As mazelas do nosso Brasil

Sempre senti enorme comprometimento social com o meu país e acredito que não poderia ser diferente. Em uma realidade como a do Brasil, marcada por imensa desigualdade social, forte cultura servil, sistema público ineficiente e políticos corruptos, os que não se sentem comprometidos provavelmente fecham os olhos frente à realidade, optando por viver dentro de uma bolha.

Não me conformo com tamanha desigualdade. Como podemos nos acomodar perante à violência, pobreza, fome? Perante um sistema público que oferece qualidade de ensino precária, saúde precária e que não valoriza figuras importantes, como a do professor.

Não acho que seja possível se ausentar; por mais que alguns tentem, a realidade está escancarada nas ruas: nos olhos das crianças que batem no vidro dos carros para pedir esmola, na sujeira e no lixo que encontramos nas calçadas, nas enormes filas do SUS, nas frequentes greves de servidores públicos.

Mesmo com todas essas evidências, muitos ainda preferem entrar em seus carros blindados e simplesmente ignorar o que se passa lá fora. Saem de suas casas cercadas por muros e seguranças, encaminham-se para restaurante luxuosos, gastam fortunas. Porém, não conseguem enxergar o que existe no percurso casa-restaurante: existe miséria, existe pobreza, existe desigualdade.

Foto: Tuca Vieira

Não julgo aqueles que têm mais e podem se dar o luxo de certos prazere$, mas o problema do Brasil é que existem os que têm muito e os que nada têm. São extremos.

E os que nada têm vivem como marginais, cidadãos invisíveis, jogados numa sociedade que não os acolhe, uma sociedade às avessas.

Os que dependem do governo são tratados de forma extremamente desrespeitosa. A educação, saúde e transporte públicos estão longe do padrão ideal de qualidade. E então nos perguntamos: o que deu errado? E como podemos melhorar esse cenário tão injusto?

Há pouco voltei de uma viagem à Austrália e fiquei extremamente bem impressionada com o país, desejando que por aqui as coisas fossem semelhantes ao que ocorre por lá. Ali não há desigualdade, todos têm as mesmas oportunidades. Não há miséria. Vivem de forma digna, com acesso a serviços públicos de qualidade.

Visitei escolas australianas da rede pública e fiquei impressionada. São extremamente bem cuidadas. Espaços verdes, amplos, que integram natureza e sala de aula. Bibliotecas enormes. E, o mais importante, os professores recebem salário considerado ótimo, a profissão é respeitada e reconhecida como fundamental para o desenvolvimento do país.

Os australianos entendem que é por meio da educação que se constrói uma sociedade justa e humanizada. O governo australiano tem inúmeros programas de incentivo aos estudos, programas que funcionam e que, de fato, fazem a diferença na formação de seus cidadãos.

O governo trabalha para que a sociedade funcione da melhor forma possível, coloca dinheiro público em benefício público. Parece óbvio, não?

Aqui, porém, vemos uma situação predominantemente caótica e muito diferente dos exemplos australianos. Claro que muitos de nossos problemas sociais estão enraizados em questões culturais, na maneira como o país foi colonizado e, portanto, na maneira como o país se construiu desde sempre. Mas é preciso redesenhar a história. E podemos fazer isso a cada dia.

Precisamos de mudanças estruturais, que levam tempo. Mas, imaginem, se todo o dinheiro público que já foi roubado ao longo da história tivesse sido aplicado em benefício público! Poderíamos ter alcançado uma sociedade mais justa. Há dinheiro, o que não há é comprometimento dos governantes.

Vale lembrar que o Brasil ocupou o 84° lugar no IDH 2011, enquanto a Austrália pegou 2° lugar na classificação.

Transformar é preciso. E podemos começar já!

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