo por esses aparelhos e me convencia que, definitivamente, meu nokia 2009, com botões e sem internet era, de fato, sensacional. Continuava sem vontade alguma de ter um Iphone, afinal, eu ainda prezava, acima de tudo, a interação (presencial) entre as pessoas.

Algo inédito, porém, aconteceu: ganhei um Iphone.

Mordi minha língua, pois, quando me dei conta, lá estava eu, fascinada, deslumbrada e apaixonada por aquela geringonça. O encantamento, contudo, durou 2 meses. Foi quando percebi que eu estava me comportando exatamente como aquelas tantas pessoas que eu criticava arduamente. De fato, esse negócio vicia. A informação vicia, a facilidade em estar conectado ao mundo vicia e, nesse emaranhado de vícios, você se perde e se vê sem limites, pelo simples fato de ter um Iphone na mão.

É realmente assustador: informação que não acaba mais! 24 horas por dia, 7 dias por semana. Não importa se você está no carro, na cama, no trabalho, no banheiro… As notificações estão ali, pulando e implorando para serem lidas e, de preferência, respondidas! As informações chegam pelos mais diversos canais: Facebook, Twitter, Instagram, E-mail pessoal, E-mail profissional, sms, What’sApp, etc, etc, etc… SOCORRO!

Em meio a essa loucura tão contemporânea, me peguei nostalgica, com saudade do meu nokia 2009. Deletei metade dos aplicativos baixados em momentos de êxtase e decidi me colocar como objeto de minha própria observação.

Percebi que não estou preparada para receber tamanha quantidade de informação e de maneira ininterrupta. Não estou preparada para a mobilidade oferecida por um smartphone e nem para ser alguém que está online 24h por dia, todos os dias da semana, do ano, da vida.

Essa pode ser a realidade que encontramos hoje, muitos já vivem assim. Mas a ideia de estar online em tempo integral e receber informações sem qualquer descanso aos olhos e à mente, me fez reavaliar as coisas que gosto, que valorizo, pensar no meu tempo e também nos meus limites.

Vivi, por um momento, as angústias, vícios e deslumbres da geração digital, mas confesso que minha essência ainda não conseguiu alcançar esses “tempos modernos”.

Que fique claro, porém, que não me posiciono contra toda essa revolução na maneira de receber informação e na maneira de interagir com o mundo. Reconheço os benefícios e as desvantagens em fazer parte dessa dinâmica: sou parte dela, e estou em constante aprendizado.

Agora, imaginem só esses jovens considerados da Geração Z (nascida sob o advento da internet e do boom tecnológico) – O entendimento de mundo para eles é outro.

Enquanto a Geração X teve que se esforçar para sentir-se parte dessa nova cultura digital, a geração Y acompanhou seu desenvolvimento e, ainda assim, encontra certas barreiras para entregar-se aos fascínios e perigos oferecidos pelas novas tecnologias.

Eu, que faço parte da geração Y, às vezes sinto que já fiquei pra trás.

E, para reflexão, deixo a imagem abaixo.

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6 pensamentos sobre “Angústias, vícios e deslumbres da geração digital

    • Olá Livia, como vai? Obrigada por seu comentário! Vou ler seu texto e pode deixar, darei minha opinião! De qualquer forma, por esse post, acredito que você já tenha percebido o meu posicionamento, certo? rsrs. Abraços!

  1. Eu que pertenço a geração A (sou de 63)-rs- concordo com as suas observaçôes. Comprei um Android, mais simples, porém igualmente fascinante para me aproximar deste mundo e acompanhar os códigos da minha filha e sua turma. Tb critiquei este comportamento e seus valores, mas agora entendo a sua irreversabilidade assim como outros padrões sociais se alteraram com o tempo. Trabalho com crianças de 4a7anos justamente com computadores que não são móveis mas que fascinam igualmente e percebo o esforço que temos que fazer para nos adaptarmos a essa linguagem sem prejudicar o acesso aos conteúdos pedagógicos. E acredito que dessa geração pra frente os recursos tecnológicos devem ficar mais intuitivos mas cada vez mais presente na vida urbana. 😉

  2. Identifiquei-me por completo com o seu texto; às vezes sinto que, mesmo sendo da geração Y, estou ficando para trás… Aí me questiono: o que é, de fato, ficar pra trás? Você também se questiona isto? Abç

    • Fábio, tudo bom?

      Me questiono, sim! Muitas vezes sinto que já não consigo acompanhar as inúmeras e constantes novidades que surgem, e, nesse momento, percebo que “fiquei para trás”. Mas, não sei se “ficar para trás” deve expressar um sentido negativo. São gerações diferentes, com realidades e dinâmicas próprias. Uma das opções que temos é abrir a cabeça, acompanhar as mudanças e assumir posições flexíveis frente ao que a geração Z tem a nos mostrar e nos ensinar, mas talvez o nosso modo de interpretar e vivenciar o mundo nunca será como o deles e isso não é “ficar para trás”, mas simplesmente o movimento natural da vida. E isso é muito enriquecedor!

      Assim como nossos pais nos passaram valores de suas respectivas épocas, nós passaremos nossa visão de mundo aos nossos filhos e alunos, eles também nos ensinarão muitas coisas e, nesse “vai e vem”, construímos relações de troca muito ricas. Acho que o importante nisso tudo é sempre manter a cabeça aberta e entender que as nossas verdades vão ser questionadas e, eventualmente, quebradas pelas próximas gerações! Um constante e instigante desafio! Não acha?

      Obs. claro que, ao “abrir a cabeça”, temos que manter a criticidade sempre ativa! rs… Afinal, algumas “verdades” das próximas gerações nunca farão sentido para nós! rsrsrs.

      • Uma resposta grande, bacana, sinal de que gosta de pensar e escrever bastante! A questão de “passar valores” é muito estranha, apesar de ser da geração Y, já tenho um pequenino, ele tem apenas 1 ano e 9 meses mas já sabe mexer no mouse e clicar no ícone do youtube e depois no ícone da galinha pintadinha; algumas pessoas se assustam com isto, julgam-me um “péssimo pai” por ensinar isto a ele.

        Questiono: quando os livros começaram a se popularizar (com toda aquela história da prensa de Gutenberg), muitos criticaram e disseram que os papiros e pergaminhos seriam imortais, e, veja só, você conhece alguém que estudou por pergaminhos? rsrs

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