Novas formas de leitura

Há quem diga que a dinâmica em que vivemos atualmente se opõe à cultura impressa, marcada pela figura do livro. Em tempos “pré-digitais”, o livro concebia-se como principal fonte de conhecimento e espaço praticamente exclusivo de acesso ao saber, além de ser tido também como um dos principais meios de entretenimento.

Pessoas passavam horas mergulhadas nas páginas impressas, sempre cobertas por muito texto e raras imagens. Esse formato (ou essa “plataforma impressa”) sugere uma maneira especifica de leitura, que se difere da dinâmica de leitura proporcionada pela internet.

Na leitura impressa as palavras são o principal motor de estímulo à nossa imaginação. Geralmente, os livros trazem poucas ilustrações, deixando que o leitor passeie sem limites entre as linhas do texto que lê.

A leitura impressa também apresenta outra característica: tende a ser solitária e introspectiva. Geralmente escolhemos lugares silenciosos e despovoados para a leitura, fazendo dela um ritual íntimo.

Em uma biblioteca as pessoas estão, geralmente, imersas no silêncio, compenetradas nas palavras que lêem e quase não interagem entre si. A interação entre os leitores de determinado texto vem, quase sempre, após o término da leitura, quando discutem o conteúdo e refletem sobre ele, trocando opiniões e expondo pontos de vista.

O mesmo não se pode dizer, porém, da leitura realizada no ciberespaço. Podemos estar sozinhos, na companhia apenas de nosso computador, mas mesmo a sós, a leitura que se realiza na internet já não é tão solitária. Ao ler um texto é possível, instantaneamente, compartilhá-lo em redes sociais, deixar opiniões sobre o que se lê e pedir opiniões alheias.

Durante a leitura online é possível “googlear” nomes de personagens, autores ou fatos históricos; pode-se também encontrar diferentes linguagens que contam uma mesma história: imagens, sons, músicas, poemas! Cria-se um mix de olhares sobre o mesmo texto e, assim, o conteúdo inicial expande-se.

A leitura realizada na internet torna-se mais visual e interativa. A forma de se ler muda. A posição do corpo muda, as sensações desencadeadas pelo texto mudam, e assim, muda-se a experiência da leitura.

Não se pode dizer, porém, que a leitura na internet prejudicou a leitura do impresso. Não há uma substituição, mas sim uma nova plataforma que possibilita ao leitor se arriscar em outros campos.

Quem lê online não necessariamente ignora os livros, jornais e revistas e o mesmo se dá com os leitores dos impressos, eles podem alternar entre a leitura online e a off-line. Surge a oportunidade de “pensar além do livro”, as vozes se multiplicam e diferentes formatos de texto interagem entre si, trazendo ao leitor um novo referencial.

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