Jean Marc Cotê: a sala de aula do futuro

Jean Marc Cotê foi um ilustrador francês que viveu no século XIX. Ao longo da década de 1890 ele criou diversas imagens que retrataram a sua visão de futuro. As ilustrações do artista falavam a respeito de um tempo distante: os anos 2000.

A série de ilustrações sobre o tema surgiu após uma empresa de brinquedos pedir a ele que desenhasse o mundo em um tempo desconhecido, que eles jamais chegariam a ver, mas que poderiam, ao menos, supor, imaginar, criar.

As previsões de Jean Cotê são extremamente interessantes e podemos dizer que ele não passou tão longe do que vemos hoje em dia. Chama-me a atenção, em especial, a ilustração abaixo, criada em 1899, tempo de efervescência da Revolução Industrial, que teve início na Inglaterra e em seguida, impacto ao redor do Globo.

A França, terra natal do ilustrador, já se via extremamente modificada devido aos efeitos da Revolução Industrial e as mudanças econômicas e sociais, geradas pelo avanço tecnológico, já mexiam com o imaginário das pessoas; inclusive com o imaginário de Jean Cotê.

Ele criou essa ilustração em 1899 mostrando como seria, sob seu ponto de vista, uma sala de aula nos anos 2000. O avanço tecnológico modificou todos os campos sociais, inclusive o da educação e, para ele, num futuro distante, as mudanças seriam ainda mais gritantes.

Na imagem, estudantes estão conectados a capacetes eletrônicos fixados em suas cabeças. Cada capacete possui um fio transmissor, que se liga a uma máquina central. Nesta máquina, o professor coloca o conteúdo que deverá chegar aos alunos. Para tanto, ele utiliza livros.

O que a ilustração tem de semelhante com o nosso tempo?

A imagem denuncia um olhar visionário incrível! Jean Cotê, em seu “achismo”, já previu que o acesso a informação seria veloz e que não seria necessário carregar um livro nas mãos para poder se informar… Nesse momento vemos surgir uma previsão de futuro correta: a possibilidade de acesso à informação por meio de aparatos tecnológicos.

Além disso, ele também tirou o professor do centro da sala de aula. Os alunos olham para a frente, enquanto o professor, na lateral da sala, transmite o conteúdo. Porém, apesar de não estar mais no centro da sala de aula, a figura do docente permanece central e exclusiva, já que o professor é o único responsável por passar a informação e nesse momento, excluem-se outros possíveis educadores (aos quais podemos chamar “informais”).

A imagem, contudo não traz consigo a ideia de participação colaborativa. Os alunos recebem a informação e ponto. Não há evidências de interatividade por parte dos estudantes. Hoje isso não se faz real, uma vez que a interatividade é um dos fatores-chaves presentes dentro sala de aula (e fora dela).

Mas apesar dos pesares, temos que elogiar Cotê! Ele se arriscou num imenso desafio! Que tal tentarmos fazer o mesmo exercício e imaginarmos como será uma sala de aula daqui a 100 anos? Alguém se arrisca?

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2 pensamentos sobre “Jean Marc Cotê: a sala de aula do futuro

  1. Idéias que realmente solucionam os problemas do ensino são sempre descartadas pelas autoridades das instâncias superiores ligadas à educação. Não percebo evolução alguma nos aspectos das atuais salas de aula, mas regressão. O que Jean Marc Cotê imaginou ser a sala de aula de 2.000 ainda não aconteceu. Observem que a sala imaginada por ele tem poucos alunos e o objetivo do professor é ensinar. Hoje os professores são apenas carcereiros e a progressão automática e o estatuto da criaça dispensam taxativamente o aprendizado.

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